
Crédito da imagem: Koshelyev · CC BY-SA 3.0
Percurso · Repressão · a pé
O Estado Novo, explicado
Como uma ditadura durou 48 anos: o chefe, a fachada, o partido único, a família, o trabalho e a propaganda — de São Bento aos Restauradores
- Distância
- 4,6 km
- Duração
- 2 h 20 min
- Paragens
- 9
- Dificuldade
- Média
O percurso, as fotografias e o mapa ficam no telemóvel, para abrir em qualquer lado.
Introdução
Durante 48 anos, de 1926 a 1974, Portugal viveu em ditadura: primeiro a dos militares que derrubaram a República no golpe de 28 de Maio de 1926; depois, a partir da Constituição de 1933, o Estado Novo de António de Oliveira Salazar e, nos últimos anos, de Marcelo Caetano. Um regime de partido único, sem eleições livres e sem liberdades, com o poder concentrado no chefe do Governo.12
A polícia política e a censura, que o seguraram pela força, têm o seu percurso: A máquina da repressão. Este mostra o resto do que o fez durar quase meio século — um chefe que decidia quase tudo, um parlamento de fachada, um partido único com o seu jornal, organizações que enquadravam os jovens, as mães e os trabalhadores, leis que mandavam a mulher casada para casa, e a propaganda. Em cada paragem, um desses pilares, num lugar onde ainda se vê, e o que lhe aconteceu depois do 25 de Abril.
As mulheres estão no centro, e dos dois lados: as que o regime chamou para enquadrar as outras — as primeiras deputadas, as dirigentes da Mocidade Portuguesa Feminina e da Obra das Mães — e as que quis calar ou fechar em casa: Maria Lamas e o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, as enfermeiras proibidas de casar, as professoras que precisavam de licença do ministro para o fazer.
Antes de ir
- Partida
- Palacete de São Bento, Rua da Imprensa à Estrela — Elétrico 28 (paragem Calçada da Estrela); Metro Rato (linha amarela), a dez minutos a pé
- Chegada
- Palácio Foz, Praça dos Restauradores — Metro Restauradores (linha azul); comboio no Rossio
- Acessibilidade do caminho
- Do Palacete de São Bento desce-se ao Palácio de São Bento e logo se sobe para a Rua de O Século. Daí à Rua da Misericórdia o caminho é quase plano; depois desce-se ao Largo do Carmo e, pela Rua do Carmo, íngreme e em calçada, ao Rossio — há também o Elevador de Santa Justa, entre o Carmo e a Baixa. Do Largo de São Domingos sobe-se a Calçada de Santana, muito inclinada, até à antiga sede da FNAT e ao Hospital de São José. Para voltar aos Restauradores, a Calçada do Lavra tem escadas (124 degraus, segundo o OpenStreetMap); quem as quer evitar tem o Elevador do Lavra, da Rua Câmara Pestana ao Largo da Anunciada, ao lado dos Restauradores.
Este percurso em datas
28 maio 1926
27 abr. 1928
8 jul. 1930
4 abr. 1931
Mais 34 datas
5 jul. 1932
11 abr. 1933
23 set. 1933
25 set. 1933
18 jan. 1934
16 dez. 1934
11 jan. 1935
13 jun. 1935
11 abr. 1936
15 ago. 1936
24 nov. 1936
4 jul. 1937
1 jul. 1938
7 maio 1940
28 maio 1946
4 jan. 1947
28 jun. 1947
maio 1948
21 mar. 1952
18 mar. 1963
25 nov. 1966
27 set. 1968
26 dez. 1968
25 out. 1969
24 nov. 1969
27 dez. 1969
27 jul. 1970
ago. 1970
25 abr. 1974
- A Assembleia Nacional reúne pela última vez, sem quórumParagem 2 · A fachada
- Silva Pais avisa Caetano: «a Revolução está na rua»Paragem 5 · 1968–1974 — Caetano, até ao fim
- Spínola no Carmo; Caetano sai na chaimite «Bula»Paragem 5 · 1968–1974 — Caetano, até ao fim
- Decreto-Lei n.º 171/74 extingue a DGS, a Legião e a Mocidade PortuguesaParagem 6 · Deus, Pátria, Família
26 abr. 1974
1 maio 1974
28 maio 1974
27 ago. 1974
nov. 1977
Mapa do percurso «O Estado Novo, explicado», com 9 paragens numeradas. A lista das paragens está a seguir ao mapa.
