A Rua de O Século, onde funcionou a redação do jornal, em dezembro de 2019.Sergei Gussev, CC BY 2.0
Misericórdia
O Século — a redação de «Modas e Bordados»
Aqui funcionou o jornal O Século, onde Maria Lamas dirigiu «Modas e Bordados» até 1947 e onde, em 1930, organizou a exposição «Mulheres Portuguesas». Foi aqui também que trabalhou Virgínia Quaresma, uma das primeiras repórteres portuguesas.
Hoje: Palácio Lançada, Rua de O SéculoLocalização aproximadaNum percurso
O jornal O Século, diário fundado por Magalhães Lima em 1880, instalou-se em 1881 no Palácio Lançada, nesta rua, que a vereação republicana rebatizou com o nome do jornal em novembro de 1910.12
Em 1908 entrou para a redação Virgínia Quaresma, que chegou a chefe de Informações Gerais e Reportagens Especiais.3 Vinte anos depois, a convite de Ferreira de Castro, Maria Lamas passou a dirigir o suplemento «Modas e Bordados», escrito «de mulher para mulher».4 Em 1930, promoveu no jornal a exposição «Mulheres Portuguesas», com a obra das mulheres desde o Renascimento, sob o lema «Sejamos inteligentemente mulheres».5
Em 1947, presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Maria Lamas foi obrigada a escolher entre a revista e o Conselho — e saiu.6 Depois do 25 de Abril, a chefe de redação, Maria Antónia Fiadeiro, convidou-a para diretora honorária, e a revista passou a chamar-se «Mulher – Modas e Bordados», com uma linha feminista. Antes da revolução, Maria Antónia Palla fora a primeira mulher a entrar na redação da empresa d'O Século.6
No n.º 116 ficava o República, o diário da oposição democrática. Esteve na conspiração do 25 de Abril, saiu nesse dia sem passar pela censura e, em maio de 1975, deu nome a uma das grandes crises da revolução, o «caso República».
Última sede da censura à imprensa, entre 22/9/1969 e o 25 de Abril de 1974, em frente à redação do jornal República. Os jornais entregavam aqui as provas para o «lápis azul»; a 26 de abril o edifício foi assaltado pela população.
No n.º 3 da Rua do Norte, na esquina com a Praça de Luís de Camões, ficava a redação de «A Capital», diário republicano da noite. Virgínia Quaresma, a primeira mulher jornalista em Portugal, escreveu nele e morou mesmo em frente; em 1911, o jornal contou a luta de Carolina Beatriz Ângelo pelo voto.
Hoje: Palácio Foz: serviços públicos e o Museu Nacional do Desporto
Palácio dos Restauradores adquirido pelo Estado em 1940 para o aparelho de propaganda do regime (SPN, depois SNI), dirigido por António Ferro. No mesmo edifício, com entrada pela Calçada da Glória, funcionou a censura à imprensa entre 1947/48 e 1961.
RepressãoCultura e censura
Notas sobre as fontes4
O ano em que Maria Lamas começou em «Modas e Bordados»: 1928 (Virgínia Baptista; Wikipédia), 1929 (MDM, para a entrada n'O Século) ou 1930 (CIG).
Se as redações de «Modas e Bordados» e de «O Século Ilustrado» funcionavam neste edifício (as fontes situam aqui o jornal).
A duração da exposição de 1930 (um ou dois meses) e as salas usadas.
O número de porta: a Wikipédia dá 41-59 para o edifício do jornal; a morada oficial de hoje é o n.º 63.