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A Rua do Carmo, a subir para o Chiado, com a passagem do Elevador de Santa Justa ao fundo, em 2019. Jan Helebrant, CC0 1.0

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Rua pedonal inclinada, entre prédios de fachadas claras e varandas de ferro, com gente a passear e uma ponte metálica a atravessar o alto da rua.
A Rua do Carmo, a subir para o Chiado, com a passagem do Elevador de Santa Justa ao fundo, em 2019. Jan Helebrant, CC0 1.0

Santa Maria Maior

Rua do Carmo — os cravos de Celeste Caeiro

Por esta rua subiu a coluna de Salgueiro Maia, do Rossio para o Largo do Carmo. Foi aqui, no princípio da rua, que Celeste Caeiro deu um cravo a um soldado que lhe pedia um cigarro — e o cravo tornou-se o símbolo da revolução.

Hoje: Rua do CarmoLocalização aproximadaNum percurso
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Por volta do meio-dia de 25 de abril, os blindados da Escola Prática de Cavalaria saíram do Terreiro do Paço para o Largo do Carmo. No Rossio, uma companhia enviada para os travar pôs-se às ordens do Movimento; depois, os carros subiram com dificuldade as ruas íngremes, aplaudidos por milhares de pessoas, e chegaram ao Carmo cerca das 12h30.2

Celeste Caeiro trabalhava no restaurante Sir, no Edifício Franjinhas, na Rua Braamcamp. O restaurante fazia um ano nesse dia e os donos tinham comprado cravos para oferecer às clientes; com o golpe em curso não abriu, e os cravos foram dados às empregadas.7 Celeste veio para a Baixa com o seu molho de flores. Junto às chaimites, um soldado disse-lhe: «Vamos para o Carmo prender o Marcelo. Já agora, a menina não tem aí um cigarrinho?» Ela não fumava. Deu-lhe um cravo, e ele pô-lo no cano da espingarda. Contou mais tarde que terá dado uns seis.5

O gesto repetiu-se pela cidade, e os jornais estrangeiros chamaram-lhe a Revolução dos Cravos. Celeste Caeiro desfilou na Avenida da Liberdade nos 50 anos do 25 de Abril, em 2024, numa cadeira de rodas, com cravos na mão. Morreu a 15 de novembro desse ano.8

Nos percursos

No arquivo

  • Descerramento, no fim da Rua do Carmo, junto ao Rossio, de uma placa com o poema «Celeste em Flor», de Rosa Guerreiro Dias, no lugar onde Celeste Caeiro deu um cravo a um soldado que lhe pedira um cigarro. A placa assinala o gesto 51 anos depois.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Câmara Municipal de Lisboa

    Câmara Municipal de Lisboa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

  • Celeste Caeiro, então com 81 anos, conta ela própria a história dos cravos que se tornaram símbolo do 25 de Abril, num vídeo publicado pela Câmara de Lisboa nas vésperas dos 40 anos da revolução.

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    Câmara Municipal de Lisboa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Onde fica

Mapa com a localização de Rua do Carmo — os cravos de Celeste Caeiro.

Rua do Carmo — os cravos de Celeste CaeiroRua do Carmo, 1200-093 Lisboa

Datas

  1. 25 de abril de 1974, 12h30

    A coluna de Salgueiro Maia chega ao Carmo, depois de subir desde o Rossio.

  2. 15 de novembro de 2024

    Morre Celeste Caeiro.

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    RevoluçãoRepressão
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    OposiçãoTrabalhoEstudantes
Notas sobre as fontes4
  • O ponto exato do gesto de Celeste Caeiro: «o início da Rua do Carmo» (Diário de Notícias), a esquina com a Rua Garrett (A Mensagem de Lisboa), «diante da Tabacaria Caravela» (Diário de Notícias) ou o Rossio (Wikipédia em inglês). A coordenada é a da rua.
  • Se Celeste ia para casa (morava no Chiado) ou para o Rossio de metro: os relatos publicados divergem.
  • A hora do encontro: as fontes só dizem que foi de manhã ou perto do meio-dia.
  • Se existe alguma placa ou marca de Celeste Caeiro na rua.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Rossio – participação popular (Lugares de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A. Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Onde eu estava há 50 anos por... Celeste Caeiro. Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6«Fui para ao pé do soldado e digo assim: 'Olhe, não tenho cigarros mas tenho aqui este cravinho'»: Celeste Caeiro (1933-2024). CNN Portugal — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 725 de Abril. Celeste Caeiro, a mulher que pintou Lisboa e o país de cravos. A Mensagem de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Morreu Celeste Caeiro, a mulher que distribuiu cravos aos militares no 25 de Abril. Tinha 91 anos. Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Celeste e Guilhermina: a flor do acaso (António Araújo, 28/7/2024). Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Celeste Caeiro. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Celeste Caeiro. Wikipédia (inglês) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.