As paragens
Paragem 1: O chefe
Rua da Imprensa à Estrela, 1200-684 Lisboa (nas traseiras do Palácio de São Bento)
Hoje: Residência oficial do primeiro-ministro

O Palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, visto da rua, por trás do muro. Koshelyev, CC BY-SA 3.0 António de Oliveira Salazar, professor de Economia e Finanças em Coimbra, foi chamado pelos militares para pôr em ordem as contas públicas: tomou posse como ministro das Finanças a 27 de abril de 1928, com fama de «mago das finanças», e no discurso de posse disse que sabia muito bem o que queria e para onde ia.34 A 5 de julho de 1932 chegou a presidente do Conselho, o chefe do Governo, e assim ficou 36 anos.45 Concebeu, com um pequeno grupo de colaboradores, a Constituição de 1933, que lhe dava o poder: os ministros respondiam perante o presidente do Conselho, e este só perante o Presidente da República; a Assembleia não tinha qualquer poder sobre o Governo.2
Em 1937, o ano em que Salazar escapou a uma bomba na Avenida Barbosa du Bocage, o Estado expropriou este palacete, nas traseiras do Parlamento, para residência oficial do presidente do Conselho.67 Salazar mudou-se em maio de 1938. Nas obras, o arquiteto Cristino da Silva desenhou uma escadaria monumental que liga o parque da residência ao Parlamento, para facilitar a comunicação entre os dois edifícios.7
Em 1968, uma queda de uma cadeira deixou-o incapaz de governar, e Marcelo Caetano substituiu-o. Salazar continuou a viver aqui até julho de 1970, o mês em que morreu — «sem chegar a desconfiar que já não era Presidente do Conselho», escreveu o Diário de Notícias.578 Depois do 25 de Abril, o palacete continuou a ser a residência oficial dos chefes de Governo — em 1979–1980, a da primeira mulher a chefiar um, Maria de Lourdes Pintasilgo, que no entanto não viveu aqui.79
- 27 abr. 1928Salazar toma posse como ministro das Finanças
- 5 jul. 1932Salazar assume a Presidência do Conselho de Ministros
- 4 jul. 1937Atentado à bomba contra Salazar na Avenida Barbosa du Bocage
- 27 set. 1968Marcelo Caetano sucede a Salazar na chefia do Governo
- 27 jul. 1970Morre Salazar
Até à paragem 2470 m · 5 min a péCaminho
Paragem 2: A fachada
Palácio de São Bento, Largo das Cortes, Lisboa
Hoje: Assembleia da República

O Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, em junho de 2014. Albarubescens, CC BY-SA 4.0 Logo a seguir ao golpe de 28 de Maio de 1926, uma força militar comandada pelo tenente Vilhena fechou este Parlamento.4 Só voltou a reunir em janeiro de 1935, como Assembleia Nacional do Estado Novo. A Constituição de 1933 foi plebiscitada a 19 de março: as abstenções e os votos em branco contaram como «sim», e o «não» tinha de ser escrito no boletim.2 Incorporou o Acto Colonial de 1930, para o qual era «da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos».10 O império tem o seu percurso, Do Padrão ao cais.
A Assembleia Nacional tinha uma só câmara e pouco poder. Todos os deputados vinham da lista da União Nacional, o partido único, e as leis fazia-as, na prática, o Governo, por decreto-lei: em 1945, um parecer da Câmara Corporativa — o órgão de consulta onde pesavam os interesses económicos e locais — reconheceu que «o Governo é órgão legislativo normal e a Assembleia órgão legislativo excepcional».2 A Assembleia Nacional reuniu pela última vez na manhã de 25 de abril de 1974, sem quórum. Um ano depois, sentava-se aqui a Assembleia Constituinte, eleita em liberdade — é o fim do percurso Os dias da liberdade.2
Foi este parlamento de fachada que recebeu as primeiras mulheres. Na eleição de 1934, só puderam votar as que tinham um curso especial, secundário ou superior; aos homens bastava, em regra, saber ler e escrever.211 Em janeiro de 1935 sentaram-se aqui as três primeiras deputadas, Domitila de Carvalho, Maria Cândida Parreira e Maria Guardiola, todas com curso superior; as deputadas do regime ficaram sobretudo nas comissões de trabalho, assistência e educação, assuntos que se julgavam «mais ligados aos interesses da mulher».12 Em 1946, a deputada Maria Luísa van Zeller apoiou o voto das mulheres casadas, mas sem a «absoluta igualdade» com o homem, que contrariaria «o espírito da política de regresso da mulher ao lar».13
O que se vê hoje
Bustos de duas deputadas: Maria Alda Nogueira, no claustro (CIG; escultor António Trindade, segundo a Wikipédia), e Natália Correia (segundo a Wikipédia, as duas únicas deputadas com busto na Assembleia).
