
Angelina Vidal
1847–1917
professora

A outra metade da história
Lutaram pelo voto e pela lei do divórcio, escreveram o que a censura cortava, organizaram-se quando organizar-se era crime, foram presas, julgadas e exiladas — e ficaram, demasiadas vezes, à margem dos livros. Aqui ficam no centro.
60 mulheres, pela ordem em que nasceram — da geração que pediu o voto à que fez a revolução.

1847–1917
professora

1860–1929
escritora e pedagoga (pseudónimo Caiel)

1867–1935
médica obstetra e ginecologista

1869–1948
professora

1871–1955
professora

1871–1966
primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra

1872–1935
escritora, pioneira da literatura infantil

1873–1932
escritora e poetisa
1877–1942
advogada

1878–1911
médica cirurgiã e ginecologista
1879–1964
médica
1881–1948
escritora e conferencista

1881–1938
benemérita

1882–1973
primeira jornalista de reportagem em Portugal
1888–1993
professora primária e educadora de infância
1891–1931
notária, com cartório em Alcântara

1893–1967
primeira advogada portuguesa
1893–1983
jornalista
1895–1987
professora de Matemática
1902–1963
professora
1904–1991
jurista e escritora

1908–1950
atriz
1908–2001
médica obstetra

1915–1998
engenheira civil
1917–2009
ativista feminista e antifascista
1918–2011
engenheira química

1919–2004
poeta
1921–2011
fundadora e dirigente do Movimento Nacional Feminino (pró-regime)
1922–2010
trabalhadora rural e empregada doméstica
1923–1998
professora

1923–1993
poeta

1925–2015
atriz
1926–2010
poeta
1926–2002
poeta
1926–2007
escritora
1928–1970
combatente da Resistência francesa
1928–2023
artista plástica
1929–2018
jurista

1930–2004
engenheira química
1930–1965
secretária de Humberto Delgado

n. 1933
jornalista
1933–2022
trabalhadora rural
1933–2024
trabalhadora da restauração
n. 1936
operária
1937–2021
educadora de infância
1937–2025
poeta
1938–2020
escritora
n. 1939
professora
1939–2016
escritora
n. 1940
médica
n. 1942
militante do movimento liceal
1942–2023
jornalista
1942–2008
feminista
n. 1945
jornalista
n. 1947
militante do movimento associativo dos liceus
n. 1947
arquiteta

n. 1947
estudante de Medicina
n. 1951
estudante de Direito
n. 1952
estudante de Direito
locutora do comunicado do MFA das 14h30 (25 de abril de 1974)

