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Resistênciapor Onofriana.pt

Mulheres da resistência

Maria Velho da Costa

Maria de Fátima de Bivar Velho da Costa

Cultura e censuraescritoraprofessoracoautora das «Novas Cartas Portuguesas»Prémio Camões 2002
Nasceu
26 de junho de 1938, Lisboa
Morreu
23 de maio de 2020, Lisboa

Romancista de «Maina Mendes» e «Casas Pardas», foi ela quem lançou às outras duas Marias a pergunta que deu origem às «Novas Cartas Portuguesas». Recebeu o Prémio Camões em 2002.

Nasceu em Lisboa a 26 de junho de 1938, licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras e foi professora do ensino secundário.13 Em 1969 publicou «Maina Mendes», romance cuja protagonista perde a fala e reinventa uma nova.9

Em maio de 1971, no dia a seguir a Maria Teresa Horta ter sido espancada na rua por causa de um livro, as três amigas tinham o almoço da semana. Maria Velho da Costa lançou o mote: «Se uma mulher sozinha causa toda esta confusão, este burburinho, este escândalo, o que aconteceria se fôssemos três?»9 Daí nasceram as «Novas Cartas Portuguesas» (1972), escritas com Horta e Maria Isabel Barreno, apreendidas pela censura e levadas a tribunal.5

No primeiro dia do julgamento, a 25 de outubro de 1973, no Tribunal da Boa-Hora, trocou o advogado António Alçada Baptista por Francisco de Sousa Tavares.4 As três foram absolvidas a 7 de maio de 1974.10

Depois da revolução foi a primeira mulher a presidir à Associação Portuguesa de Escritores, adjunta do secretário de Estado da Cultura no governo de Maria de Lourdes Pintasilgo, leitora no King's College de Londres (1980–1987) e adida cultural em Cabo Verde. Recebeu o Prémio Camões em 2002. Morreu em casa, em Lisboa, a 23 de maio de 2020.1

No arquivo

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 1971

    Maria Teresa Horta publica «Minha Senhora de Mim»
  2. abr. 1972

    Publicadas as «Novas Cartas Portuguesas»
  3. jun. 1973

    As Três Marias, primeira causa feminista internacional
  4. 25 out. 1973

    Começa o julgamento das Três Marias, à porta fechada
  5. 7 maio 1974

    As «Três Marias» são absolvidas
  6. 1 ago. 1979

    Maria de Lourdes Pintasilgo, primeira mulher primeira-ministra

Cruzaram-se com ela

  • Maria Isabel Barreno

    1939–2016

    Escritora e investigadora, uma das «Três Marias». Julgada pelas «Novas Cartas Portuguesas» e absolvida a 7 de maio de 1974, viu a maior consequência do processo na Constituição: a igualdade de todos, «sem distinção de raça, sexo ou religião».

  • Maria Teresa Horta

    1937–2025

    Poeta e jornalista, uma das «Três Marias». A PIDE apreendeu-lhe «Minha Senhora de Mim» e três homens espancaram-na na rua; com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa escreveu as «Novas Cartas Portuguesas», que as levaram a tribunal — e à absolvição, a 7 de maio de 1974.

  • Natália Correia

    1923–1993

    Poeta e editora, foi a escritora portuguesa com mais obras censuradas. Julgada no Plenário pela «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica», publicou as «Novas Cartas Portuguesas» e abriu na Graça o Botequim, onde festejou o 25 de Abril. Foi depois deputada.

  • Fernanda Botelho

    1926–2007

    Romancista, era a única mulher do júri da Sociedade Portuguesa de Escritores que premiou «Luuanda», de Luandino Vieira, em 1965 — o prémio que levou à extinção da sociedade e à prisão de três jurados.

  • Maria Lamas

    1893–1983

    Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

  • Maria de Lourdes Pintasilgo

    1930–2004

    Engenheira e católica progressista, preparou desde 1970 o que viria a ser a Comissão da Condição Feminina, foi ministra dos Assuntos Sociais em 1974–1975 e a única mulher a chefiar um governo em Portugal (1979–1980).

Notas sobre as fontes2
  • A data da morte: 23 de maio de 2020 (Observador, notícia do próprio dia); a síntese lida na página da Imprensa Nacional dava 25 de maio.
  • A Wikipédia diz que o pai, oficial de Infantaria, entrou em 1958 para os censores da comissão de censura de Lisboa; não se encontrou outra fonte.

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Fontes

  1. 1Morreu a escritora Maria Velho da Costa, uma das autoras das Novas Cartas Portuguesas (23/5/2020). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Maria Velho da Costa (1938-2020). Imprensa Nacional — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4«Novas Cartas Portuguesas» – Julgamento secreto (Diário de Lisboa, 25/10/1973). Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Novas Cartas Portuguesas. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Processo “Novas Cartas Portuguesas”. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Maria Velho da Costa. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Novas Cartas Portuguesas. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Itinerário «Novas Cartas Portuguesas». Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10“As três Marias foram absolvidas”. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11«As Três Marias foram absolvidas» / «Absolvição para as Novas Cartas Portuguesas» (Diário de Lisboa, 8 de maio de 1974). Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026