- 28 maio 1926Golpe militar de 28 de Maio põe fim à I República
- 11 abr. 1933Entra em vigor a Constituição do Estado Novo
- 8 jul. 1930Salazar faz promulgar o Acto Colonial
- 16 dez. 1934Eleitas as três primeiras deputadas portuguesas
- 11 jan. 1935Abre a Assembleia Nacional, com as primeiras três deputadas
- 28 maio 1946Lei n.º 2015 alarga o voto a algumas mulheres casadas
- 25 abr. 1974A Assembleia Nacional reúne pela última vez, sem quórum
Peça curta da série «Cápsula do Tempo», do Parlamento, dedicada às mulheres na Assembleia Constituinte de 1975–1976.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Assembleia da República
Assembleia da República, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Até à paragem 3860 m · 15 min a péCaminho
Paragem 3: Duas ideias de mulher
Rua de O Século, 63, 1200-433 Lisboa
Hoje: Palácio Lançada, Rua de O Século

A Rua de O Século, onde funcionou a redação do jornal, em dezembro de 2019. Sergei Gussev, CC BY 2.0 Para o regime, o lugar da mulher era a casa. Em 1936 deu estatutos à Obra das Mães pela Educação Nacional, para «orientar as mãis portuguesas» na criação dos filhos e «defender os bons costumes, designadamente no que respeita ao vestuário, à leitura e aos divertimentos».14 Difundia o papel que o Estado Novo lhes destinava: mães zelosas da família e das tarefas domésticas, esposas obedientes ao marido, o «chefe» da família.15
Outra ideia de mulher tinha Maria Lamas, que dirigia «Modas & Bordados», o suplemento de O Século. Em 1947, presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, organizou uma exposição de livros escritos por mulheres de trinta países; o regime não gostou, e ela foi obrigada a escolher entre a revista e o Conselho. Escolheu o Conselho, que a polícia fechou em junho.1617 Em 1952 foi dissolvida a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, a que Lamas também presidira.1819
Depois do fecho do Conselho, Maria Lamas percorreu o país durante dois anos e publicou, em fascículos, para contornar a censura, «As Mulheres do Meu País» (1948–1950): uma grande reportagem sobre a vida e o trabalho das camponesas, das mulheres do mar, das operárias, das domésticas e das empregadas.20
- 15 ago. 1936Aprovados os estatutos da Obra das Mães pela Educação Nacional
- 4 jan. 1947Exposição de Livros Escritos por Mulheres
- 28 jun. 1947A polícia fecha o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas
- 21 mar. 1952Dissolução da Associação Feminina Portuguesa para a Paz
- maio 1948Publicação de As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas
Até à paragem 4650 m · 10 min a péCaminho
Paragem 4: O partido único e o seu jornal
Rua da Misericórdia, 95, 1200-271 Lisboa
Hoje: Associação 25 de Abril
Aqui se fez, de 1931 a 1971, o «Diário da Manhã». No primeiro editorial dizia-se «jornal republicano», mas era o órgão oficioso e de doutrinação da União Nacional, o partido único, e foi-se tornando um jornal de culto a Salazar.21 O regime era «anti-partidário, anti-liberal e anti-parlamentar»: os partidos da oposição foram ilegalizados, e só a União Nacional apresentava candidatos.2
Até 1945 nunca houve outra lista. Nas eleições de 1942, por exemplo, os boletins de voto chegaram a casa pelo correio ou pela mão da polícia e da própria União Nacional, as assembleias de voto abriram das 9 às 14 horas, e o eleitor só podia riscar nomes, sem os substituir; a fraude servia sobretudo para inflacionar o número de votantes.22 Em frente ficava o República, jornal da oposição; e, a partir de 1969, mais acima na mesma rua, no n.º 125, a censura, que cortava a lápis azul o que os jornais podiam dizer — a história está no percurso A máquina da repressão.2324
Com Marcelo Caetano, a União Nacional passou a chamar-se Ação Nacional Popular, e em 1971 o «Diário da Manhã» deu lugar ao «Época».221 A 26 de abril de 1974, a população destruiu as sedes do «Época», da Ação Nacional Popular e da censura.25 Desde 2001, este prédio é a sede da Associação 25 de Abril, que junta a grande maioria dos militares que fizeram a revolução.26
- 4 abr. 1931Primeiro número do «Diário da Manhã», jornal da União Nacional
