Ruas das feministas republicanas na Quinta dos Condes de Carnide
A primeira urbanização de Lisboa com nomes só de mulheres: em 1976, as ruas novas da Quinta dos Condes de Carnide receberam os nomes de Maria Veleda, Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Guiomar Torresão; em 1978 vieram mais quatro, entre elas Manuela Porto.
Hoje: Rua Adelaide Cabete, Rua Ana de Castro Osório e Rua Maria VeledaHá uma marca no localLocalização aproximada
Em 1976, Maria de Lourdes Pais Guerreiro da Franca escreveu à Câmara, com uma petição de algumas dezenas de assinaturas, a pedir uma rua para Maria Veleda. A 15 de junho, a Comissão Municipal de Toponímia lembrou que à obra de Maria Veleda, fundadora da Obra Maternal, estavam «intimamente ligados» os nomes de Ana de Castro Osório e Adelaide Cabete, e propôs os três para as ruas ainda sem nome da urbanização da Quinta dos Condes de Carnide, com o da escritora Guiomar Torresão.1 O edital de 19 de junho de 1976 fez desta a primeira urbanização de Lisboa com nomes exclusivamente de mulheres.3
Ficaram a Rua Ana de Castro Osório (Rua B), a Rua Adelaide Cabete (Impasse 1), a Rua Maria Veleda (Impasses 3 e 4) e a Rua Guiomar Torresão (Rua E). Um edital de 31 de janeiro de 1978 acrescentou a Rua Maria Brown, a Rua Públia Hortênsia de Castro, a Rua Adelaide Félix e a Rua Manuela Porto.2 As legendas trazem erros: a proposta da comissão dava a Adelaide Cabete as datas «1877 – 1935», e ela nasceu em 1867; a placa de Maria Veleda diz «1871-1951», e ela morreu em 1955.123
Eram mulheres da passagem do século XIX para o XX.1 Ana de Castro Osório publicou em 1905 «As Mulheres Portuguesas», o primeiro manifesto feminista português, e fundou em 1909 a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.1 Adelaide Cabete, médica, fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a que presidiu durante mais de vinte anos.2 Maria Veleda, escritora e professora, presidia em 1907 ao grupo feminista que dava cursos noturnos a mulheres analfabetas, e em 1911 presidiu à Liga.3
Hoje: Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA, no Quartel da Pontinha
Num anexo deste quartel funcionou, de 24 a 26 de abril de 1974, o Posto de Comando do MFA. Daqui Otelo Saraiva de Carvalho dirigiu as operações, e para aqui foi trazido Marcelo Caetano depois de se render. Hoje é núcleo museológico.
A cantina da Cidade Universitária, aberta em 1961, foi o palco da greve de fome de maio de 1962: 81 estudantes recusaram comer, centenas juntaram-se-lhes, e na madrugada de 11 de maio a polícia cercou-a e prendeu-os um a um.
Na crise académica de 1962, o reitor era Marcelo Caetano: da varanda da Reitoria defendeu a autonomia da universidade e, quando o Governo voltou a proibir o Dia do Estudante, demitiu-se. O terreiro em frente encheu-se de plenários de estudantes.
Hoje: Cidade Universitária – Universidade de Lisboa
Aqui começou a crise académica de 1962: proibido o Dia do Estudante, a 24 de março, a polícia de choque carregou sobre os estudantes. Nos plenários que se seguiram, Isabel do Carmo foi a primeira mulher a tomar a palavra.
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Notas sobre as fontes1
O texto atual das placas da Rua Adelaide Cabete e da Rua Ana de Castro Osório (se a de Adelaide Cabete repete o erro «1877»).