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Resistênciapor Onofriana.pt
Fotografia antiga, em tons de sépia, de uma mulher de cabelo escuro apanhado, sentada numa cadeira de madeira torneada, com um vestido escuro de mangas largas; apoia o queixo na mão e olha para o lado.
Autor desconhecido, Domínio público

Mulheres da resistência

Adelaide Cabete

Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete

Repúblicamédica obstetra e ginecologistaprofessora de Higiene e Puericulturafundadora e presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1935)cofundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesasmaçon
Nasceu
25 de janeiro de 1867, Elvas (Alcáçova)
Morreu
14 de setembro de 1935, Lisboa (São Sebastião da Pedreira)

Médica republicana que só começou a estudar depois de casar, fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidiu-lhe mais de vinte anos e fez do seu consultório nos Restauradores a sede.

Nasceu em Elvas a 25 de janeiro de 1867 e só começou a estudar depois de casar com o republicano Manuel Fernandes Cabete. Formou-se em Medicina aos 33 anos, em 1900, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, com a tese «Protecção às mulheres grávidas pobres».1 Em 1907 abriu consultório de obstetra e ginecologista na Baixa, na Rua da Prata, 153; mudou-o em 1908 para a Rua Áurea, 267, e a partir de 1910 para a Praça dos Restauradores, 13, onde dava consultas gratuitas a mulheres pobres.1

Republicana, foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em 1909, com Ana de Castro Osório.1 Para a revolução de 1910 coseu e bordou, com Carolina Beatriz Ângelo, bandeiras verdes e vermelhas para hastear em Lisboa.3 Na maçonaria usou o nome de «Louise Michel».13

Em 1914 fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a que presidiu até morrer e que teve a sede no seu consultório dos Restauradores durante 32 anos.24 Reclamou para as trabalhadoras um mês de descanso antes do parto, e para as mulheres o direito de voto.1 O Conselho organizou o I Congresso Feminista e de Educação, de 4 a 9 de maio de 1924, na Associação de Socorros Mútuos dos Empregados no Comércio de Lisboa, e um segundo em 1928; Adelaide Cabete organizou também os primeiros congressos abolicionistas da prostituição.21 Durante 17 anos ensinou Higiene e Puericultura no Instituto Feminino de Odivelas.1

Em 1929, desiludida com a ditadura, partiu para Angola com o sobrinho Arnaldo Brazão; voltou doente em 1934. Morreu em Lisboa a 14 de setembro de 1935 e está sepultada no Cemitério do Alto de São João.1 O Conselho mudou-se em 1946 para as Amoreiras e, dirigido desde 1945 por Maria Lamas, foi encerrado pela polícia a 28 de junho de 1947.2

No arquivo

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 1906

    Cinco médicas aderem ao movimento pacifista «La Paix et le Désarmement par les Femmes»
  2. 1907

    Fundação do Grupo Português de Estudos Feministas
  3. 1908

    Sufragistas na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas
  4. fev. 1909

    Fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas
  5. 5 out. 1910

    Implantação da República em Lisboa
  6. 3 out. 1911

    Morte de Carolina Beatriz Ângelo
  7. 1914

    Fundação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas
  8. jan. 1917

    Sai a revista «Alma Feminina» do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas
  9. 4 maio 1924

    I Congresso Feminista e de Educação
  10. 1927

    Maternidade da Companhia Nacional de Tabacos, em Xabregas
  11. 24 jun. 1928

    II Congresso Feminista e de Educação

Cruzaram-se com ela

  • Carolina Beatriz Ângelo

    1878–1911

    Médica, primeira cirurgiã portuguesa e sufragista. Viúva e «chefe de família», ganhou em tribunal o direito a ser recenseada e, a 28 de maio de 1911, no Clube Estefânia, foi a primeira mulher a votar em Portugal.

  • Ana de Castro Osório

    1872–1935

    Escritora, autora do que é tido como o primeiro manifesto feminista português (1905), lançou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e fundou, com Carolina Beatriz Ângelo, a Associação de Propaganda Feminista, que defendia o voto das mulheres instruídas.

  • Angélica Viana Porto

    1881–1938

    Benemérita e feminista, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas em 1928 e apresentou teses nos dois Congressos Feministas e de Educação, sobre a assistência às delinquentes e a ação moral do trabalho.

  • Deolinda Lopes Vieira

    1888–1993

    Professora primária e educadora de infância, ensinou na Escola-Oficina n.º 1, na Graça, uma escola de influência libertária; esteve na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, em 1924, e na direção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

  • Maria Clara Correia Alves

    1869–1948

    Professora e jornalista republicana, militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e na maçonaria e dirigiu as publicações do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: o «Boletim Oficial», desde 1914, e a revista «Alma Feminina», desde 1917.

  • Maria O'Neill

    1873–1932

    Escritora e jornalista lisboeta, foi uma das figuras do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas nos anos 1920 e levou ao II Congresso Feminista e de Educação, em 1928, a tese «O voto às mulheres».

Notas sobre as fontes4
  • A data do I Congresso Feminista e de Educação: 4 a 9 de maio de 1924 (FCSH+Lisboa, Wikipédia sobre o Conselho); a Toponímia de Lisboa diz 1925 e a Wikipédia sobre Adelaide Cabete diz 1921.
  • Com quem partilhava o consultório dos Restauradores, e em que andar: com a sobrinha, a dentista Maria Brazão, no 2.º andar (Toponímia de Lisboa), ou com a irmã, Maria Brazão, e o sobrinho Arnaldo Brazão, no 1.º andar (FCSH+Lisboa).
  • O ano da fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas: 1909 (Toponímia de Lisboa) ou 1908 (Wikipédia).
  • Se dirigiu a revista «Alma Feminina»: a Toponímia de Lisboa e a Wikipédia dizem que a fundou e dirigiu entre 1920 e 1929; a Biblioteca Nacional dá como diretora, desde 1917, Maria Clara Correia Alves.

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Fontes

  1. 1A Rua da médica Adelaide Cabete que também foi professora de Higiene. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Adelaide Cabete. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Carolina: por entre os itinerários da memória e da ciência (Gaudium Sciendi, n.º 2, julho de 2012). Isabel Lousada / Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Wikipédia (inglês) — consultado a 2 de outubro de 2026