Mulheres · a pé
Costureiras em greve, uma propagandista republicana, uma cadeia de mulheres, um bar e uma poeta — a Graça contada por elas
Do primeiro voto de uma mulher em Portugal às leis que, já em democracia, ainda faltava escrever. Abra cada período.
fevereiro de 1909
Fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas5 de outubro de 1910
Implantação da República em Lisboa26 de outubro de 1910
Assembleia da Liga aprova o caderno reivindicativo feminista27 de outubro de 1910
A Liga pede ao Governo Provisório o divórcio, a revisão do Código Civil e o voto3 de novembro de 1910
Governo Provisório decreta a Lei do Divórcio25 de dezembro de 1910
Leis da Família: casamento civil e igualdade na sociedade conjugal3 de fevereiro de 1911
Delegação de mulheres leva a Teófilo Braga a proposta de voto feminino14 de março de 1911
Primeira lei eleitoral da República não exclui as mulheres1 de abril de 1911
Carolina Beatriz Ângelo pede para ser recenseada28 de abril de 1911
Sentença manda recensear Carolina Beatriz Ângelo12 de maio de 1911
Fundada a Associação de Propaganda Feminista28 de maio de 1911
Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal24–27 de julho de 1911
Petição da Associação de Propaganda Feminista à Constituinte26 de julho de 1911
Constituinte elimina artigo sobre os direitos civis e políticos da mulher3 de outubro de 1911
Morte de Carolina Beatriz Ângelo3–9 de julho de 1912
Socialistas e republicanas pedem o voto ao Senado9 de julho de 1912
Liga entrega petição pelo voto das mulheres no Senado3 de julho de 1913
Código Eleitoral reserva o voto aos homens14 de novembro de 1913
Regina Quintanilha, a primeira mulher a advogar em Portugalagosto de 1915
Greve das costureiras da Ramiro Leão & C.ª20 de março de 1916
Criação da Cruzada das Mulheres Portuguesas1 de agosto de 1917
Morte de Angelina Vidal19 de julho de 1918
Decreto abre a advocacia e outras funções públicas às mulheres4–9 de maio de 1924
I Congresso Feminista e de Educação17 de outubro de 1924
Lisboa dá a uma rua o nome de Angelina Vidal24 de junho de 1928
II Congresso Feminista e de Educação17 de maio de 1930
Maria Lamas organiza a exposição «Mulheres Portuguesas»15 de julho de 1931
Decreto n.º 20 073: voto para as mulheres com curso secundário ou superior11 de abril de 1933
Entra em vigor a Constituição do Estado Novo16 de dezembro de 1934
Eleitas as três primeiras deputadas portuguesas11 de janeiro de 1935
Abre a Assembleia Nacional, com as primeiras três deputadas10 de novembro de 1935
Constituição da Associação Feminina Portuguesa para a Paz11 de abril de 1936
Lei n.º 1941 cria a Mocidade Portuguesa6 de agosto de 1936
«Revolta do Leite» na Madeira; dez presas enviadas para Lisboa1 de julho de 1938
Decreto-Lei impõe que as enfermeiras sejam solteiras ou viúvas7 de maio de 1940
Concordata com a Santa Sé proíbe o divórcio dos casamentos católicosjulho de 1945
Maria Lamas assume a presidência do CNMP8 de outubro de 1945
Fundação do Movimento de Unidade Democrática (MUD)31 de dezembro de 1945
Lei eleitoral exclui do voto as mulheres casadas28 de maio de 1946
Lei n.º 2015 alarga o voto a algumas mulheres casadas13 de dezembro de 1946
Isabel Aboim Inglez presa pela primeira vez pela PIDE4–12 de janeiro de 1947
Exposição de Livros Escritos por Mulheres28 de junho de 1947
A polícia fecha o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesasmaio de 1948 a abril de 1950
Publicação de As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas28 de janeiro de 1949
