Saltar para o conteúdo
Resistênciapor Onofriana.pt

Mulheres da resistência

Maria José Morgado

Repressãoestudante de Direitomilitante do MRPPpresa políticamagistrada do Ministério Público
Nasceu
27 de junho de 1951

Estudante de Direito e militante do MRPP, foi presa pela PIDE a 22 de outubro de 1973, interrogada na sede da Rua António Maria Cardoso e torturada em Caxias. Já magistrada do Ministério Público, voltou em 2005 à porta do edifício para pedir que fosse preservado.

Nasceu em 1951 e estudou na Faculdade de Direito de Lisboa.2 Militante do MRPP, fazia parte de um grupo de estudantes antifascistas que se reunia, distribuía panfletos, se manifestava contra a guerra colonial e deixava as suas posições escritas nas paredes. «Não tínhamos meios de espécie nenhuma, nem pistolas, nem bombas», recordou. Aos 19 anos passou à clandestinidade: um mandado de captura acusava-a de «gravíssimos crimes contra a segurança do Estado».1 Em fevereiro de 1972 foi suspensa da faculdade «por distúrbios», com José António Ribeiro Santos e José Galamba de Oliveira.4

Foi presa a 22 de outubro de 1973 — uma «belíssima manhã», recordou —, com pouco mais de 20 anos.51 Agentes da PIDE foram buscá-la à casa onde se acolhia, perto da Feira da Ladra, e levaram-na para a sede da polícia política, na Rua António Maria Cardoso. No andar dos interrogatórios — a «fase de instrução», no eufemismo da polícia — foi esbofeteada várias vezes e humilhada. No Forte de Caxias, a «instrução» continuou com cinco dias de tortura do sono e espancamentos com cavalo-marinho.1

Entrou na magistratura do Ministério Público em 1979.2 Em março de 2005, numa das visitas guiadas que a Biblioteca-Museu República e Resistência organizava à porta do antigo edifício da PIDE, recordou ali a prisão e defendeu que o lugar devia ser preservado: «Esta não é uma memória de folclore. Um ex-preso político não é um marciano.»1

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. out. 1973

    Prisão e tortura de Maria José Morgado

Cruzaram-se com ela

  • Conceição Matos

    n. 1936

    Militante comunista presa em 1965 e em 1968, sofreu na sede da PIDE alguns dos métodos de tortura mais cruéis e humilhantes aplicados a uma mulher, e nunca falou. Décadas depois, contou-o publicamente para denunciar a polícia política.

  • Diana Andringa

    n. 1947

    Jornalista e documentarista nascida em Angola. Estudante de Medicina ativa nas comissões de apoio aos presos políticos, foi presa em 1970 por contactos com os movimentos de libertação angolanos e condenada pelo Tribunal Plenário de Lisboa.

  • Helena Neves

    n. 1945

    Jornalista e militante da oposição, estava presa em Caxias quando veio o 25 de Abril. A fotografia da sua libertação, com a jornalista Elvira Nereu, saiu n'A Capital de 27 de abril de 1974.

  • Helena Pato

    n. 1939

    Dirigente estudantil na crise académica de 1962, foi presa em 1967 e sofreu em Caxias um longo isolamento, agressões e tortura do sono. Mais tarde dirigiu o movimento Não Apaguem a Memória.

  • Isabel do Carmo

    n. 1940

    Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.

  • Maria Antónia Fiadeiro

    1942–2023

    Jornalista, filha de Stella Piteira Santos, presa pela PIDE em 1962 e em 1972. Depois do 25 de Abril, como chefe de redação, deu à «Modas e Bordados» uma linha feminista e convidou Maria Lamas para diretora honorária; em 1984 escreveu «Aborto – O Crime Está na Lei».

Notas sobre as fontes3
  • O dia de nascimento, 27 de junho de 1951, só aparece na Wikidata; a CIG dá apenas o ano, e nenhuma das fontes diz onde nasceu.
  • Quanto tempo esteve presa e se só foi libertada com o 25 de Abril.
  • O andar dos interrogatórios: «o quarto andar», no relato ao Jornal de Notícias; o terceiro piso, segundo as outras fontes sobre a sede da PIDE — talvez uma diferença na maneira de contar os pisos.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1À soleira da porta da Pide. Jornal de Notícias (13/3/2005) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Maria José Capelo Rodrigues Morgado. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 3 de outubro de 2026