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Resistênciapor Onofriana.pt
O antigo Aljube, hoje Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, na Rua de Augusto Rosa, em maio de 2017. Ardfern, CC BY-SA 4.0

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Edifício alto e branco de muitas janelas pequenas, numa rua inclinada e estreita, ao fim da tarde, sob céu azul-escuro.
O antigo Aljube, hoje Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, na Rua de Augusto Rosa, em maio de 2017. Ardfern, CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Cadeia do Aljube

Ao lado da Sé, foi cadeia política de 1928 a 1965 — a das celas de isolamento a que os presos chamavam «curros» ou «gavetas». Desde 2015 é o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.

Hoje: Museu do Aljube – Resistência e LiberdadeHá uma marca no localNum percurso
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O nome vem do árabe al-jubb — poço sem água, cisterna, masmorra. Segundo o museu, o edifício, junto à Sé, remonta aos períodos romano e islâmico e foi quase sempre uma prisão: cárcere eclesiástico, prisão de mulheres e, por fim, prisão política.1

Em 1928, dois anos depois do golpe de 28 de Maio, o Aljube passou a receber presos políticos — só homens. Em 1934 ficou sob administração direta da polícia política (a PVDE) e serviu sobretudo para presos preventivos, que ali esperavam a instrução do processo, o julgamento ou a deportação. Era daqui que muitos seguiam para os interrogatórios na sede da polícia, na Rua António Maria Cardoso.2

A partir de 1943 construíram-se no segundo andar treze celas de isolamento, os «curros»: cerca de um metro de largura, semiobscuridade permanente, um catre que, descido, impedia o preso de se mexer, e duas portas — uma gradeada e outra de madeira com postigo. Nos primeiros meses de incomunicabilidade, que podiam chegar a seis, o preso não tinha papel, livros, jornais nem relógio. Havia ainda uma cela disciplinar sob as escadas, às escuras e a pão e água.3

Passaram por aqui, entre muitos outros, o pintor José Dias Coelho (preso em 1949, dez dias incomunicável), Domingos Abrantes (meses nos curros em 1959) e o dirigente comunista Militão Ribeiro (preso em 1942). Vários presos adoeceram e morreram depois de passarem pela enfermaria do Aljube.4

As mulheres presas pela polícia política não ficavam aqui: iam para a Cadeia das Mónicas, na Graça, e a partir de 1938 para o Reduto Norte do Forte de Caxias.

Em 1963, um relatório da Amnistia Internacional e a visita do britânico Lord Russell of Liverpool deram projeção internacional às condições da cadeia. Fechou em agosto de 1965, e os presos foram transferidos para Caxias.2

O Museu do Aljube – Resistência e Liberdade abriu a 25 de abril de 2015. No segundo piso evoca-se o isolamento nos curros; no terceiro, quem morreu às mãos do sistema repressivo. Em 2021, o antigo parlatório recebeu a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», que hoje circula como exposição itinerante.56

Nos percursos

No arquivo

  • Documentário montado por Sofia Gomes para a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», com excertos dos testemunhos que o Museu do Aljube recolhe desde 2015: dezasseis mulheres falam da resistência à ditadura e da luta pelos direitos das mulheres. Esta versão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa; a versão sem LGP está no mesmo canal (XmUbNbnHgKg, 2022).

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial do Museu do Aljube

    Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

  • Conceição Matos e Domingos Abrantes contam juntos, num testemunho recolhido pelo museu a 7 de outubro de 2015, a clandestinidade, as prisões e a tortura. As palavras-chave do museu incluem a prisão do Aljube, Caxias, os interrogatórios da PIDE e a fuga de Caxias.

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    Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

  • Registo de uma das visitas orientadas que o Museu do Aljube promove todos os meses às suas exposições: a de 7 de julho de 2018, conduzida por Luís Farinha e comentada pelo antigo preso político Adelino Pereira da Silva.

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    Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

  • Reportagem da Câmara de Lisboa sobre a abertura do Museu do Aljube, a 25 de abril de 2015, nas instalações da antiga cadeia política. Inclui a frase do presidente da Câmara, Fernando Medina: «Devemos ter consciência do que custou a liberdade».

