O Edifício Franjinhas, na esquina da Rua Braamcamp com a Rua Castilho, em 2019.GualdimG, CC BY-SA 4.0
Santo António
Edifício Franjinhas — o restaurante dos cravos
Aqui funcionava o Sir, o restaurante onde Celeste Caeiro trabalhava. Fazia um ano a 25 de abril de 1974: não abriu, e os cravos comprados para a festa foram dados às empregadas — os cravos que Celeste levou para a Baixa.
O Sir, um restaurante de self-service, abriu neste edifício em abril de 1973. Para o primeiro aniversário, os donos compraram cravos para oferecer às clientes — e, segundo o Observador, um cálice de Porto aos clientes.1
Na manhã de 25 de abril de 1974, quando Celeste Caeiro chegou, às nove, o dono anunciou que a casa não ia abrir, «porque se está a dar uma revolução». Os cravos foram tirados do armazém e distribuídos às empregadas, para não murcharem. Celeste levou um molho e seguiu de metro para a Baixa.2 O que se seguiu conta-se na Rua do Carmo.
O edifício, de Nuno Teotónio Pereira e João Braula Reis, recebeu o Prémio Valmor de 1971 e é Monumento de Interesse Público desde 2011.3Nuno Teotónio Pereira esteve entre os detidos da vigília da Capela do Rato; no fim de 1973 foi espancado e sujeito à tortura do sono.4
Um mês antes da revolução, a 5 de março de 1974, o Movimento dos Capitães marcou para aqui um plenário clandestino; no próprio dia, mudou-o para Cascais, onde se assumiu como irreversível a opção pelo golpe.5
Em janeiro de 1947, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, juntou aqui três mil livros de quatrocentas autoras de trinta países. Foi um êxito — e o pretexto para o regime fechar o Conselho meses depois.
Em 1946, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidido por Maria Lamas, mudou a sede para esta travessa das Amoreiras. A 28 de junho de 1947, a polícia fechou-a «sem aviso prévio», pondo fim a 33 anos de associação.
Hoje: Capela do Rato (Capela de Nossa Senhora da Bonança)
Na passagem de 1972 para 1973, católicos contra a guerra colonial fizeram aqui uma vigília de 48 horas. Foi uma mulher, Maria da Conceição Moita, quem a anunciou ao microfone; a polícia de choque acabou com ela e levou dezenas de pessoas.
Na revolta de fevereiro de 1927 ergueram-se aqui barricadas, e junto ao chafariz foram fuzilados civis e marinheiros. Em 1931, o largo voltou a ser linha de combate; em 1972, foi para a esquadra do largo que a polícia levou os presos da vigília da Capela do Rato.
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Notas sobre as fontes4
O número de porta (o OpenStreetMap e uma publicação da Câmara apontam a Rua Braamcamp, 9) e a loja exata do restaurante.
A data de abertura do Sir (25/4/1973) e o pormenor do cálice de Porto vêm da imprensa, não de fonte institucional.
A autoria do edifício e o Prémio Valmor de 1971 só foram lidos na Wikipédia.
Se há marca evocativa de Celeste Caeiro no edifício.