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O Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, em junho de 2014. Albarubescens, CC BY-SA 4.0

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Fachada neoclássica branca com uma escadaria larga, colunata e frontão triangular ao centro e a bandeira portuguesa no alto, sob céu azul com nuvens.
O Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, em junho de 2014. Albarubescens, CC BY-SA 4.0

Estrela

Palácio de São Bento

O parlamento onde, em 1911, se recusou o voto às mulheres e onde, em 1975–76, vinte e sete deputadas ajudaram a escrever a Constituição que proíbe discriminar em razão do sexo. Sophia de Mello Breyner Andresen presidiu aqui à comissão do preâmbulo.

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Antigo mosteiro beneditino, o palácio é a sede do parlamento desde 1834.1

Em 1911, a Assembleia Constituinte da nova República mal falou do voto das mulheres. A 24 de julho deu entrada uma petição da Associação de Propaganda Feminista a pedi-lo; dois dias depois, foi eliminado do projeto o artigo sobre os direitos civis e políticos da mulher, e Bernardino Machado declarou que a matéria «não é constitucional». Em 1912, no Senado, um senador defendeu que «mulher feia a valer de cara é feia em inteligência». A lei eleitoral de 1913 passou a dar o voto só aos cidadãos «do sexo masculino» — fechando a porta que Carolina Beatriz Ângelo tinha aberto.2

As primeiras deputadas chegaram em 1935, já no Estado Novo, eleitas nas listas do partido único: Domitila de Carvalho, Maria Cândida Parreira e Maria Guardiola. Ficaram sobretudo nas comissões de trabalho, assistência e educação, assuntos «mais ligados aos interesses da mulher».3

Nas eleições de 25 de abril de 1975, as primeiras livres, foram eleitas vinte mulheres para a Assembleia Constituinte, num total de 250 deputados; com renúncias e substituições, vinte e sete chegaram a ter assento, entre elas Maria Alda Nogueira, Helena Roseta e Sophia de Mello Breyner Andresen. Só seis integraram comissões, e só uma presidiu a uma: Sophia, à da redação do preâmbulo. Os homens eram tratados por «Sr. Deputado»; as mulheres, muitas vezes, por «minha senhora».4

A 12 de novembro de 1975, uma manifestação de trabalhadores da construção civil cercou o palácio e reteve os deputados durante cerca de 36 horas.5 A Constituição foi aprovada a 2 de abril de 1976. O artigo 13.º proíbe privilegiar ou prejudicar alguém em razão do sexo; o 36.º dá aos cônjuges direitos e deveres iguais.6

Maria Alda Nogueira, que cumprira quase dez anos de prisão política, presidiu mais tarde à Comissão Parlamentar da Condição Feminina; o seu busto está no claustro do palácio.7

Nos percursos

No arquivo

  • Peça curta da série «Cápsula do Tempo», do Parlamento, dedicada às mulheres na Assembleia Constituinte de 1975–1976.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Assembleia da República

    Assembleia da República, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

  • Evocação, pelo Parlamento, da sessão inaugural da Assembleia Constituinte, aberta às 16h12 de 2 de junho de 1975 pelo presidente interino Henrique de Barros. Acompanha os trabalhos até à aprovação da Constituição, a 2 de abril de 1976.

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Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Onde fica

Mapa com a localização de Palácio de São Bento.

Palácio de São BentoPalácio de São Bento, Largo das Cortes, Lisboa

Datas

  1. 24 de julho de 1911

    Entra a petição da Associação de Propaganda Feminista pelo voto.

  2. 26 de julho de 1911

    A Constituinte elimina o artigo sobre os direitos civis e políticos da mulher.

  3. 3 de julho de 1913

    A lei eleitoral reserva o voto aos homens.

  4. 16 de dezembro de 1934

    Eleição das três primeiras deputadas.

  5. 25 de abril de 1975

    Eleição da Assembleia Constituinte: vinte deputadas em 250.

  6. 2 de junho de 1975

    Sessão inaugural da Assembleia Constituinte.

  7. 12 de novembro de 1975

    Cerco ao palácio por trabalhadores da construção civil.

  8. 2 de abril de 1976

    Aprovação da Constituição.

