Repressãoescritoratradutorajurada do Grande Prémio de Novelística da SPE (1965)testemunha de defesa no processo das «Novas Cartas Portuguesas»
Nasceu
1 de dezembro de 1926, Porto
Morreu
11 de dezembro de 2007, Lisboa
Romancista, era a única mulher do júri da Sociedade Portuguesa de Escritores que premiou «Luuanda», de Luandino Vieira, em 1965 — o prémio que levou à extinção da sociedade e à prisão de três jurados.
Nasceu no Porto em 1926. Estudou Filologia Clássica nas universidades de Coimbra e de Lisboa e fixou-se em Lisboa. Foi cofundadora da revista Távola Redonda, estreou-se com «Coordenadas Líricas», em 1951, e recebeu o Prémio Camilo Castelo Branco em 1960.3
Em maio de 1965 era a única mulher do júri — com Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, João Gaspar Simões e Manuel da Fonseca — que deu o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores a «Luuanda», de Luandino Vieira, então preso no Tarrafal.12 Os cinco jurados foram interrogados na PIDE, e Pinheiro Torres, Abelaira e Manuel da Fonseca ficaram presos; o Governo extinguiu a sociedade, cuja sede foi assaltada e destruída.1 Vinte e cinco anos depois, Fernanda Botelho disse à RTP que nunca esperara a polémica, e muito menos a reação do regime, e que votara por critérios literários, não políticos.2
Foi uma das testemunhas de defesa das autoras das «Novas Cartas Portuguesas», no julgamento que decorreu no Tribunal da Boa-Hora em 1973–1974.4 Morreu em Lisboa em 2007.3
Escritor luso-angolano, autor de «Luuanda». O prémio que a Sociedade Portuguesa de Escritores lhe deu em 1965, quando estava preso no Tarrafal, levou a PIDE a interrogar o júri e a deter três jurados, e o regime a destruir a sede da SPE e a extingui-la.
Escritora e investigadora, uma das «Três Marias». Julgada pelas «Novas Cartas Portuguesas» e absolvida a 7 de maio de 1974, viu a maior consequência do processo na Constituição: a igualdade de todos, «sem distinção de raça, sexo ou religião».
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Poeta e jornalista, uma das «Três Marias». A PIDE apreendeu-lhe «Minha Senhora de Mim» e três homens espancaram-na na rua; com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa escreveu as «Novas Cartas Portuguesas», que as levaram a tribunal — e à absolvição, a 7 de maio de 1974.
Romancista de «Maina Mendes» e «Casas Pardas», foi ela quem lançou às outras duas Marias a pergunta que deu origem às «Novas Cartas Portuguesas». Recebeu o Prémio Camões em 2002.
Poeta e editora, foi a escritora portuguesa com mais obras censuradas. Julgada no Plenário pela «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica», publicou as «Novas Cartas Portuguesas» e abriu na Graça o Botequim, onde festejou o 25 de Abril. Foi depois deputada.
Notas sobre as fontes2
O dia de nascimento (1 de dezembro de 1926) e o da morte (11 de dezembro de 2007) vêm só da Wikipédia e da Wikidata.
Em que sessão do julgamento das «Novas Cartas Portuguesas» depôs: a Wikipédia nomeia-a entre as testemunhas de defesa, sem data.