Sessão da Comissão Feminina da candidatura de Norton de Matos28 de janeiro de 1949
Comício de Norton de Matos na Voz do Operário25 de março de 1949
PIDE prende Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira14 de outubro de 1949 a 14 de janeiro de 1950
Prisão de Cesina Bermudes, dirigente do Movimento Nacional Democrático Feminino7–24 de dezembro de 1949
Prisão de Maria Lamas e de membros do Movimento Nacional Democrático19 de junho de 1950
Requerimento a Salazar contra os maus-tratos aos presos18 de julho de 1950
Maria Lamas presa pela segunda vez21 de março de 1952
Dissolução da Associação Feminina Portuguesa para a Paz8 de março de 1953
Reunião clandestina de mulheres em Lisboa no Dia Internacional da Mulher20 de dezembro de 1953
Maria Lamas presa no aeroporto19 de maio de 1954
Catarina Eufémia morta pela GNR em Baleizãojunho de 1958
Grande greve do Couço e a luta das mulheres do Couço15 de outubro de 1959
Prisão de Maria Alda Nogueira na Avenida da Liberdade28 de abril de 1961
Fundação do Movimento Nacional Feminino (pró-regime)10 de novembro de 1961
Operação Vagô: desvio de avião e panfletos sobre Lisboa15 de dezembro de 1961
Albina Fernandes presa com os filhos pequenos15 de fevereiro de 1962
Prisão de Stella Piteira Santos8 de março de 1962
Mulheres manifestam-se no Porto contra a guerra e a repressão26 de março de 1962
Declaração do luto académico27 de abril de 1962
Prisão das Mulheres do Couço15 de maio de 1962
Escritores da SPE solidarizam-se com os estudantesjunho de 1962 a 3 de dezembro de 1969
Exílio de Maria Lamas em Paris18 de março de 1963
Fim da proibição do casamento das enfermeirasjulho de 1964
Prisão de Maria Lourença Cabecinha13 de fevereiro de 1965
PIDE assassina Humberto Delgado e Arajaryr Campos21 de abril de 1965
Prisão e tortura de Conceição Matosjunho de 1967
Prisão de Helena Pato26 de dezembro de 1968
Lei iguala pela primeira vez os requisitos de voto de mulheres e homens31 de dezembro de 1968 a 1 de janeiro de 1969
Vigília pela paz na Igreja de São Domingos8 de março de 1969
Mulheres reúnem-se na Serra de Sintra no Dia da Mulher3 de junho de 1969 a 21 de março de 1970
Natália Correia julgada no Tribunal Plenário pela Antologia25 de outubro de 1969
Mulher casada deixa de precisar de autorização do marido para o passaporte4–15 de dezembro de 1969
Greve das operárias da Penteadora, em Unhais da Serrajaneiro de 1970
Prisão de Diana Andringaagosto de 1970
Maria Teresa Lobo, primeira mulher num governo português2 de outubro de 1970
Suicídio de Albina Fernandesfevereiro de 1971 a março de 1971
Julgamento de Diana Andringa no Tribunal Plenário7 de novembro de 1971
Primeira ação armada das Brigadas Revolucionáriasabril de 1972
Publicadas as «Novas Cartas Portuguesas»30–31 de dezembro de 1972
Vigília da Capela do Rato contra a guerra colonial3 de maio de 1973
Prisão de Aurora Rodriguesoutubro de 1973
Prisão e tortura de Maria José Morgado25 de outubro de 1973
Começa o julgamento das Três Marias, à porta fechada24 de novembro de 1973
Processo da DGS contra o grupo anticolonial e as Brigadas Revolucionárias6 de dezembro de 1973 a 26 de abril de 1974
Prisão de Maria da Conceição Moita1 de março de 1974
Maria Lamas testemunha de defesa no processo das Três Marias25 de abril de 1974
Celeste Caeiro e os cravos25 de abril de 1974
Uma voz de mulher lê o comunicado do cerco ao Carmo26–27 de abril de 1974
Tomada de Caxias e libertação dos presos políticos7 de maio de 1974
As «Três Marias» são absolvidas7 de maio de 1974
Nasce o Movimento de Libertação das Mulheres (MLM)12 de junho de 1974