- 26 abr. 1974Assalto popular à sede da censura
Até à paragem 5320 m · 5 min a péCaminho
Paragem 5: 1968–1974 — Caetano, até ao fim
Largo do Carmo, Lisboa
Hoje: Comando-Geral da GNR e Museu da Guarda Nacional Republicana

O Quartel do Carmo, comando-geral da GNR, no Largo do Carmo, em 2017. Marcin Latka, CC BY-SA 2.0 Quando substituiu Salazar, em setembro de 1968, Marcelo Caetano — que nos anos 40 fora comissário nacional da Mocidade Portuguesa — trouxe uma «tímida abertura».2728 Algumas mudanças tocaram a vida das mulheres: em 1968, a lei passou a pedir a homens e mulheres o mesmo para votar — saber ler e escrever, quando, no início dos anos 70, uma em cada três mulheres não sabia; em 1969, a mulher casada deixou de precisar de autorização do marido para ter passaporte, e as professoras primárias deixaram de precisar de licença do ministro para casar; em 1970, Maria Teresa Cárcomo Lobo foi a primeira mulher num governo.2930313233
Outras coisas só mudaram de nome: a PIDE passou a chamar-se DGS, a União Nacional, Ação Nacional Popular, e a censura, «exame prévio» — Caetano manteve-a, com o argumento da guerra colonial.34235 Para a Assembleia da República, as tentativas de mudança das eleições de 1969 «evidenciaram a rigidez do regime e a sua incapacidade de abertura e renovação».2
Foi aqui, no quartel da GNR, que Caetano se refugiou na madrugada de 25 de abril de 1974. Ao fim da tarde, cercado pela coluna de Salgueiro Maia e por milhares de pessoas, entregou o poder ao general Spínola — «assim o poder não cai na rua».3637 O regime acabou no mesmo quartel onde, em junho de 1926, se tinha instalado a censura.24 O dia inteiro conta-o o percurso O dia inicial.
O que se vê hoje
Uma das placas dos «Lugares de Abril», da Câmara de Lisboa e da Associação 25 de Abril, assinala o largo.36
- 27 set. 1968Marcelo Caetano sucede a Salazar na chefia do Governo
- 26 dez. 1968Lei iguala pela primeira vez os requisitos de voto de mulheres e homens
- 25 out. 1969Mulher casada deixa de precisar de autorização do marido para o passaporte
- 27 dez. 1969Professoras primárias deixam de precisar de autorização para casar
- ago. 1970Maria Teresa Lobo, primeira mulher num governo português
- 24 nov. 1969A PIDE passa a chamar-se Direção-Geral de Segurança
- 25 abr. 1974Silva Pais avisa Caetano: «a Revolução está na rua»
- 25 abr. 1974Spínola no Carmo; Caetano sai na chaimite «Bula»
Com as cinco últimas placas, inauguradas a 24 de março de 2024, Lisboa passou a ter 25 a assinalar os lugares da ação do MFA no 25 de Abril de 1974 — o projeto «Lugares de Abril», da Câmara e da Associação 25 de Abril. A Câmara destaca o Largo do Carmo, «o local mais simbólico» de Abril.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Câmara Municipal de Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Até à paragem 6460 m · 5 min a péCaminho
Paragem 6: Deus, Pátria, Família
Largo de São Domingos, 10, 1169-060 Lisboa
Hoje: Palácio da Independência (Sociedade Histórica da Independência de Portugal)

O Palácio da Independência (dos Condes de Almada), no Largo de São Domingos, em 2006. Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0 A partir de 1936, os rapazes e as raparigas foram enquadrados pela Mocidade Portuguesa, que teve a sede neste palácio até 1974.3839 Na escola primária, a inscrição era obrigatória e ficava averbada na caderneta escolar.40 Fazia-se exercício físico numa lógica militarista e aprendia-se a disciplina e o respeito pela hierarquia.15 Em 1938, para o décimo aniversário da entrada de Salazar para as Finanças, fizeram-se sete quadros que serviram de propaganda nas escolas. Um cartaz desse ano, «A lição de Salazar», desenhado por Martins Barata, resumia o programa: «Deus, Pátria, Família — a trilogia da educação nacional».341
As raparigas tinham a sua organização, a Mocidade Portuguesa Feminina, que dependia da Obra das Mães e queria formar uma «mulher nova» pela «educação moral, cívica, física e social»; as filiadas faziam a saudação romana. Em 1940 abrangia 93% das alunas dos liceus e do ensino técnico, mas só 5,2% das da escola primária. De 1938 a 1968 foi sua comissária nacional Maria Guardiola, reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e deputada; Maria Luísa van Zeller foi comissária-adjunta. O comissariado ficava na Praça Marquês de Pombal.27