  9. 3 jul. 1912

    Socialistas e republicanas pedem o voto ao Senado
  10. 28 maio 1926

    Golpe militar de 28 de Maio põe fim à I República
  11. 11 jan. 1935

    Abre a Assembleia Nacional, com as primeiras três deputadas
  12. 28 maio 1946

    Lei n.º 2015 alarga o voto a algumas mulheres casadas
  13. 27 set. 1968

    Marcelo Caetano sucede a Salazar na chefia do Governo
  14. 16 ago. 1971

    Revisão constitucional de 1971 promete «maior autonomia» às colónias
  15. 14 mar. 1974

    «Brigada do Reumático» e demissão de Spínola e Costa Gomes
  16. 25 abr. 1974

    A Assembleia Nacional reúne pela última vez, sem quórum
  17. 14 maio 1974

    Extintas a Assembleia Nacional e a Câmara Corporativa
  18. 25 abr. 1976

    Primeiras eleições legislativas
  19. nov. 1977

    Revisão do Código Civil acaba com o «chefe de família»
  20. 2 mar. 1982

    Primeiro debate parlamentar sobre o aborto e o poema de Natália Correia
  21. 11 maio 1984

    Lei n.º 6/84 despenaliza a interrupção da gravidez em alguns casos
  22. 21 jun. 2011

    Assunção Esteves, primeira mulher Presidente da Assembleia da República
  23. 7 mar. 2025

    Parlamento evoca 50 anos do voto universal das mulheres

Pessoas ligadas a este lugar

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    Hoje: ISEG – Lisbon School of Economics & Management

    Num anfiteatro pré-fabricado desta escola, a 12 de outubro de 1972, um agente da DGS matou a tiro o estudante de Direito José António Ribeiro Santos, durante um «meeting contra a repressão». Na sala estava Aurora Rodrigues.

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    Cultura e censuraRepressãoColonialismo
Notas sobre as fontes4
  • As fontes da Assembleia da República sobre 1911–1913 falam da Constituinte, do Senado e da Câmara dos Deputados sem nomear o edifício; que funcionavam em São Bento vem da Wikipédia.
  • O fim do cerco de 1975: 36 horas a partir de 12 de novembro (Assembleia da República); a RTP diz que os deputados saíram ao fim da manhã de 13.
  • A data da primeira sessão com as três deputadas (janeiro de 1935).
  • Se o claustro com o busto de Maria Alda Nogueira se pode visitar, e em que condições.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Palácio de São Bento. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2O sufrágio feminino no Parlamento na 1.ª República (ComunicAR n.º 71, março de 2021). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47). Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4As mulheres na Constituinte de 1975-1976. Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5O cerco ao Palácio de São Bento (12/13 de novembro). Assembleia da República – Comunicar — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Constituição da República Portuguesa – texto originário, aprovado em 2 de abril de 1976. Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8As mulheres na Constituinte 1975-1976 (Ana Vargas e Teresa Fonseca). Assembleia da República – revista Comunicar, n.º 87 — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Natália Correia. Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Natália Correia fez mesmo uma intervenção no Parlamento contra o deputado João Morgado do CDS-PP baseada neste poema?. Polígrafo (SAPO) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Interrupção Voluntária da Gravidez – trabalhos comparados (dossier de informação). Assembleia da República – Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Maria Alda Nogueira. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  13. 13Carolina Beatriz Ângelo. Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  14. 14Primeira República — Sinopse da Legislação Eleitoral (Materiais para a História Eleitoral e Parlamentar Portuguesa, 1820-1926). Biblioteca Nacional de Portugal — consultado a 2 de outubro de 2026
  15. 15O voto das mulheres em Portugal (Irene Flunser Pimentel, 29/9/2013). jugular (blogue, SAPO) — consultado a 2 de outubro de 2026
  16. 16Domitila de Carvalho. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  17. 17A construção da democracia (1974-1976). Assembleia da República – Comunicar — consultado a 2 de outubro de 2026
  18. 18A eleição da Assembleia Constituinte. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  19. 19Abertura solene da Assembleia Constituinte. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  20. 20Cerco à Assembleia Constituinte – Parte 1. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  21. 21Cerco à Assembleia Constituinte – Parte 2. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.