Em 1988, as ruas numeradas do Bairro de Caselas receberam nomes, muitos de mulheres pioneiras: Carolina Ângelo, a primeira a votar; Virgínia Quaresma, a primeira jornalista; Aurora de Castro, a primeira notária; as escritoras Alice Pestana e Olga Morais Sarmento; a pintora Sara Afonso.
Hoje: Rua Carolina Ângelo, Rua Virgínia Quaresma, Rua Aurora de Castro, Rua Alice Pestana, Rua Olga Morais Sarmento e outrasHá uma marca no localLocalização aproximada
As ruas do Bairro de Caselas tinham, desde 1950, apenas números. A pedido da Junta de Freguesia de São Francisco Xavier, o edital de 20 de abril de 1988 deu-lhes nomes.1 A Comissão Municipal de Toponímia lembrou que Caselas era um aglomerado muito antigo e que o «Diário de Notícias», pela pena do diretor Augusto de Castro, já pedira homenagem às figuras ilustres que ali nasceram ou viveram, e propôs juntar às figuras do lugar «alguns nomes de vulto nas Artes e nas Letras».4
Na Rua 1 ficou, 77 anos depois da sua morte, Carolina Beatriz Ângelo, que em 1911, no Clube Estefânia, foi a primeira mulher a votar em Portugal.1 Na Rua 2, Leonor Pimentel, «a republicana de Nápoles»; na Rua 3, Alice Pestana, professora e escritora que defendeu a educação das mulheres em Portugal e em Espanha.4 Na Rua 4, Virgínia Quaresma, a primeira mulher a exercer a profissão de jornalista em Portugal, que escreveu n'A Capital.2
Na Rua 6, com a legenda «Publicista/Séc. XX», ficou Aurora de Castro, a primeira notária portuguesa, que no I Congresso Feminista e de Educação, em 1924, reclamou para as mulheres a igualdade política plena e o direito de voto.3 Na Rua 7, a escritora Olga Morais Sarmento; e na rua até então conhecida por Rua da Cooperativa de Caselas, a pintora Sara Afonso.4 Sara Afonso foi a primeira mulher a frequentar uma tertúlia no café A Brasileira, no Chiado.5
No quartel de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, instalou-se a 25 de abril de 1974 o posto de comando das forças fiéis ao regime, até os próprios soldados se porem do lado do Movimento. A 25 de novembro de 1975, os Comandos atacaram aqui o Regimento de Polícia Militar: houve três mortos.
Aqui tomou posse, em 1970, a primeira mulher a fazer parte de um governo em Portugal. Em setembro de 1974, o palácio foi palco das reuniões tensas que levaram à renúncia de Spínola; a 25 de novembro de 1975, do posto de comando do Presidente Costa Gomes.
Nesta rua de Alcântara, então Rua da Creche, agentes da PIDE mataram a tiro o escultor e dirigente comunista José Dias Coelho, a 19 de dezembro de 1961. A companheira, Margarida Tengarrinha, só soube da morte uma semana depois. A rua tem o seu nome desde 1975.
Primeira ação da ARA, o braço armado do PCP: na noite de 26 de outubro de 1970, cargas explosivas abriram um rombo no cargueiro «Cunene», que levava armas e abastecimentos para a guerra colonial e ficou «alagado e imobilizado na doca de Alcântara».
OposiçãoColonialismo
Notas sobre as fontes2
As legendas das placas das outras ruas (só a da Rua Aurora de Castro está documentada).
Quantos nomes de mulheres deu o edital de 1988: a Toponímia de Lisboa diz que, além de Carolina Ângelo, cinco dos onze restantes topónimos são de mulheres, mas a lista que publica tem seis (Leonor Pimentel, Alice Pestana, Virgínia Quaresma, Aurora de Castro, Olga Morais Sarmento e Sara Afonso).