A Igreja abençoava: a 13 de maio de 1939, em Fátima, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira — antigo professor em Coimbra, como Salazar —, benzeu as bandeiras da Mocidade Portuguesa Feminina.27424 No ano seguinte, a Concordata com a Santa Sé tirou o divórcio a quem casasse pela Igreja.43 No próprio dia 25 de abril de 1974, o Decreto-Lei n.º 171/74 extinguiu as duas Mocidades, e o palácio foi ocupado, por imposição do MFA, pela Associação dos Deficientes das Forças Armadas.3839
- 11 abr. 1936Lei n.º 1941 cria a Mocidade Portuguesa
- 15 ago. 1936Aprovados os estatutos da Obra das Mães pela Educação Nacional
- 7 maio 1940Concordata com a Santa Sé proíbe o divórcio dos casamentos católicos
- 25 abr. 1974Decreto-Lei n.º 171/74 extingue a DGS, a Legião e a Mocidade Portuguesa
Até à paragem 7320 m · 5 min a péCaminho
Paragem 7: O Estado corporativo
Calçada de Sant'Ana, 180, 1169-062 Lisboa
Hoje: Sede da Fundação INATEL
No mesmo dia de setembro de 1933, o Governo publicou o Estatuto do Trabalho Nacional e as leis dos grémios dos patrões, dos sindicatos nacionais e das Casas do Povo.44 «O Estado português é uma república unitária e corporativa», dizia o Estatuto: a propriedade, o capital e o trabalho deviam cooperar, e a greve e o lock-out passavam a ser puníveis.44 Os sindicatos passaram a ser «nacionais»: um só por profissão, com estatutos que repudiavam a «luta de classes» e direções que o Governo tinha de homologar.45 A resposta operária foi a greve geral de 18 de janeiro de 1934.46
Para os tempos livres, o regime criou em 1935 a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), que devia «fortalecer, educar e distrair o corpo e o espírito dos que trabalham»; os beneficiários tinham de ser sócios de um sindicato nacional, de uma Casa do Povo ou de uma Casa de Pescadores.4748 Em 1946, a FNAT instalou a sede aqui, no antigo Palácio Camarido; organizava excursões, colónias de férias, desporto e espetáculos.4948 Outro cartaz de «A lição de Salazar», também de 1938, prometia: «com o Estado Novo Corporativo inicia-se uma era de dignificação de trabalho e de justiça social».50
O Estatuto também dizia onde ficavam as mulheres: o trabalho delas e dos menores fora de casa seria regulado «conforme as exigências da moral, da defesa física, da maternidade, da vida doméstica, da educação e do bem social».44 Depois do 25 de Abril, o estádio da FNAT passou a chamar-se Estádio 1.º de Maio, a greve voltou a ser um direito e, em 1975, a FNAT deu lugar ao INATEL, hoje Fundação INATEL, que ainda tem a sede neste palácio.37514849
- 23 set. 1933Estatuto do Trabalho Nacional proíbe a greve
- 18 jan. 1934Greve geral revolucionária de 18 de Janeiro de 1934
- 13 jun. 1935Criada a FNAT, Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho
- 1 maio 1974Primeiro 1.º de Maio em liberdade
- 27 ago. 1974Decreto-Lei n.º 392/74 regula o direito à greve
Terceiro capítulo do filme de Alfredo Cunha (música de Rodrigo Leão, realização de Miguel Brugo), publicado pela Comissão a 14 de fevereiro de 2024, com fotografias dos meses que se seguiram à revolução. No livro, esta parte tem texto de Fernando Rosas e inclui o comício do primeiro 1.º de Maio em liberdade, no estádio da FNAT.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril
Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Até à paragem 8520 m · 10 min a péCaminho
Paragem 8: As enfermeiras que não podiam casar
Rua José António Serrano, 1150-199 Lisboa
Hoje: Hospital de São José

O portão barroco do Hospital de São José, em novembro de 2025. Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0 Em 1938, um decreto que reorganizou os Hospitais Civis de Lisboa, a que este hospital pertencia, mandou que nos lugares de enfermagem e de serviço doméstico ocupados por mulheres só entrassem «solteiras e viúvas, sem filhos, as quais serão substituídas logo que deixem de verificar-se estas condições»: a enfermeira que casasse perdia o lugar.52 Começaram aí 25 anos de luta das enfermeiras.53 Na Assembleia Nacional, a deputada Maria Luísa van Zeller defendia em 1947 que a enfermagem fosse confiada a mulheres — «Ninguém como a mulher sabe debruçar-se delicadamente sobre a dor» —, e um deputado contou mais tarde que havia enfermeiras que casavam e, para não serem despedidas, não registavam o novo estado no bilhete de identidade.54