Decreto-Lei n.º 251/74 abre às mulheres a magistratura6 de julho de 1974
Decreto-Lei n.º 308/74: as mulheres entram na carreira diplomática18 de julho de 1974
Maria de Lourdes Pintasilgo, Ministra dos Assuntos Sociais15 de novembro de 1974
Lei eleitoral consagra o sufrágio universal aos 18 anos13 de janeiro de 1975
Manifestação feminista do MLM atacada no Parque Eduardo VII1 de fevereiro de 1975
Criada a Comissão da Condição Feminina15 de fevereiro de 1975
Protocolo Adicional à Concordata abre caminho ao divórcio dos casamentos católicos8 de março de 1975
Primeiro Dia Internacional da Mulher celebrado em liberdade25 de abril de 1975
Primeiras eleições livres e por sufrágio universal25 de abril de 1975
Eleição da Assembleia Constituinte: 20 deputadas27 de maio de 1975
Decreto-Lei n.º 261/75 permite o divórcio dos casados pela Igreja27 de maio de 1975
Nova lei do divórcio2 de junho de 1975
Sessão inaugural da Assembleia Constituinte12 de outubro de 1975
2.º Encontro Nacional do MDM no Liceu D. Filipa de Lencastre4 de fevereiro de 1976
RTP emite «O Aborto não é um Crime», de Maria Antónia Palla2 de abril de 1976
Assembleia Constituinte aprova a Constituição da Repúblicanovembro de 1977
Revisão do Código Civil acaba com o «chefe de família»17 de novembro de 1977
Decreto-Lei n.º 485/77 institucionaliza a Comissão da Condição Feminina25 de novembro de 1977
Decreto-Lei n.º 496/77: reforma do Código Civil1 de agosto de 1979
Maria de Lourdes Pintasilgo, primeira mulher primeira-ministra20 de setembro de 1979
Decreto-Lei n.º 392/79: igualdade no trabalho e no emprego26 de julho de 1980
Portugal ratifica a Convenção CEDAW sem reservas2 de março de 1982
Primeiro debate parlamentar sobre o aborto e o poema de Natália Correia24 de março de 1984
Lei n.º 3/84 sobre educação sexual e planeamento familiar5 de abril de 1984
Lei n.º 4/84: proteção da maternidade e da paternidade11 de maio de 1984
Lei n.º 6/84 despenaliza a interrupção da gravidez em alguns casos26 de janeiro de 1986
Pintasilgo, primeira mulher candidata à Presidência da República9 de maio de 1991
Comissão da Condição Feminina passa a CIDM24 de março de 1997
Aprovado o primeiro Plano Global para a Igualdade de Oportunidades28 de junho de 1998
Primeiro referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez27 de maio de 2000
A violência doméstica passa a crime público21 de agosto de 2006
Lei da Paridade: mínimo de 33% de cada sexo nas listas11 de fevereiro de 2007
Segundo referendo: o «sim» à despenalização da IVG vence17 de abril de 2007
Lei n.º 16/2007 despenaliza a IVG a pedido da mulher16 de setembro de 2009
Lei n.º 112/2009 define o regime de proteção das vítimas de violência doméstica21 de junho de 2011
Assunção Esteves, primeira mulher Presidente da Assembleia da República21 de janeiro de 2013
Parlamento aprova a Convenção de Istambul1 de agosto de 2017
Lei impõe representação equilibrada nos órgãos das empresas28 de março de 2019
Representação equilibrada no pessoal dirigente da Administração Pública29 de março de 2019
Revisão da Lei da Paridade sobe o limiar para 40%15 de novembro de 2024
Morre Celeste Caeiro, a mulher dos cravos7 de março de 2025
Parlamento evoca 50 anos do voto universal das mulheres
Hoje: Aeroporto Humberto Delgado
Na madrugada de 25 de Abril, o MFA ocupou o aeroporto da Portela e fechou o espaço aéreo. Daqui partiram Caetano e Tomás para o Funchal, e aqui chegaram do exílio, a 30 de abril, Álvaro Cunhal e Conceição Matos, no «avião da Liberdade».

