A entrada da Sociedade Nacional de Belas-Artes, na Rua Barata Salgueiro, em 2012.Manuelvbotelho, CC BY-SA 3.0
Santo António
Sociedade Nacional de Belas-Artes
Em janeiro de 1947, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, juntou aqui três mil livros de quatrocentas autoras de trinta países. Foi um êxito — e o pretexto para o regime fechar o Conselho meses depois.
Hoje: Sociedade Nacional de Belas-ArtesNum percurso
A Sociedade Nacional de Belas-Artes abriu em 1913 a sua sede nesta rua, com um grande salão de exposições.1
De 4 a 12 de janeiro de 1947, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, fez aqui a «Exposição de Livros Escritos por Mulheres»: três mil livros, de quatrocentas autoras de trinta países, com fotografias de mulheres que se tinham destacado como intelectuais e como resistentes ao nazismo e ao fascismo.23 A atriz e tradutora Manuela Porto falou sobre «Virginia Woolf: o problema das mulheres das letras».3
Maria Lamas escreveu que fora «um êxito estrondoso», mas a imprensa católica viu no Conselho «um perigo de morte para a Mulher e a Moral».4 Jornais ligados ao regime acusaram-no de ser contra o Estado Novo e de ligar feminismo e comunismo.5 Para a investigadora Teresa Joaquim, foi a exposição que provocou o encerramento do Conselho pela polícia, a 28 de junho de 1947.6
Entre 1946 e 1956, a casa acolheu também as Exposições Gerais de Artes Plásticas, que juntavam artistas da oposição.1
Aqui funcionava o Sir, o restaurante onde Celeste Caeiro trabalhava. Fazia um ano a 25 de abril de 1974: não abriu, e os cravos comprados para a festa foram dados às empregadas — os cravos que Celeste levou para a Baixa.
Natália Correia viveu no 5.º andar do n.º 52 de 1953 até morrer, em 1993. Nos anos 1950 e 1960 a casa foi lugar das suas tertúlias e, em 1955, de uma estreia teatral à porta fechada: a tradução dela de «Huis-Clos», de Sartre.
No primeiro andar do n.º 20 desta rua ficava a Sociedade Portuguesa de Escritores. Em maio de 1965, por ter premiado «Luuanda», de Luandino Vieira, preso no Tarrafal, foi extinta pelo Governo, e a sede assaltada e destruída na mesma noite.
Na revolta de fevereiro de 1927 ergueram-se aqui barricadas, e junto ao chafariz foram fuzilados civis e marinheiros. Em 1931, o largo voltou a ser linha de combate; em 1972, foi para a esquadra do largo que a polícia levou os presos da vigília da Capela do Rato.
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Notas sobre as fontes4
O ano da exposição: janeiro de 1947 (Virgínia Baptista, Teresa Joaquim, catálogo citado pela Wikipédia) ou 1946 (uma página do Museu do Aljube).
A ligação das Exposições Gerais de Artes Plásticas ao MUD só foi lida na Wikipédia.
As salas usadas e a data da palestra de Manuela Porto.