A proibição só caiu em março de 1963, e mesmo então o decreto lembrava que o lugar da mulher casada era o lar, «onde lhe está reservada a mais nobre missão».55 As professoras primárias passaram por coisa parecida: desde 1936, só podiam casar com autorização do ministro da Educação Nacional, dada se o noivo tivesse «bom comportamento moral e civil» e rendimentos «em harmonia com os vencimentos da professora». A exigência só acabou em dezembro de 1969, por um decreto de Marcelo Caetano que lhe chamava «formalidade burocrática».4032
E o Código Civil de 1966 ainda dizia: «O marido é o chefe da família, competindo-lhe nessa qualidade representá-la e decidir em todos os actos da vida conjugal comum.» Fora das profissões liberais e da função pública, se não tivesse dado o seu consentimento, o marido podia fazer cessar a qualquer altura o contrato de trabalho da mulher.5611 O «chefe de família» só desapareceu com a Constituição de 1976 e a revisão do Código Civil de 1977.57
- 1 jul. 1938Decreto-Lei impõe que as enfermeiras sejam solteiras ou viúvas
- 18 mar. 1963Fim da proibição do casamento das enfermeiras
- 24 nov. 1936Professoras primárias só podem casar com autorização do ministro
- 27 dez. 1969Professoras primárias deixam de precisar de autorização para casar
- 25 nov. 1966Novo Código Civil mantém o marido como «chefe da família»
- nov. 1977Revisão do Código Civil acaba com o «chefe de família»
Peça do Parlamento sobre a revisão do Código Civil de 1977, que entrou em vigor a 1 de abril de 1978 e mudou os direitos das mulheres na família e no trabalho.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Assembleia da República
Assembleia da República, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Até à paragem 91 km · 15 min a péCaminho
Paragem 9: A propaganda
Praça dos Restauradores, 25, Lisboa (fachada posterior na Calçada da Glória)
Hoje: Palácio Foz: serviços públicos e o Museu Nacional do Desporto

O Palácio Foz, na Praça dos Restauradores, em 2011. Gerd Eichmann, CC BY-SA 4.0 Em 1933, o regime criou o Secretariado de Propaganda Nacional para, entre outras coisas, «combater por todos os meios ao seu alcance a penetração no nosso País de quaisquer ideas perturbadoras e dissolventes da unidade e interêsse nacional».58 Dirigiu-o até 1949 o jornalista António Ferro, que chamou «Política do Espírito» ao seu programa: reeducar os portugueses segundo a ideologia oficial, com cartazes, rádio, cinema, exposições e prémios, juntando uma linguagem moderna ao conservadorismo e ao ruralismo do regime.59 Em 1940, o Estado comprou este palácio para lhe dar sede; em 1944, o Secretariado Nacional de Informação, que lhe sucedeu, juntou nas mesmas mãos a propaganda, o turismo, a imprensa e a censura.6061
A propaganda também falava às mulheres. Um cartaz do Secretariado Nacional de Informação, de 1945 ou 1946, dizia: «Mulher portuguesa, graças ao Estado Novo tens a estabilidade da família, a liberdade religiosa…: a Salazar o deves» — e pedia: «mães, espôsas, noivas de Portugal votai por Salazar».62
A 28 de maio de 1974, quando se cumpriam 48 anos do golpe de 1926, uma centena de artistas entrou no pátio deste palácio e tapou com um pano preto e uma faixa verde e vermelha a estátua de Salazar que lá estava. Queriam-na guardada num museu: «A arte fascista faz mal à vista», dizia o pintor Vespeira.63
Notas sobre as fontes2
- Se os dois cartazes de «A lição de Salazar» citados — o da «trilogia da educação nacional» e o do «Estado Novo Corporativo» — são dos sete quadros feitos em 1938 para o décimo aniversário de Salazar nas Finanças: o Tribunal de Contas fala dos sete quadros, e a Biblioteca Nacional regista os dois cartazes, de 1938, editados pela «Escola Portuguesa».
