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Resistênciapor Onofriana.pt

Mulheres da resistência

Maria da Conceição Moita

Maria da Conceição Moita («Xexão»)

Repressãoeducadora de infânciacatólica progressistaorganizadora da vigília da Capela do Ratoapoiante das Brigadas Revolucionáriaspresa política
Nasceu
5 de abril de 1937, Alcanena
Morreu
30 de março de 2021

Educadora e católica progressista, foi ela quem, ao microfone da Capela do Rato, anunciou a vigília de 30 de dezembro de 1972 contra a guerra colonial. Presa pela PIDE/DGS em dezembro de 1973 e torturada, só saiu de Caxias a 26 de abril de 1974.

Nasceu em Alcanena a 5 de abril de 1937 e veio para Lisboa aos dez anos, com a avó e o irmão mais velho. Conhecida por Xexão, formou-se como educadora de infância, foi professora de Religião e Moral em liceus de Lisboa e do Barreiro, trabalhou no movimento O Ninho com raparigas pobres que se prostituíam e dirigiu uma secção da Casa Pia.15

Católica progressista, estava à frente do grupo do Boletim Anti-Colonial com o irmão, Luís Moita, e Isabel Pimentel, e foi uma das organizadoras da vigília da Capela do Rato contra a guerra colonial.5 A 30 de dezembro de 1972, no fim da missa da tarde, aproximou-se do microfone e anunciou, em nome de um grupo de cristãos, uma «vigília de 48 horas» em jejum, em protesto contra a guerra.4 O padre que celebrava, João Seabra Diniz, conhecia-a bem da comunidade e não estranhou quando ela se dirigiu ao altar.4 Quando a polícia acabou com a vigília, foi levada com os outros para a esquadra, para identificação, mas, ao contrário de alguns, não ficou presa; chamada pela PIDE a depor, disse que estava lá atrás e não sabia quem tinha lido a declaração.5

Também em 1972, contactada por Carlos Antunes, deu apoio logístico às Brigadas Revolucionárias: arrendou em seu nome uma casa para clandestinos e deu boleias.15 A 6 de dezembro de 1973, depois da prisão de vários companheiros, entre eles o irmão Luís, foi presa quando se preparava para fugir para Paris.1 Ficou no processo que a DGS abrira em Caxias a 24 de novembro contra pessoas ligadas às Brigadas e a um grupo anticolonial; foi esbofeteada até desmaiar e submetida várias vezes à tortura do sono — a primeira durante sete dias e oito noites, com catorze horas de «estátua».4 Esteve em isolamento em Caxias até ao 25 de Abril, e só saiu a 26 de abril de 1974.1

Depois da revolução dedicou-se à educação de infância e à intervenção cívica e católica. Morreu a 30 de março de 2021, aos 83 anos.1

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 30 dez. 1972

    Vigília da Capela do Rato contra a guerra colonial
  2. 24 nov. 1973

    Processo da DGS contra o grupo anticolonial e as Brigadas Revolucionárias
  3. 6 dez. 1973

    Prisão de Maria da Conceição Moita

Cruzaram-se com ela

  • Nuno Teotónio Pereira

    1922–2016

    Arquiteto e figura dos católicos progressistas, esteve na vigília pela paz de São Domingos (1968–1969) e foi um dos organizadores da vigília da Capela do Rato (1972). Preso pela DGS em 1970, depois do Rato e no fim de 1973, só saiu de Caxias com o 25 de Abril.

  • Isabel do Carmo

    n. 1940

    Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.

  • Sophia de Mello Breyner Andresen

    1919–2004

    Poeta. Viveu na Graça de 1951 até morrer, escreveu a «Cantata da Paz» para a vigília de São Domingos, ajudou a fundar a comissão de socorro aos presos políticos e foi deputada constituinte. «Esta é a madrugada que eu esperava» é dela.

  • Maria Isabel Barreno

    1939–2016

    Escritora e investigadora, uma das «Três Marias». Julgada pelas «Novas Cartas Portuguesas» e absolvida a 7 de maio de 1974, viu a maior consequência do processo na Constituição: a igualdade de todos, «sem distinção de raça, sexo ou religião».

  • Aida Magro

    1918–2011

    Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.

  • Albina Fernandes

    1928–1970

    Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.

Notas sobre as fontes4
  • O dia da prisão, 6 de dezembro de 1973, e a fuga para Paris que preparava vêm da Wikipédia, que cita o livro «Os Últimos Presos do Estado Novo», de Joana Pereira Bastos; ela própria, em 2014, disse apenas «em dezembro de 73».
  • Se foi militante das Brigadas Revolucionárias, como dizem Carlos Antunes (citado por António de Araújo) e a tese de Eloísa Aragão, ou só apoiante, como contou em 2014: «a única coisa que eu fiz antes do 25 de Abril foi apoiar algumas ações das Brigadas Revolucionárias».
  • Quem decidiu que seria ela a ler a declaração na Capela do Rato: Carlos Antunes diz que foi ele, «por razões de disciplina»; os relatos dos católicos falam de uma decisão do grupo, e António de Araújo regista a versão de Antunes com reservas.
  • O nome completo: «Maria da Conceição Victor Moita», segundo o processo da DGS de 1973 citado por António de Araújo.

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Fontes

  1. 1Maria da Conceição Moita. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Vigília da Capela do Rato. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Caso da Capela do Rato. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Sophia de Mello Breyner Andresen: militância antifascista a partir da crise do Estado Novo (tese de doutoramento, Eloísa da Silva Aragão, 2017). Universidade de São Paulo — consultado a 2 de outubro de 2026