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    Câmara Municipal de Lisboa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Onde fica

Mapa com a localização de Cadeia do Aljube.

Cadeia do AljubeRua de Augusto Rosa, 42, 1100-059 Lisboa

Datas

  1. 1928

    O Aljube passa a cadeia política, só para homens.

  2. 1934

    Passa para a administração direta da PVDE.

  3. 1943

    Construção dos treze «curros», no segundo andar.

  4. 1963

    Relatório da Amnistia Internacional e visita de Lord Russell of Liverpool.

  5. agosto de 1965

    Encerramento da cadeia política; os presos vão para Caxias.

  6. 25 de abril de 2015

    Abre o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.

  7. 29 ago. 1933

    Criada a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE)
  8. 18 jan. 1934

    Greve geral revolucionária de 18 de Janeiro de 1934
  9. jan. 1935

    O Reduto Sul de Caxias passa para a polícia política
  10. maio 1938

    Francisco Paula de Oliveira («Pavel») foge do Aljube
  11. dez. 1939

    Miguel Torga preso no Aljube
  12. 5 nov. 1941

    Greve dos operários dos lanifícios da Covilhã
  13. 28 jul. 1946

    Constituído formalmente o MUD Juvenil
  14. 1 mar. 1948

    O MUD é declarado ilegal
  15. 31 jul. 1958

    Raul Alves cai do 3.º andar da sede da PIDE
  16. 26 set. 1958

    O guitarrista Carlos Paredes preso no local de trabalho
  17. 11 mar. 1959

    Revolta da Sé (Movimento Militar Independente)
  18. 28 maio 1962

    Prisão de Eurico de Figueiredo
  19. 20 jun. 1962

    Manifestação pela libertação do estudante Eurico de Figueiredo
  20. 26 jan. 1965

    Manifestação frente ao Aljube pela libertação de estudantes

Pessoas ligadas a este lugar

Perto daqui

  • 50 m · 5 min a pé

    Sé Patriarcal de Lisboa

    Hoje: Sé de Lisboa (Igreja de Santa Maria Maior)

    Nos claustros da Sé reuniram-se os conspiradores da «Revolta da Sé», o golpe de civis e militares, de inspiração sobretudo católica, que devia sair na noite de 11 para 12 de março de 1959 e que morreu antes de nascer, porque o Governo já sabia dele.

    OposiçãoRepressãoEstudantes
  • 360 m · 5 min a pé

    Largo do Caldas / Rua da Madalena

    Hoje: Largo Adelino Amaro da Costa

    Aqui, no 1.º de Maio de 1962, a polícia disparou rajadas de metralhadora contra os manifestantes e matou o tipógrafo Estêvão Giro, de 25 anos.

    TrabalhoRepressãoOposição
  • 440 m · 5 min a pé

    Terreiro do Paço (Praça do Comércio)

    Hoje: Praça do Comércio

    A praça dos ministérios, centro do poder do Estado Novo. Ao amanhecer de 25 de abril de 1974 ocupou-a a coluna de Santarém do capitão Salgueiro Maia; as forças mandadas contra ela foram passando para o lado do Movimento, e os ministros fugiram por uma parede aberta à picareta.

    Revolução
Notas sobre as fontes3
  • O preço do bilhete: o «Preçário» do museu diz 4 € e a página «Como chegar» diz 3 € (ambas consultadas a 2 de outubro de 2026).
  • Desde quando o edifício foi cadeia de mulheres, antes de 1928.
  • Se houve mulheres presas políticas no Aljube depois de 1928 (as fontes consultadas só documentam presas de delito comum, antes dessa data).

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Sobre o Museu. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Cadeia do Aljube. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Cárceres do império. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7). Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Exposição de longa duração. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Exposição itinerante «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas». Museu do Aljube – Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Como Chegar. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Preçário. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9José António Dias Coelho (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Domingos Abrantes e Maria da Conceição Matos (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Militão Bessa Ribeiro (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.