- O ano em que o cartaz do Secretariado Nacional de Informação dirigido às mulheres foi feito: 1945 ou 1946, segundo a Biblioteca Nacional.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Golpe Militar de 28 de maio de 1926. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2O Parlamento na história constitucional – O Estado Novo (1926-1974). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Da ditadura nacional ao Estado Novo (exposição virtual). Tribunal de Contas — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4Ditadura militar e ascensão do salazarismo. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 527 de Julho de 1970: Morte de Salazar — bibliografia temática. Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 6Atentado a Salazar. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 7Residência Oficial do Primeiro-Ministro — História. Governo de Portugal — consultado a 3 de outubro de 2026Página do sítio do Governo, lida na cópia do Internet Archive de 29 de novembro de 2009; inclui o quadro dos chefes de Governo que residiram no palacete.
- 8O dia em que Salazar sofreu um atentado. Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
- 9Exposição «Mulheres que mudaram a vida política em Portugal». Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
- 10Ato Colonial. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 11A mulher portuguesa na legislação civil (Elina Guimarães), Análise Social, vol. XXII (92-93), 1986. Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa – Análise Social — consultado a 2 de outubro de 2026
- 12Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47). Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 13O voto das mulheres casadas (1946). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
- 14Decreto n.º 26 893, de 15 de agosto de 1936 (Diário do Governo, I série, n.º 191): estatutos da Obra das Mães pela Educação Nacional. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1936 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 15Associação dos Professores de História / Mariana Lagarto, Organizações repressivas e de controlo do Estado Novo. RTP Ensina, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 16Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
- 17Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
- 18Associação Portuguesa Feminina para a Paz (PT/SGMAI/GCLSB/H-B/001/00114). Secretaria-Geral do MAI – Arquivo do Governo Civil de Lisboa (Archeevo) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 19Maria Lamas, a ativista pelos direitos das mulheres (Virgínia Baptista, IHC – NOVA FCSH). RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
- 20As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 21Diário da Manhã / Garcia Pulido (coleção de imprensa). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 3 de outubro de 2026
- 22O partido único (Haverá eleições?). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
- 23Associação 25 de Abril (Open House Lisboa). Trienal de Arquitectura de Lisboa — consultado a 3 de outubro de 2026
- 24Os censores da imprensa (Joaquim Cardoso Gomes), JJ – Jornalismo & Jornalistas n.º 57, jan./jun. 2014. Clube de Jornalistas (PDF no Centro de Documentação 25 de Abril, Univ. Coimbra) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 25Acção popular (pós-25 de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 26Sobre Nós. Associação 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
- 27Helena Roldão, Mocidade Portuguesa Feminina: boletim mensal (Lisboa, 1939-1947) — ficha histórica. Hemeroteca Municipal de Lisboa, 2014 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 28II Congresso Republicano de Aveiro. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 29Lei n.º 2137, de 26 de dezembro de 1968 (Diário do Governo, I série, n.º 303). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1968 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 30As Mulheres e o Trabalho. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 31Decreto n.º 49 317, de 25 de outubro de 1969 (Diário do Governo, I série, n.º 251). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1969 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 32Decreto-Lei n.º 49 473, de 27 de dezembro de 1969 (Diário do Governo, I série, n.º 301): revoga a autorização para o casamento das professoras primárias. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1969 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 33Morreu a primeira mulher a integrar um Governo em Portugal (14/12/2018). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
- 34Decreto-Lei n.º 49 401, de 24 de novembro de 1969 (Diário do Governo, I série, n.º 275). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1969 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 35O Marcelismo e a Liberdade de Imprensa (Imprensa e Revolução). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
- 36Largo e Quartel do Carmo (Lugares de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 37Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 38Legislação 25A – Extinção da DGS, LP e MP (Dec.-Lei 171/74 de 25 de Abril). Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
- 39Palácio da Independência. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 40Decreto-Lei n.º 27 279, de 24 de novembro de 1936 (Diário do Governo, I série, n.º 276): bases do ensino primário. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1936 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 41Martins Barata (design), A lição de Salazar: Deus, Pátria, Família — a trilogia da educação nacional (cartaz, [1938]). Biblioteca Nacional de Portugal — Biblioteca Nacional Digital, 1938 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 42O arquivo do Cardeal Cerejeira: um legado para a história da Igreja lisbonense. Patriarcado de Lisboa — consultado a 3 de outubro de 2026
- 43Acórdão n.º 423/87 (Concordata e Protocolo Adicional). Tribunal Constitucional — consultado a 2 de outubro de 2026
- 44Decreto-Lei n.º 23 048, de 23 de setembro de 1933 (Diário do Governo, I série, n.º 217): Estatuto do Trabalho Nacional. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1933 — consultado a 3 de outubro de 2026O mesmo número do Diário do Governo publica os decretos-leis n.º 23 049 (grémios), 23 050 (sindicatos nacionais) e 23 051 (Casas do Povo).
