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Resistênciapor Onofriana.pt
Retrato a preto e branco, num oval de margens esbatidas, de uma mulher de cabelo apanhado e óculos, com uma blusa escura rendada e um pendente ao peito.
Autor desconhecido, Domínio público

Mulheres da resistência

Ana de Castro Osório

Repúblicaescritora, pioneira da literatura infantiljornalistafundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesasfundadora e presidente da Associação de Propaganda Feministacolaboradora da lei do divórcio de 1910
Nasceu
18 de junho de 1872, Mangualde
Morreu
23 de março de 1935, Lisboa (segundo a Wikipédia; a Toponímia de Lisboa diz Setúbal)

Escritora, autora do que é tido como o primeiro manifesto feminista português (1905), lançou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e fundou, com Carolina Beatriz Ângelo, a Associação de Propaganda Feminista, que defendia o voto das mulheres instruídas.

Nasceu em Mangualde a 18 de junho de 1872.15 Autora da coleção «Para as Crianças» (1897–1935), é considerada a fundadora da literatura infantil em Portugal.1 Em 1905 publicou «As Mulheres Portuguesas», tido como o primeiro manifesto feminista português.15 Dirigiu a revista «A Sociedade Futura», onde lhe sucedeu Olga de Moraes Sarmento.7

Em 1907 dirigia o Grupo Português de Estudos Feministas, e em agosto de 1908 lançou com António José de Almeida a ideia da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.2 A Liga nasceu em 1909, no 2.º andar do n.º 6 da Rua dos Castelinhos.1 Depois da implantação da República, colaborou com Afonso Costa, ministro da Justiça, na lei do divórcio.15

Defendia o voto só para as mulheres com estudos e que trabalhavam; a ala de Maria Veleda não aceitava restrições.4 A divisão levou-a a sair da Liga e a fundar com Carolina Beatriz Ângelo, a 12 de maio de 1911, a Associação de Propaganda Feminista.46 O juiz que deu razão a Carolina no recurso que lhe abriu os cadernos eleitorais foi o pai de Ana, João Baptista de Castro.3 A 28 de maio, dia em que Carolina votou, as duas foram fotografadas junto ao local da eleição, o Clube Estefânia, para a «Ilustração Portuguesa».34 A 24 de julho, a Associação pediu o sufrágio feminino à Assembleia Constituinte.4 Quando Carolina morreu, em outubro, Ana passou a presidi-la.6

Ainda em 1911 acompanhou o marido, Paulino de Oliveira, nomeado cônsul em São Paulo.15 Durante a Grande Guerra fundou a Comissão Feminina «Pela Pátria», de onde nasceu a Cruzada das Mulheres Portuguesas.1 Morreu a 23 de março de 1935.15 Em 1976 a Câmara deu o seu nome a uma rua de Carnide.1

No arquivo

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 1905

    Ana de Castro Osório publica o primeiro manifesto feminista português
  2. 1907

    Fundação do Grupo Português de Estudos Feministas
  3. 1908

    Sufragistas na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas
  4. fev. 1909

    Fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas
  5. 26 out. 1910

    Assembleia da Liga aprova o caderno reivindicativo feminista
  6. 27 out. 1910

    A Liga pede ao Governo Provisório o divórcio, a revisão do Código Civil e o voto
  7. 3 nov. 1910

    Governo Provisório decreta a Lei do Divórcio
  8. 3 fev. 1911

    Delegação de mulheres leva a Teófilo Braga a proposta de voto feminino
  9. 28 abr. 1911

    Sentença manda recensear Carolina Beatriz Ângelo
  10. 12 maio 1911

    Fundada a Associação de Propaganda Feminista
  11. 28 maio 1911

    Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal
  12. 24 jul. 1911

    Petição da Associação de Propaganda Feminista à Constituinte
  13. jun. 1912

    Sai «A Mulher Portuguesa», revista da Associação de Propaganda Feminista
  14. 20 mar. 1916

    Criação da Cruzada das Mulheres Portuguesas

Cruzaram-se com ela

  • Carolina Beatriz Ângelo

    1878–1911

    Médica, primeira cirurgiã portuguesa e sufragista. Viúva e «chefe de família», ganhou em tribunal o direito a ser recenseada e, a 28 de maio de 1911, no Clube Estefânia, foi a primeira mulher a votar em Portugal.

  • Maria Veleda

    1871–1955

    Professora e jornalista de Faro, mãe solteira, deu aulas noturnas a mulheres analfabetas e dirigiu a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, defendendo o voto feminino sem restrições.

  • Adelaide Cabete

    1867–1935

    Médica republicana que só começou a estudar depois de casar, fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidiu-lhe mais de vinte anos e fez do seu consultório nos Restauradores a sede.

  • Virgínia Quaresma

    1882–1973

    Considerada a primeira jornalista profissional portuguesa, trabalhou em «O Século» e «A Capital», fez campanha pelo divórcio e pelo voto e abriu caminho a outras jornalistas, como Maria Lamas.

  • Sofia Quintino

    1879–1964

    Uma das primeiras médicas portuguesas, formada em Lisboa em 1905, foi feminista, republicana e livre-pensadora: esteve no Grupo Português de Estudos Feministas e na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.

  • Domitila de Carvalho

    1871–1966

    Primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, formou-se em Matemática, Filosofia e Medicina e foi professora e reitora do primeiro liceu feminino. Monárquica e conservadora, apoiante do salazarismo nascente, foi uma das três primeiras deputadas, eleitas em 1934 nas listas da União Nacional.

Notas sobre as fontes5
  • O lugar da morte: Lisboa, em sua casa, na freguesia da Sé (Wikipédia, que cita o registo de óbito), ou Setúbal (Toponímia de Lisboa).
  • O ano da fundação da Associação de Propaganda Feminista: 1911, segundo a Assembleia da República (12 de maio) e a Wikipédia, ou 1912, segundo a Toponímia de Lisboa.
  • A Comissão Feminina «Pela Pátria»: de 1914 (Wikipédia) ou de 1916 (Toponímia de Lisboa). E a Cruzada das Mulheres Portuguesas: nasceu dela (Toponímia de Lisboa) ou foi fundada por Elzira Dantas Machado, que remodelou a comissão (Wikipédia).
  • O título do manifesto de 1905: «As Mulheres Portuguesas» (Toponímia de Lisboa) ou «Às Mulheres Portuguesas» (Wikipédia).
  • Quem fundou «A Sociedade Futura»: Ana de Castro Osório (Toponímia de Lisboa) ou Olga de Moraes Sarmento e o marido, Manuel João da Silveira (Wikipédia).

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Fontes

  1. 1A feminista e republicana Ana de Castro Osório. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Almanaque Republicano (blogue) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Carolina Beatriz Ângelo. Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4O sufrágio feminino no Parlamento na 1.ª República (ComunicAR n.º 71, março de 2021). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Ana de Castro Osório. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Associação de Propaganda Feminista. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Olga de Moraes Sarmento. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026