Maria Margarida do Carmo Mendes Tengarrinha Campos Costa
Repressãoartista plásticafuncionária clandestina do PCPfalsificadora de documentosredatora do «Avante!»deputada (1979–1983)
Nasceu
7 de maio de 1928, Portimão
Morreu
26 de outubro de 2023
Artista plástica expulsa da Escola de Belas-Artes em 1952, viveu na clandestinidade com José Dias Coelho, numa casa onde o PCP falsificava documentos. Só soube que a PIDE o matara no dia do enterro, a que não pôde ir.
Nasceu em Portimão a 7 de maio de 1928. Aos 20 anos entrou para o MUD Juvenil e envolveu-se nas lutas estudantis da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e nas Exposições Gerais de Artes Plásticas.1 Na escola, coordenava a participação dos alunos no movimento.5 Depois dos protestos contra a reunião da NATO em Lisboa, em 1952, foi expulsa e proibida de frequentar qualquer faculdade do país e de lecionar; nesse ano aderiu ao PCP.1 Com ela foram expulsos mais 81 alunos.5
Em finais de 1954 passou à clandestinidade com o companheiro, o pintor José Dias Coelho.1 Na casa clandestina de ambos funcionou o gabinete de falsificação de documentos do partido — bilhetes de identidade, cartas de condução, passaportes — e, a partir de 1960, os dois desenharam ilustrações e cabeçalhos para «A Voz das Camaradas» e o «Avante!».2
A 19 de dezembro de 1961 a PIDE matou Dias Coelho a tiro numa rua de Alcântara que hoje tem o seu nome.2 Margarida, que continuava na clandestinidade, só o soube ao princípio da noite de 26 de dezembro, num encontro de rua. Quando pediu para o ver, o camarada respondeu-lhe: «Não podes, o enterro foi hoje, para o cemitério de Benfica.» A partir desse momento, escreveu, tomou a resolução de «não deixar morrer a sua memória».3
Em 1962 partiu para o estrangeiro: trabalhou com Álvaro Cunhal, em Moscovo, e depois na Rádio Portugal Livre, em Bucareste.15 Regressou em 1968 e retomou o trabalho clandestino, em Lisboa e depois no Porto.5 Em 1974 entrou para o Comité Central do PCP e publicou depois vários livros, entre eles «Memórias de Uma Falsificadora – A Luta na Clandestinidade em Portugal».1 Foi deputada pelo Algarve de 1979 a 1983 e, em 2014, recebeu o primeiro Prémio Maria Veleda. Morreu em Portimão a 26 de outubro de 2023.5
No arquivo
Testemunho de Margarida Tengarrinha recolhido pelo Museu do Aljube a 8 de março de 2017, publicado em 2021. Pelas palavras-chave do museu, percorre o MUD Juvenil, a vida clandestina no PCP, o aparelho de falsificação de documentos, a imprensa clandestina e José Dias Coelho.
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Documentário montado por Sofia Gomes para a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», com excertos dos testemunhos que o Museu do Aljube recolhe desde 2015: dezasseis mulheres falam da resistência à ditadura e da luta pelos direitos das mulheres. Esta versão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa; a versão sem LGP está no mesmo canal (XmUbNbnHgKg, 2022).
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Cantor de intervenção, perseguido pela censura e preso pela PIDE/DGS em 1973. A sua «Grândola, Vila Morena», cantada em coro no Coliseu em março de 1974, foi um mês depois a segunda senha do 25 de Abril.
Dirigente comunista, foi preso em 1949 e fugiu da Fortaleza de Peniche em 1960. Secretário-geral do PCP, regressou do exílio a 30 de abril de 1974 e falou à multidão no aeroporto de cima de uma chaimite.
Escultor e pintor que trocou a carreira artística pela clandestinidade no PCP. Agentes da PIDE mataram-no a tiro numa rua de Alcântara a 19 de dezembro de 1961, aos 38 anos.
Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.
General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.
Militante comunista presa em 1965 e em 1968, sofreu na sede da PIDE alguns dos métodos de tortura mais cruéis e humilhantes aplicados a uma mulher, e nunca falou. Décadas depois, contou-o publicamente para denunciar a polícia política.
Notas sobre as fontes2
Quando passou à clandestinidade: em finais de 1954 (testemunho no Museu do Aljube) ou em 1955 (Wikipédia e biografia de José Dias Coelho no mesmo museu).
A morada da casa clandestina de Lisboa onde viveu com José Dias Coelho e onde funcionou o gabinete de falsificação de documentos.