- 45Sindicatos corporativos (Unidos venceremos! Protesto, greves e sindicatos no marcelismo). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4618 de Janeiro de 1934. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 47Decreto-Lei n.º 25 495, de 13 de junho de 1935 (Diário do Governo, I série, n.º 134): cria a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1935 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 48História (da FNAT à Fundação INATEL). Fundação INATEL — consultado a 3 de outubro de 2026
- 49Edifício-Sede da Fundação INATEL (Património — outras instalações). Fundação INATEL — consultado a 3 de outubro de 2026
- 50Martins Barata (design), A lição de Salazar: com o Estado Novo Corporativo inicia-se uma era de dignificação de trabalho e de justiça social (cartaz, [1938]). Biblioteca Nacional de Portugal — Biblioteca Nacional Digital, 1938 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 51Legislação 25A – Lei da greve (Dec.-Lei 392/74 de 27 de Agosto). Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
- 52Decreto n.º 28 794, de 1 de julho de 1938 (Diário do Governo, I série, n.º 150): quadros dos Hospitais Civis de Lisboa. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1938 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 53Luta das Enfermeiras. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 54Celibato das enfermeiras no Estado Novo (Comunicar, junho de 2017). Assembleia da República, 2017 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 55Decreto-Lei n.º 44 923, de 18 de março de 1963 (Diário do Governo, I série, n.º 65). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1963 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 56Decreto-Lei n.º 47 344, de 25 de novembro de 1966 (Diário do Governo, I série, n.º 274): aprova o Código Civil. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1966 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 57A revisão do Código Civil e os Direitos das Mulheres (1977). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
- 58Decreto-Lei n.º 23 054, de 25 de setembro de 1933 (Diário do Governo, I série, n.º 218): cria o Secretariado da Propaganda Nacional. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1933 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 59Associação dos Professores de História / André Silveira, O SPN como motor do projeto cultural do Estado Novo. RTP Ensina, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 60Palácio Foz. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 61A Censura no Salazarismo. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 62Mulher portuguesa, graças ao Estado Novo tens a estabilidade da família, a liberdade religiosa…: a Salazar o deves (cartaz do SNI, [1945-46]). Biblioteca Nacional de Portugal — Biblioteca Nacional Digital — consultado a 3 de outubro de 2026
- 63A cultura ao serviço da Revolução. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
Outros percursos

Revolução · a pé
O dia inicial
O 25 de Abril de 1974 hora a hora, do Terreiro do Paço ao Carmo e à porta da polícia política
- Distância
- 2,4 km
- Duração
- 1 h 30 min
- Paragens
- 7 paragens
- Dificuldade
- Média

Mulheres · a pé
Graça, a colina das mulheres
Costureiras em greve, uma propagandista republicana, uma cadeia de mulheres, um bar e uma poeta — a Graça contada por elas
- Distância
- 1,7 km
- Duração
- 1 h 15 min
- Paragens
- 6 paragens
- Dificuldade
- Exigente

Revolução · a pé
As figuras de Abril
Do Aljube a São Bento, as vidas de Soares, Cunhal e Salgueiro Maia — e as de Maria Barroso, Sofia Ferreira, Natália Correia e Pintasilgo
- Distância
- 3,5 km
- Duração
- 1 h 40 min
- Paragens
- 6 paragens
- Dificuldade
- Média