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Resistênciapor Onofriana.pt

Mulheres da resistência

Arajaryr Campos

Arajaryr Canto Moreira Campos

Repressãosecretária de Humberto Delgadooposicionista no exílioassassinada pela PIDE
Nasceu
25 de agosto de 1930, Rio de Janeiro (Brasil)
Morreu
13 de fevereiro de 1965, perto de Badajoz (Espanha)

Brasileira, secretária e companheira de exílio de Humberto Delgado, foi assassinada com ele por uma brigada da PIDE perto de Badajoz, a 13 de fevereiro de 1965, aos 34 anos.

Nasceu no Rio de Janeiro a 25 de agosto de 1930. Cerca de um ano depois da fraude eleitoral de 1958 começou a trabalhar como secretária de Humberto Delgado, então exilado no Brasil.1 Quando Delgado partiu para tentar derrubar a ditadura, deixou-lhe uma procuração para o representar no Brasil, mas ela acabou por acompanhá-lo. Entraram clandestinamente em Portugal nos últimos dias de 1961, nas vésperas da revolta de Beja, e voltaram a sair depois de o golpe falhar.1

Seguiram-se Praga, onde Delgado fez tratamentos, e a Argélia, onde se instalaram quando se criou a Frente Patriótica de Libertação Nacional.1 A PIDE preparou-lhes uma cilada, a «Operação Outono»: a pretexto de um encontro com militares da oposição, que eram afinal agentes da polícia política, Delgado e Arajaryr foram atraídos a Espanha, para perto de Badajoz. Foram assassinados a 13 de fevereiro de 1965 por Ernesto Lopes Ramos, António Rosa Casaco, Agostinho Tienza e Casimiro Monteiro; ela tinha 34 anos.12 Os corpos só foram encontrados em abril, junto a um caminho conhecido por «Los Malos Pasos», perto da fronteira portuguesa.1

Lugares

Na cronologia

  1. 1 jan. 1962

    Revolta de Beja
  2. 13 fev. 1965

    PIDE assassina Humberto Delgado e Arajaryr Campos

Cruzaram-se com ela

  • Humberto Delgado

    1906–1965

    O «general sem medo»: homem do regime que passou à oposição, candidatou-se à Presidência em 1958, respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar e arrastou multidões. A PIDE assassinou-o em 1965.

  • Manuel Serra

    1931–2010

    Antigo dirigente da Juventude Operária Católica, foi a «alma civil» da Revolta da Sé, em 1959, e o líder civil da revolta de Beja, em 1962. Esteve 11 anos preso e foi torturado.

  • Maria Barroso

    1925–2015

    Atriz que dizia poesia contra o regime, foi candidata da oposição em 1969 e a única mulher a falar na abertura do Congresso de Aveiro, em 1973. Esteve na fundação do Partido Socialista e, a 28 de abril de 1974, acompanhou Mário Soares no comboio que o trouxe do exílio até Santa Apolónia.

  • Mário Soares

    1924–2017

    Secretário-geral do PS, regressou do exílio a 28 de abril de 1974 e foi recebido por uma multidão em Santa Apolónia. Em 1975 enfrentou o PCP no caso República e no comício da Fonte Luminosa; em 1976 chefiou o I Governo Constitucional.

  • Sophia de Mello Breyner Andresen

    1919–2004

    Poeta. Viveu na Graça de 1951 até morrer, escreveu a «Cantata da Paz» para a vigília de São Domingos, ajudou a fundar a comissão de socorro aos presos políticos e foi deputada constituinte. «Esta é a madrugada que eu esperava» é dela.

Notas sobre as fontes2
  • O lugar exato da emboscada: perto de Badajoz, segundo o Museu do Aljube; perto de Olivença, segundo o Panteão Nacional (ver Humberto Delgado).
  • Onde estão hoje os seus restos mortais: as fontes só dão a trasladação de Humberto Delgado, para Lisboa em 1975 e para o Panteão Nacional em 1990.

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Fontes

  1. 1Arajaryr Canto Moreira Campos (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Humberto da Silva Delgado (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026