Hoje: Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário
Nasceu em 1879 como jornal dos operários tabaqueiros e tornou-se a maior escola popular de Lisboa. Em 1949, a oposição fez aqui comícios pela candidatura de Norton de Matos, com Maria Lamas, Isabel Aboim Inglez e Cesina Bermudes.

Hoje: Bar Botequim (reaberto em 2010 por novos proprietários)
O bar que Natália Correia abriu em 1971 no Largo da Graça, com três amigas, e para onde passou a tertúlia que reunia em casa — onde se discutia, nas palavras de um roteiro da Universidade Nova, «em liberdade literatura, política e feminismo».

Hoje: O antigo Convento de Santa Mónica
Convento do século XVI feito cadeia de mulheres. Era sobretudo uma prisão de delito comum, mas recebeu presas políticas — e serviu de castigo a mulheres da oposição, como Isabel Aboim Inglez, mandada para aqui pelo Tribunal Plenário.

Hoje: Museu do Aljube – Resistência e Liberdade
Ao lado da Sé, foi cadeia política de 1928 a 1965 — a das celas de isolamento a que os presos chamavam «curros» ou «gavetas». Desde 2015 é o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.

Hoje: Cantina Velha da Universidade de Lisboa
A cantina da Cidade Universitária, aberta em 1961, foi o palco da greve de fome de maio de 1962: 81 estudantes recusaram comer, centenas juntaram-se-lhes, e na madrugada de 11 de maio a polícia cercou-a e prendeu-os um a um.

Hoje: Capela do Rato (Capela de Nossa Senhora da Bonança)
Na passagem de 1972 para 1973, católicos contra a guerra colonial fizeram aqui uma vigília de 48 horas. Foi uma mulher, Maria da Conceição Moita, quem a anunciou ao microfone; a polícia de choque acabou com ela e levou dezenas de pessoas.
Na casa onde vivia a poeta são-tomense Alda do Espírito Santo instalou-se em 1951 o Centro de Estudos Africanos: Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Francisco José Tenreiro e outros reuniam-se aqui para «conhecer a África», longe dos olhos da PIDE.

Aqui morava, em 1909, a médica Carolina Beatriz Ângelo, com o marido, o médico republicano Januário Barreto. Daqui saiu o funeral dele, em 1910; a viuvez fez dela «chefe de família», a condição com que, em 1911, foi a primeira mulher a votar em Portugal.

Natália Correia viveu no 5.º andar do n.º 52 de 1953 até morrer, em 1993. Nos anos 1950 e 1960 a casa foi lugar das suas tertúlias e, em 1955, de uma estreia teatral à porta fechada: a tradução dela de «Huis-Clos», de Sartre.

Sophia de Mello Breyner Andresen viveu no 1.º andar do n.º 57 de 1951 até morrer, em 2004. Uma casa de portas abertas à oposição, com um lado virado para o rio e outro para a travessa da cadeia de mulheres das Mónicas.

Hoje: Edifício de serviços e habitação
Criada pelo regime em 1944 para cultivar a «unidade imperial» entre os estudantes vindos das colónias, tornou-se escola de oposição e de anticolonialismo: por aqui passaram Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. A PIDE fechou-a em 1965.

Hoje: Uma pequena vivenda térrea
Nesta casa térrea da Rua de São Gens viveu Angelina Vidal, professora, jornalista e propagandista republicana e socialista, que defendeu as operárias e a educação das mulheres. Morreu aqui, «quase na miséria», a 1 de agosto de 1917.
Neste centro republicano da Calçada de Arroios, ainda na monarquia, Maria Veleda criou cursos noturnos gratuitos para ensinar mulheres a ler e a escrever; em 1907, o Grupo Português de Estudos Feministas dava aqui aulas a mulheres analfabetas.

Hoje: Cidade Universitária – Universidade de Lisboa
Aqui começou a crise académica de 1962: proibido o Dia do Estudante, a 24 de março, a polícia de choque carregou sobre os estudantes. Nos plenários que se seguiram, Isabel do Carmo foi a primeira mulher a tomar a palavra.

Aqui funcionava, a 28 de maio de 1911, a assembleia de voto de São Jorge de Arroios. Foi nela que a médica Carolina Beatriz Ângelo, inscrita por ordem de um juiz, se tornou a primeira mulher a votar em Portugal.

Hoje: Praça dos Restauradores, 13
No consultório de Adelaide Cabete, nesta praça, nasceu em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — «a mais importante e duradoura associação feminista portuguesa da primeira metade do século XX». Teve aqui a sede durante 32 anos.

Hoje: Um prédio com uma loja no rés-do-chão
Um anúncio de 1909 situa aqui, no n.º 84 da Rua Nova do Almada, o consultório de Carolina Beatriz Ângelo, ginecologista e primeira cirurgiã portuguesa — dois anos antes de ela se tornar a primeira mulher a votar em Portugal.
Hoje: Cooperativa, bar e espaço cultural
Cooperativa de pão fundada em 1904 num bairro operário, casa da Universidade Popular de Bento de Jesus Caraça até 1946. Segundo o próprio Movimento Democrático de Mulheres, foi numa assembleia aqui que o MDM nasceu, em 1968.

