A estação dos regressos. Em 1958, uma multidão esperou aqui Humberto Delgado, e a GNR carregou sobre ela. A 28 de abril de 1974, chegaram do exílio Mário Soares e Maria Barroso, recebidos em festa.
Hoje: Estação ferroviária de Santa ApolóniaHá uma marca no localNum percurso
Em maio de 1958, depois de uma multidão o receber no Porto, Humberto Delgado regressou a Lisboa de comboio. Esperava-o gente de Santa Apolónia ao Terreiro do Paço, mantida à distância pela cavalaria da GNR. A PIDE desviou a caravana do general para a zona oriental da cidade, e a Guarda perseguiu e espancou os seus apoiantes pelo Terreiro do Paço, pelo Rossio, pelos Restauradores e pelas ruas da Baixa.1 Cinquenta anos depois, a Câmara descerrou na estação uma lápide com a efígie do general.2
No 25 de Abril de 1974, Mário Soares estava em Bona.10 Três dias depois, a 28 de abril, chegou aqui de comboio, com Maria Barroso, também fundadora do Partido Socialista.39 Esperava-os uma multidão; de uma varanda da estação, Soares falou à rua de altifalante na mão, e seguiu depois para o Palácio da Cova da Moura, ao encontro do general Spínola.9 As fotografias da Casa Comum mostram na varanda, com eles, Ramos da Costa e Manuel Tito de Morais.4
Dois dias depois chegou Álvaro Cunhal, ao aeroporto; a 30 de abril, a Junta de Salvação Nacional autorizou o regresso de todos os exilados.3
Fernanda Gonçalves conta como soube da revolução em Aveiro, chegou no dia seguinte a Santa Apolónia num comboio cheio de amigos e seguiu para Caxias, onde milhares de pessoas esperavam a saída dos presos políticos. Lembra o corredor que a multidão mantinha aberto para as negociações com a PIDE, lá dentro.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Câmara Municipal de Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Aqui repousam, desde 1990, os restos mortais de Humberto Delgado, o «General sem Medo», assassinado pela PIDE em 1965 com a secretária, Arajaryr Campos; e, desde 2014, os da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen.
Hoje: Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário
Nasceu em 1879 como jornal dos operários tabaqueiros e tornou-se a maior escola popular de Lisboa. Em 1949, a oposição fez aqui comícios pela candidatura de Norton de Matos, com Maria Lamas, Isabel Aboim Inglez e Cesina Bermudes.
Convento do século XVI feito cadeia de mulheres. Era sobretudo uma prisão de delito comum, mas recebeu presas políticas — e serviu de castigo a mulheres da oposição, como Isabel Aboim Inglez, mandada para aqui pelo Tribunal Plenário.
Sophia de Mello Breyner Andresen viveu no 1.º andar do n.º 57 de 1951 até morrer, em 2004. Uma casa de portas abertas à oposição, com um lado virado para o rio e outro para a travessa da cadeia de mulheres das Mónicas.
Cultura e censuraOposiçãoMulheres
Notas sobre as fontes3
O dia da chegada de Delgado: 16 de maio de 1958 (Jornal de Notícias, 2008; a lápide) ou 15 de maio («no dia seguinte» ao comício do Porto, segundo o Museu do Aljube).
O dia da chegada de Soares: 28 de abril de 1974 (a maioria das fotografias da Casa Comum) ou 27 de abril (outra fotografia; um blogue).