Santa Maria Maior
Teatro Nacional D. Maria II
O teatro nacional, no Rossio. Maria Barroso estreou-se aqui em 1944 e foi a «Benilde» de José Régio; em 1948, uma ordem da polícia e do Ministério da Educação tirou-a deste palco. A companhia que o geria trabalhou sob a censura até ao incêndio de 1964.
O Teatro Nacional abriu a 13 de abril de 1846, no dia do 27.º aniversário da rainha que lhe deu o nome. A ideia de um teatro nacional fora encomendada a Almeida Garrett por Passos Manuel, e o edifício ergueu-se no sítio do Palácio dos Estaus, a antiga sede da Inquisição, que um incêndio destruíra em 1836. Com a República passou a chamar-se Teatro Nacional Almeida Garrett; voltou a ser D. Maria II em 1939.1
De 1929 a 1964 — quase todo o Estado Novo — o teatro esteve entregue à companhia de Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, a concessão mais longa da sua história. A companhia viveu, nas palavras do próprio teatro, num «equilíbrio instável com o regime»: um comissário da censura tinha a última palavra sobre cada peça, e textos como «Felizmente há luar!» e «O Motim» foram proibidos.1
Foi nesta companhia que Maria Barroso se estreou, em 1944, e foi a protagonista de «Benilde ou a Virgem Mãe», de José Régio, em 1947.2 Ao mesmo tempo dizia, em recitais por todo o país, os poetas da oposição. Em 1948, uma ordem «vinda da polícia e do Ministério da Educação» afastou-a do D. Maria II; Amélia Rey Colaço considerou-o um golpe fatal, que atingia o coração do teatro.43
Em 1964, horas depois de uma récita de «Macbeth», um incêndio destruiu o edifício; ficaram as paredes, o Salão Nobre e o arquivo. Reconstruído com a traça antiga, o teatro reabriu a 11 de maio de 1978, e peças proibidas décadas antes, como «Felizmente há luar!», puderam por fim subir a este palco. A «Mãe Coragem», de Brecht, que Amélia Rey Colaço quisera pôr em cena contra a censura, estreou em 1986, numa coprodução do teatro, com Eunice Muñoz; a escritora Agustina Bessa-Luís foi diretora artística de 1990 a 1993.1
Em 1979, o diretor do teatro, Lima de Freitas, encomendou a Natália Correia uma peça para o quarto centenário da morte de Camões. Ela entregou «Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente» em junho de 1980, mas o secretário de Estado da Cultura cortou o financiamento e a peça não foi produzida no Teatro Nacional; só subiu a um palco em 1988, pela mão da Fundação Calouste Gulbenkian.5
Nos percursos
Onde fica
Mapa com a localização de Teatro Nacional D. Maria II.
Datas
13 de abril de 1846
Abre o Teatro Nacional D. Maria II.
1929
Começa a concessão à companhia de Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro (até 1964).
1944
Maria Barroso estreia-se no Teatro Nacional.
1947
Maria Barroso é a protagonista de «Benilde ou a Virgem Mãe», de José Régio.
1948
Maria Barroso é afastada do teatro por ordem da polícia e do Ministério da Educação.
1964
Um incêndio destrói o edifício; ficam as paredes, o Salão Nobre e o arquivo.
11 de maio de 1978
O teatro reabre, reconstruído.
junho de 1980
Natália Correia entrega a peça que o teatro lhe encomendara; não chega a ser produzida aqui.
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Notas sobre as fontes2
- Quando e porque foi Maria Barroso afastada do teatro: em 1948, por ordem da polícia e do Ministério da Educação, segundo a Fundação Mário Soares e Maria Barroso e o Centro Nacional de Cultura (que segue a biografia de Leonor Xavier); a Assembleia da República diz que foi acusada de declamar poesia subversiva; a Wikipédia em inglês situa o afastamento por volta de 1946, depois de uma récita de «A Casa de Bernarda Alba» em Coimbra.
- O dia do incêndio de 1964, que a página de história do teatro não dá.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1História. Teatro Nacional D. Maria II — consultado a 3 de outubro de 2026
- 2A vida de Maria Barroso, em momentos (cronologia). Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 3 de outubro de 2026
- 3Biografia de Maria Barroso. Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4Guilherme d'Oliveira Martins, A vida dos livros, de 19 a 25 de maio de 2025 (no centenário de Maria Barroso, a partir de «Um Olhar sobre a Vida», de Leonor Xavier). Centro Nacional de Cultura (blogue e-cultura), 2025 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 5O Essencial sobre Natália Correia (Luiz Fagundes Duarte). Imprensa Nacional, 2024 — consultado a 2 de outubro de 2026
- 6Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (way 77473968, Nominatim), consultado a 3 de outubro de 2026.