Hoje: Edifício Franjinhas
Aqui funcionava o Sir, o restaurante onde Celeste Caeiro trabalhava. Fazia um ano a 25 de abril de 1974: não abriu, e os cravos comprados para a festa foram dados às empregadas — os cravos que Celeste levou para a Baixa.

Hoje: Estação ferroviária de Santa Apolónia
A estação dos regressos. Em 1958, uma multidão esperou aqui Humberto Delgado, e a GNR carregou sobre ela. A 28 de abril de 1974, chegaram do exílio Mário Soares e Maria Barroso, recebidos em festa.

Hoje: Museu Nacional Resistência e Liberdade
Na Fortaleza de Peniche, prisão política de alta segurança, cumpriam-se as penas dos tribunais plenários. Dela fugiram dez dirigentes comunistas, Álvaro Cunhal entre eles, a 3 de janeiro de 1960. É hoje o Museu Nacional Resistência e Liberdade.

Hoje: Estabelecimento Prisional de Caxias
A prisão política da região de Lisboa: o Reduto Sul para homens a partir de 1935, o Reduto Norte para mulheres a partir de 1938. Daqui fugiram oito presos no carro blindado de Salazar, em 1961, e daqui saíram os últimos presos políticos, na madrugada de 27 de abril de 1974.

Hoje: Hospital de São José
Foi neste hospital que Carolina Beatriz Ângelo se tornou a primeira médica portuguesa a operar. Na noite de 25 de Abril de 1974, recebeu os feridos dos disparos da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso; o estudante João Arruda morreu aqui.

Hoje: Igreja de São Domingos
Na passagem de 1968 para 1969, mais de cem católicos ficaram aqui em vigília contra a guerra colonial. Para essa noite, Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu a «Cantata da Paz»: «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar».

Hoje: Instituto Superior Técnico – Universidade de Lisboa
O campus de Pardal Monteiro foi palco de plenários decisivos do movimento estudantil: aqui se suspendeu o luto de 1962, aqui a PIDE invadiu a associação de estudantes em 1968, e aqui se decidiu, em 1972, ir em massa ao funeral de Ribeiro Santos.

Hoje: Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho
O primeiro liceu feminino do país, criado em 1906 como Liceu Maria Pia, e desde 1933 o primeiro instalado num edifício feito de raiz para raparigas. Aqui foram reitoras Domitila de Carvalho e Maria Guardiola, duas das três primeiras deputadas portuguesas.

Hoje: Palácio Lançada, Rua de O Século
Aqui funcionou o jornal O Século, onde Maria Lamas dirigiu «Modas e Bordados» até 1947 e onde, em 1930, organizou a exposição «Mulheres Portuguesas». Foi aqui também que trabalhou Virgínia Quaresma, uma das primeiras repórteres portuguesas.

Hoje: Clínica de São Cristóvão, da Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa
Palácio da Mouraria que pertence desde 1913 à Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa. No salão nobre da associação fez-se, em maio de 1924, o I Congresso Feminista e de Educação, o primeiro do país.

Hoje: Palácio de Belém – Presidência da República
Aqui tomou posse, em 1970, a primeira mulher a fazer parte de um governo em Portugal. Em setembro de 1974, o palácio foi palco das reuniões tensas que levaram à renúncia de Spínola; a 25 de novembro de 1975, do posto de comando do Presidente Costa Gomes.

Hoje: Assembleia da República
O parlamento onde, em 1911, se recusou o voto às mulheres e onde, em 1975–76, vinte e sete deputadas ajudaram a escrever a Constituição que proíbe discriminar em razão do sexo. Sophia de Mello Breyner Andresen presidiu aqui à comissão do preâmbulo.

