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Resistênciapor Onofriana.pt
Fotografia a preto e branco de uma mulher de cabelo escuro e volumoso, a sorrir, com uma camisola de padrão quadriculado sobre uma blusa de gola branca e as mãos juntas à frente do peito; ao fundo, uma tapeçaria estampada.
Roland Gerrits / Anefo, CC BY-SA 3.0 NL

Mulheres da resistência

Maria de Lourdes Pintasilgo

Maria de Lourdes Ruivo da Silva Pintasilgo

Revoluçãoengenheira químicaprocuradora à Câmara Corporativaministra dos Assuntos Sociaisprimeira-ministra (1979–1980)fundadora da Comissão da Condição Feminina
Nasceu
18 de janeiro de 1930, Abrantes
Morreu
10 de julho de 2004, Lisboa

Engenheira e católica progressista, preparou desde 1970 o que viria a ser a Comissão da Condição Feminina, foi ministra dos Assuntos Sociais em 1974–1975 e a única mulher a chefiar um governo em Portugal (1979–1980).

Nasceu em Abrantes a 18 de janeiro de 1930.2 Licenciou-se em 1953 em Engenharia Químico-Industrial no Instituto Superior Técnico, num curso de 250 alunos com apenas três mulheres; trabalhou na Junta de Energia Nuclear e na CUF, que pela primeira vez admitiu uma mulher nos quadros técnicos superiores. Presidiu à Juventude Universitária Católica Feminina e à Pax Romana, e fundou em Portugal o movimento Graal.67

Em 1969 recusou o convite de Marcelo Caetano para ser deputada, mas aceitou ser procuradora à Câmara Corporativa, onde votou vencida pareceres como o da liberdade de imprensa.2 A partir de 1970 coordenou, no Ministério das Corporações, um grupo de trabalho sobre a política para as mulheres, que em 1973 deu a Comissão para a Política Social relativa à Mulher e, em 1975, a Comissão da Condição Feminina.3 Em 1974 prefaciou a segunda edição das «Novas Cartas Portuguesas».7

Depois do 25 de Abril foi secretária de Estado da Segurança Social e ministra dos Assuntos Sociais nos II e III Governos Provisórios, entre julho de 1974 e março de 1975; introduziu o princípio da universalidade das prestações sociais.6 Foi depois embaixadora junto da UNESCO.2

A convite do Presidente Ramalho Eanes, chefiou o V Governo Constitucional, de 1 de agosto de 1979 a 3 de janeiro de 1980 — a primeira e até hoje única primeira-ministra portuguesa.5 Uma das adjuntas do secretário de Estado da Cultura desse governo foi Maria Velho da Costa.9 Candidatou-se à Presidência da República em 1986 e morreu em Lisboa a 10 de julho de 2004.1

No arquivo

  • A professora Isabel Allegro de Magalhães fala do tempo que partilhou com Maria de Lourdes Pintasilgo, num testemunho recolhido para a exposição «Maria de Lourdes Pintasilgo. Mulher de um Tempo Novo», no Palácio de Belém (maio a outubro de 2022). Há no mesmo canal testemunhos de Lídia Jorge, Leonor Beleza, Maria Elisa Domingues e outros.

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    Museu da Presidência da República, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Na cronologia

  1. 1970

    Pintasilgo lidera o primeiro grupo de trabalho sobre a mulher
  2. maio 1971

    Grupo de Trabalho para a Participação das Mulheres na Vida Económica e Social
  3. 1973

    Criada a Comissão para a Política Social relativa à Mulher
  4. maio 1974

    Maria de Lourdes Pintasilgo, secretária de Estado da Segurança Social
  5. 16 maio 1974

    Toma posse o I Governo Provisório, de Palma Carlos
  6. 18 jul. 1974

    Maria de Lourdes Pintasilgo, Ministra dos Assuntos Sociais
  7. 1 fev. 1975

    Criada a Comissão da Condição Feminina
  8. 17 nov. 1977

    Decreto-Lei n.º 485/77 institucionaliza a Comissão da Condição Feminina
  9. 1 ago. 1979

    Maria de Lourdes Pintasilgo, primeira mulher primeira-ministra
  10. 26 jan. 1986

    Pintasilgo, primeira mulher candidata à Presidência da República
  11. 1999

    Maria de Belém, Ministra para a Igualdade

Cruzaram-se com ela

  • Mário Soares

    1924–2017

    Secretário-geral do PS, regressou do exílio a 28 de abril de 1974 e foi recebido por uma multidão em Santa Apolónia. Em 1975 enfrentou o PCP no caso República e no comício da Fonte Luminosa; em 1976 chefiou o I Governo Constitucional.

  • Álvaro Cunhal

    1913–2005

    Dirigente comunista, foi preso em 1949 e fugiu da Fortaleza de Peniche em 1960. Secretário-geral do PCP, regressou do exílio a 30 de abril de 1974 e falou à multidão no aeroporto de cima de uma chaimite.

  • Maria Velho da Costa

    1938–2020

    Romancista de «Maina Mendes» e «Casas Pardas», foi ela quem lançou às outras duas Marias a pergunta que deu origem às «Novas Cartas Portuguesas». Recebeu o Prémio Camões em 2002.

Notas sobre as fontes4
  • A data em que assumiu a presidência da Comissão para a Política Social relativa à Mulher (novembro de 1973, segundo a Wikipédia).
  • Se foi a primeira mulher ministra em Portugal, como é muitas vezes dito: nem o Arquivo Pintasilgo nem a Wikipédia o afirmam.
  • A data exata da posse como secretária de Estado (maio de 1974).
  • Um lugar de Lisboa com morada documentada ligado à sua ação nos anos 1970 (o ministério, a Comissão da Condição Feminina).

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Maria de Lourdes Pintasilgo faleceu há quinze anos (julho de 2019). CIG — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3História da CIG. Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Maria de Lourdes Pintasilgo. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5V Constitutional Government of Portugal. Wikipédia (inglês) — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Maria de Lourdes Ruivo da Silva Matos Pintasilgo – nota biográfica. Arquivo Maria de Lourdes Pintasilgo / Fundação Cuidar o Futuro — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Biografia de Maria de Lurdes Pintassilgo. RTP Ensina — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Maria de Lourdes Pintasilgo (Q235916). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Morreu a escritora Maria Velho da Costa, uma das autoras das Novas Cartas Portuguesas (23/5/2020). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026