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Resistênciapor Onofriana.pt

Mulheres da resistência

Stella Piteira Santos

Maria Stella Bicker Correia Ribeiro Piteira Santos

Repressãoativista feminista e antifascistapresa políticaexilada na Argélialocutora da Rádio Voz da Liberdade
Nasceu
1 de junho de 1917, Portimão
Morreu
22 de janeiro de 2009, Lisboa

Uma das primeiras associadas da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ajudou refugiados judeus durante a guerra. Presa e torturada pela PIDE em 1962, exilou-se na Argélia e foi, em Argel, a primeira voz feminina da Rádio Voz da Liberdade.

Nasceu em Portimão em 1917.2 Começou a atividade política em 1934, a ajudar amigos do PCP: datilografava atas e levava textos para a imprensa clandestina.1 Nesse ano, aos 17 anos, casou com Inácio Fiadeiro, estudante de Direito e militante comunista; tiveram dois filhos, António e Maria Antónia Fiadeiro.2 Em maio de 1938, com o marido e outros militantes do PCP, ajudou a organizar a fuga do dirigente comunista Francisco de Paula Oliveira, o «Pavel», da enfermaria da cadeia do Aljube, onde estava internado, gravemente doente; depois, o casal escondeu-o em casa.2

Foi uma das primeiras associadas da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudou refugiados judeus, sobretudo da Alemanha, a chegar a Lisboa. Entrou depois no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, e começou a apoiar as famílias dos presos políticos.1

A PIDE prendeu-a a 15 de fevereiro de 1962. Esteve quase dois meses em Caxias, onde foi torturada, numa cela com Alda Nogueira, Sofia Ferreira e Cândida Ventura.21 Exilou-se depois na Argélia com o segundo marido, Fernando Piteira Santos, com quem casara em 1948.12 Em Argel foi a primeira mulher locutora da Rádio Voz da Liberdade, criada em 1963, e lá trabalhou até 1974.2 Era a sua voz que abria as emissões: «Amigos, companheiros e camaradas, daqui fala a Rádio Voz da Liberdade, em nome da Frente Patriótica de Libertação Nacional».1

Regressou a Portugal a 2 de maio de 1974.2 Morreu em Lisboa em 2009.12

No arquivo

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 10 nov. 1935

    Constituição da Associação Feminina Portuguesa para a Paz
  2. 15 fev. 1962

    Prisão de Stella Piteira Santos

Cruzaram-se com ela

  • Maria Alda Nogueira

    1923–1998

    Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.

  • Maria Lamas

    1893–1983

    Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

  • Manuela Porto

    1908–1950

    Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.

  • Isabel Aboim Inglez

    1902–1963

    Professora e feminista, primeira mulher na Comissão Central do MUD, a quem José Gomes Ferreira chamou «a Indomável». O regime fechou-lhe o colégio, tirou-lhe o ensino e prendeu-a várias vezes.

  • Sofia Ferreira

    1922–2010

    Filha de trabalhadores agrícolas de Alhandra, foi presa com Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro em 1949 e de novo em 1959, e passou mais de treze anos nas prisões da ditadura.

  • Domingos Abrantes

    n. 1936

    Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.

Notas sobre as fontes2
  • Vêm só da Wikipédia: a ajuda na fuga de «Pavel» do Aljube (maio de 1938), a data da prisão (15 de fevereiro de 1962), a passagem por Caxias, o pormenor de ter sido a primeira mulher locutora da Rádio Voz da Liberdade e o dia do regresso a Portugal (2 de maio de 1974). A CIG diz apenas que foi presa e torturada «em Lisboa» e que era a voz da rádio.
  • Em que sede do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas militou: a dos Restauradores ou a das Amoreiras, para onde o Conselho se mudou em 1946. A Wikipédia situa a sua entrada depois de julho de 1946; a CIG não dá data.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Stella Piteira Santos. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026