A Alameda D. Afonso Henriques vista do alto, com o Instituto Superior Técnico ao fundo, em agosto de 2025.Alexkom000, CC BY 4.0
Arroios
Instituto Superior Técnico
O campus de Pardal Monteiro foi palco de plenários decisivos do movimento estudantil: aqui se suspendeu o luto de 1962, aqui a PIDE invadiu a associação de estudantes em 1968, e aqui se decidiu, em 1972, ir em massa ao funeral de Ribeiro Santos.
Hoje: Instituto Superior Técnico – Universidade de LisboaNum percurso
O campus da Alameda, desenhado por Porfírio Pardal Monteiro, nasceu sob a alçada de Duarte Pacheco, nos terrenos do Arco do Cego, e ficou concluído entre 1936 e 1937.7 Em 1953, Maria de Lourdes Pintasilgo licenciou-se aqui em Engenharia Químico-Industrial: entre os 250 alunos do seu curso, só três eram mulheres.8
Na crise académica de 1962, com a época de exames à porta, um plenário no Técnico votou por maioria, a 15 de junho, a suspensão do luto académico. Houve estudantes descontentes, mas as associações acataram a decisão; a contestação continuou em torno da prisão dos dirigentes, sobretudo de Eurico de Figueiredo, e dos processos disciplinares.1
Sob a influência do Maio de 68 e com a recusa crescente da guerra colonial, as mobilizações estudantis voltaram a crescer. A 8 de dezembro de 1968, a PIDE invadiu a Associação de Estudantes do Técnico, apreendeu documentos e identificou estudantes. A associação e o Instituto foram fechados até ao fim das férias, a direção foi suspensa e vários estudantes sofreram processos disciplinares.3 Seguiu-se a invasão da Cidade Universitária pela polícia, uma intimidação que se tornaria recorrente.2
Na noite de 12 de outubro de 1972, horas depois de José António Ribeiro Santos ter sido morto a tiro por um agente da PIDE/DGS no ISCEF, 300 estudantes reunidos no Técnico aprovaram a paralisação da universidade e a ida em massa ao funeral.45 Nesse ano, o IST foi de novo invadido pela polícia de choque e fechado.3
A 15 de maio de 1977, o Movimento Democrático de Mulheres fez aqui o seu 3.º Encontro Nacional, com o lema «A Força de ser Movimento, a Razão de ser Democrático e a Alegria de ser Mulher». Duas mil mulheres, em cinco grupos de trabalho, aprovaram a primeira Carta dos Direitos da Mulher.9
A história destas lutas está no livro «O activismo estudantil no IST (1945-1980)», organizado por Luísa Tiago de Oliveira e apresentado no Museu do Aljube em novembro de 2019.3
Criada pelo regime em 1944 para cultivar a «unidade imperial» entre os estudantes vindos das colónias, tornou-se escola de oposição e de anticolonialismo: por aqui passaram Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. A PIDE fechou-a em 1965.
Neste centro republicano da Calçada de Arroios, ainda na monarquia, Maria Veleda criou cursos noturnos gratuitos para ensinar mulheres a ler e a escrever; em 1907, o Grupo Português de Estudos Feministas dava aqui aulas a mulheres analfabetas.
Aqui funcionava, a 28 de maio de 1911, a assembleia de voto de São Jorge de Arroios. Foi nela que a médica Carolina Beatriz Ângelo, inscrita por ordem de um juiz, se tornou a primeira mulher a votar em Portugal.
Na casa onde vivia a poeta são-tomense Alda do Espírito Santo instalou-se em 1951 o Centro de Estudos Africanos: Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Francisco José Tenreiro e outros reuniam-se aqui para «conhecer a África», longe dos olhos da PIDE.
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Notas sobre as fontes2
O dia do plenário que suspendeu o luto académico de 1962: 15 de junho (Comissão Comemorativa) ou 14 de junho (Wikipédia).
Quando, e por quanto tempo, o IST esteve fechado em 1972.