Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães (Elina Guimarães da Palma Carlos)
Repressãojurista e escritoradirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesasdiretora de «Alma Feminina» (1929–1930)precursora do «feminismo jurídico»oposicionista (MUD)
Nasceu
8 de agosto de 1904, Lisboa
Morreu
24 de junho de 1991, Lisboa
Jurista e feminista, dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o Estado Novo o fechar, em 1947. Precursora do «feminismo jurídico», defendeu o voto das mulheres, a coeducação e os direitos da mulher trabalhadora, e esteve na oposição democrática.
Nasceu em Lisboa em 1904, filha de Vitorino Guimarães, oficial do Exército, professor e ministro da I República.1 Afonso Costa chamou-lhe «mulher do futuro».4 Ainda estudante, contestou na revista «Vida Académica» o que Júlio Dantas escrevera sobre as mulheres; licenciou-se em Direito em Lisboa em 1926, com 18 valores.1 Em 1928 casou com Adelino da Palma Carlos, colega desde o liceu,3 que em 1974 chefiaria o primeiro governo depois do 25 de Abril.5
Convidada por Adelaide Cabete, entrou para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas,4 onde foi secretária-geral (1927), vice-presidente da direção (1928, 1929 e 1931), responsável pelas secções jurídica e do sufrágio e diretora da revista «Alma Feminina» (1929–1930).1 Precursora do «feminismo jurídico», definia-o como a corrente que «impõe e preconiza a igualdade dos sexos perante a lei».1 No II Congresso Feminista e de Educação, em 1928, defendeu na tese «Protecção à mulher trabalhadora» que a mulher recebesse parte do salário no repouso obrigatório antes e depois do parto, e que a gravidez não pudesse justificar o fim de um contrato de trabalho.2 Presidiu também à comissão executiva da subscrição nacional aberta pelo jornal O Rebate a favor das famílias dos presos, deportados e emigrados políticos.3
Em 1931 esteve entre os que protestaram junto do ministro da Instrução Pública contra o fim da coeducação no ensino primário.4 Escreveu na imprensa sobre os direitos das mulheres, tanto quanto a censura o permitia, e publicou «O Poder Maternal» (1933) e «A Lei em que Vivemos» (1937), sobre o direito na vida das mulheres.1 Em 1946 foi eleita vice-presidente da assembleia geral do Conselho, e estava no cargo quando o Estado Novo o encerrou, em 1947, na sede das Amoreiras.15
Na oposição, filiou-se no MUD em 1945, esteve no Congresso Republicano de Aveiro, em 1969, e no Congresso da Oposição Democrática, em 1973, de cuja comissão nacional fez parte. Depois do 25 de Abril presidiu à Liga de Direitos Cívicos da Mulher.1 Em 1985, no encerramento da Década Internacional da Mulher, o Presidente Ramalho Eanes fê-la oficial da Ordem da Liberdade.15 Morreu em Lisboa a 24 de junho de 1991; em novembro desse ano, a Câmara deu o seu nome a uma rua de Santa Clara.1
Médica republicana que só começou a estudar depois de casar, fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidiu-lhe mais de vinte anos e fez do seu consultório nos Restauradores a sede.
Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Benemérita e feminista, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas em 1928 e apresentou teses nos dois Congressos Feministas e de Educação, sobre a assistência às delinquentes e a ação moral do trabalho.
Professora primária e educadora de infância, ensinou na Escola-Oficina n.º 1, na Graça, uma escola de influência libertária; esteve na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, em 1924, e na direção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.
Professora e jornalista republicana, militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e na maçonaria e dirigiu as publicações do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: o «Boletim Oficial», desde 1914, e a revista «Alma Feminina», desde 1917.
Notas sobre as fontes3
O nome completo: «Elina Júlia Pereira Guimarães da Palma Carlos» (Toponímia de Lisboa, Wikipédia) ou «Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães» (CIG).
O ano do artigo contra Júlio Dantas na «Vida Académica»: 1922 (Toponímia de Lisboa) ou 1925 (Wikipédia).
Quando entrou para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: aos 20 anos, por volta de 1924 (Toponímia de Lisboa), ou em 1925 (Silêncios e Memórias; a CIG dá 1925 como o ano em que aderiu ao movimento feminista).