Oposiçãomédicadirigente estudantil (crise de 1962)cofundadora do Movimento Democrático de Mulheresfundadora das Brigadas Revolucionárias e do PRPpresa política
Nasceu
12 de setembro de 1940, Barreiro
Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.
Nasceu no Barreiro em 1940, filha de um militante comunista. Esteve no MUD Juvenil e nas campanhas de Arlindo Vicente e Humberto Delgado, em 1958, e aos 18 anos entrou para o PCP.1 Na crise académica de 1962 integrou a Comissão Pró-Associação de Medicina; segundo um relatório da PIDE, foi a primeira mulher a usar da palavra num plenário, no Estádio Universitário, onde falou de uma «Nação Livre» e propôs oferecer flores à polícia.2
Esteve na fundação do Movimento Democrático de Mulheres e na Comissão Democrática Eleitoral de Lisboa. Em 1969–1970 rompeu com o PCP por causa da luta armada e fundou, com Carlos Antunes, as Brigadas Revolucionárias; em 1973, o Partido Revolucionário do Proletariado, e passou à clandestinidade.1 A primeira ação das Brigadas foi uma bomba na base da NATO da Fonte da Telha, a 7 de novembro de 1971.3 Quando da vigília da Capela do Rato, as Brigadas, «chefiadas por Carlos Antunes e Isabel do Carmo», foram chamadas a divulgá-la em Lisboa.9
A PIDE/DGS prendeu-a em 1970 e de novo em 1972, depois do assassinato de Ribeiro Santos; o seu testemunho ao Museu do Aljube fala de isolamento, interrogatórios e tortura em Caxias.1
Depois do 25 de Abril dirigiu o jornal Revolução. Em 1978 foi presa e julgada pela autoria moral de ações armadas, de que viria a ser ilibada.8 Licenciada e doutorada pela Faculdade de Medicina de Lisboa, onde foi professora, fez o primeiro estudo da prevalência da obesidade em Portugal. Em 2004, nos 30 anos do 25 de Abril, recebeu a Ordem da Liberdade.8
No arquivo
Documentário montado por Sofia Gomes para a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», com excertos dos testemunhos que o Museu do Aljube recolhe desde 2015: dezasseis mulheres falam da resistência à ditadura e da luta pelos direitos das mulheres. Esta versão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa; a versão sem LGP está no mesmo canal (XmUbNbnHgKg, 2022).
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Isabel do Carmo, num testemunho recolhido pelo Museu do Aljube a 24 de abril de 2019. As palavras-chave do museu incluem o movimento estudantil, a clandestinidade, a luta armada, a prisão, a tortura e o isolamento em Caxias, e a prisão depois do 25 de Abril.
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Publicado no Dia Internacional da Mulher de 2024, recorda a crise académica de 1962 e o movimento estudantil contra a ditadura pela voz de três mulheres que nele participaram: Manuela Tavares, Maria Emília Brederode Santos e Isabel do Carmo.
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Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Estudante de Direito, assistiu ao assassinato de Ribeiro Santos em 1972. Presa em 1973, foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política em Caxias, e nunca falou.
Jornalista e militante da oposição, estava presa em Caxias quando veio o 25 de Abril. A fotografia da sua libertação, com a jornalista Elvira Nereu, saiu n'A Capital de 27 de abril de 1974.
Estudante de Direito de 26 anos, morto a tiro por um agente da PIDE/DGS num «meeting contra a repressão» no ISCEF, a 12 de outubro de 1972. O funeral foi uma das maiores manifestações contra a ditadura na sua fase final.
Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.
Educadora e católica progressista, foi ela quem, ao microfone da Capela do Rato, anunciou a vigília de 30 de dezembro de 1972 contra a guerra colonial. Presa pela PIDE/DGS em dezembro de 1973 e torturada, só saiu de Caxias a 26 de abril de 1974.
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Notas sobre as fontes4
O grau da Ordem da Liberdade: comendadora (CIG) ou grande-oficial (Wikipédia); o Museu do Aljube diz apenas «condecorada».
O tempo de prisão depois de 1978: libertada em 1982, segundo o Museu do Aljube; «cerca de quatro anos (1978-1984)», segundo a CIG.
O ano de fundação do MDM: 1968 (Museu do Aljube, nesta biografia) ou 1969 (biografia de Helena Pato).
As datas e os lugares exatos das prisões de 1970 e de 1972.