Hoje: Parque Eduardo VII
Aqui, a 13 de janeiro de 1975, o Movimento de Libertação das Mulheres quis queimar os símbolos da opressão das mulheres. Cerca de dois mil homens desfizeram a manifestação aos gritos. A fogueira nunca se fez — e a «queima de soutiens» é uma lenda.

No n.º 3 da Rua do Norte, na esquina com a Praça de Luís de Camões, ficava a redação de «A Capital», diário republicano da noite. Virgínia Quaresma, a primeira mulher jornalista em Portugal, escreveu nele e morou mesmo em frente; em 1911, o jornal contou a luta de Carolina Beatriz Ângelo pelo voto.

O antigo Caminho do Forno do Tijolo recebeu em 1924 o nome de Angelina Vidal, propagandista republicana, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social». Ela não viveu aqui: morreu em 1917 na vizinha Rua de São Gens.

Hoje: Rua do Carmo
Por esta rua subiu a coluna de Salgueiro Maia, do Rossio para o Largo do Carmo. Foi aqui, no princípio da rua, que Celeste Caeiro deu um cravo a um soldado que lhe pedia um cigarro — e o cravo tornou-se o símbolo da revolução.
Hoje: Rua Adelaide Cabete, Rua Ana de Castro Osório e Rua Maria Veleda
A primeira urbanização de Lisboa com nomes só de mulheres: em 1976, as ruas novas da Quinta dos Condes de Carnide receberam os nomes de Maria Veleda, Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Guiomar Torresão; em 1978 vieram mais quatro, entre elas Manuela Porto.
Hoje: Rua Carolina Ângelo, Rua Virgínia Quaresma, Rua Aurora de Castro, Rua Alice Pestana, Rua Olga Morais Sarmento e outras
Em 1988, as ruas numeradas do Bairro de Caselas receberam nomes, muitos de mulheres pioneiras: Carolina Ângelo, a primeira a votar; Virgínia Quaresma, a primeira jornalista; Aurora de Castro, a primeira notária; as escritoras Alice Pestana e Olga Morais Sarmento; a pintora Sara Afonso.

Aqui tinha sede, em 1915, o sindicato das Costureiras e Ajuntadeiras. Foi para aqui que Adelaide Abrantes chamou as operárias da Ramiro Leão & C.ª, que fizeram greve contra o despedimento de três colegas e foram dispersas pela GNR.
Sede da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, que de 1935 a 1952 juntou mulheres pela paz e pelos seus direitos — de Maria Lamas, sua presidente, a Stella Piteira Santos, Isabel Aboim Inglez e Maria Alda Nogueira. O ministro do Interior dissolveu-a em 1952.

No 2.º andar do n.º 6 desta rua fundou-se em 1909 a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, de Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete e Maria Veleda — a primeira associação a juntar a defesa do feminismo e da República.

Hoje: Condomínio residencial
No Chiado, a sede da polícia política: os arquivos, os informadores e, no terceiro piso, os interrogatórios e a tortura. No 25 de Abril, os agentes dispararam daqui sobre a multidão e mataram quatro pessoas.

Hoje: Sociedade Nacional de Belas-Artes
Em janeiro de 1947, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, juntou aqui três mil livros de quatrocentas autoras de trinta países. Foi um êxito — e o pretexto para o regime fechar o Conselho meses depois.

No primeiro andar do n.º 20 desta rua ficava a Sociedade Portuguesa de Escritores. Em maio de 1965, por ter premiado «Luuanda», de Luandino Vieira, preso no Tarrafal, foi extinta pelo Governo, e a sede assaltada e destruída na mesma noite.

Hoje: Antigo tribunal, fechado desde 2009
Convento feito tribunal em 1843. Aqui reunia o Tribunal Plenário, que julgava os presos políticos — e aqui foram julgadas Maria Alda Nogueira, Natália Correia e as «Três Marias», absolvidas já depois do 25 de Abril.

Em 1946, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidido por Maria Lamas, mudou a sede para esta travessa das Amoreiras. A 28 de junho de 1947, a polícia fechou-a «sem aviso prévio», pondo fim a 33 anos de associação.