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Resistênciapor Onofriana.pt
Fotografia a cores de uma mulher idosa de cabelo louro curto e óculos de aros vermelhos, com um casaco roxo, a falar diante de um cortinado; em baixo, à direita, um microfone.
Montserrat Boix, CC BY-SA 4.0

Mulheres da resistência

Maria Antónia Palla

Maria Antónia de Assis dos Santos Palla e Carmo

Cultura e censurajornalistafeministacoautora da série «Nome Mulher» (RTP)presidente da Liga dos Direitos das Mulheresprimeira mulher vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas
Nasceu
1933

Jornalista pioneira, primeira mulher na redação da empresa d'O Século. Com Antónia de Sousa fez para a RTP a série «Nome Mulher» (1974–1976), cuja reportagem «O aborto não é um crime» a levou a tribunal. Foi absolvida.

Nasceu em 1933.1 Em 1968 entrou para a redação do Diário Popular com Margarida Silva Dias e Maria Armanda Passos, o primeiro grupo de mulheres jornalistas ali admitidas por concurso.1 Despedida por insistir em fazer um balanço do Maio de 68 em Paris, passou para O Século Ilustrado e foi a primeira mulher na redação da empresa d'O Século. Antes do 25 de Abril chegou a chefe de redação da revista.1

Entre 1974 e 1976 fez com Antónia de Sousa, para a RTP, o programa quinzenal «Nome Mulher», sobre os problemas e as lutas das mulheres: o divórcio, as mães solteiras, a união de facto.12 A 4 de fevereiro de 1976 foi para o ar a reportagem «O aborto não é um crime».2 O programa foi suspenso, e a direção da Maternidade Alfredo da Costa apresentou queixa contra ela por «exercício ilegal da medicina».1 Foi julgada em 1979 e absolvida.231

A 13 de janeiro de 1975 assistiu até ao fim à manifestação do Movimento de Libertação das Mulheres no Parque Eduardo VII, embora nunca tenha pertencido ao movimento. Anos depois desmentiu a lenda de que ali se queimaram soutiens: «É tudo mentira.»3 Foi a primeira mulher vice-presidente da direção do Sindicato dos Jornalistas, em 1979–1980, e em 1985 tornou-se presidente da Liga dos Direitos das Mulheres. Em 2013 esteve entre as fundadoras da Biblioteca Especializada Ana de Castro Osório.1

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Noutros arquivos

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Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 13 jan. 1975

    Manifestação feminista do MLM atacada no Parque Eduardo VII
  2. 4 fev. 1976

    RTP emite «O Aborto não é um Crime», de Maria Antónia Palla

Cruzaram-se com ela

  • Madalena Barbosa

    1942–2008

    Uma das fundadoras do Movimento de Libertação das Mulheres, em maio de 1974. Lutou pelo divórcio e pela despenalização do aborto e trabalhou na Comissão da Condição Feminina, cuja biblioteca tem hoje o seu nome.

  • Maria Teresa Horta

    1937–2025

    Poeta e jornalista, uma das «Três Marias». A PIDE apreendeu-lhe «Minha Senhora de Mim» e três homens espancaram-na na rua; com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa escreveu as «Novas Cartas Portuguesas», que as levaram a tribunal — e à absolvição, a 7 de maio de 1974.

  • Maria Antónia Fiadeiro

    1942–2023

    Jornalista, filha de Stella Piteira Santos, presa pela PIDE em 1962 e em 1972. Depois do 25 de Abril, como chefe de redação, deu à «Modas e Bordados» uma linha feminista e convidou Maria Lamas para diretora honorária; em 1984 escreveu «Aborto – O Crime Está na Lei».

  • Maria Isabel Barreno

    1939–2016

    Escritora e investigadora, uma das «Três Marias». Julgada pelas «Novas Cartas Portuguesas» e absolvida a 7 de maio de 1974, viu a maior consequência do processo na Constituição: a igualdade de todos, «sem distinção de raça, sexo ou religião».

  • Maria Lamas

    1893–1983

    Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

  • Otelo Saraiva de Carvalho

    1936–2021

    Major de Artilharia, elaborou o plano de operações do 25 de Abril e dirigiu as operações a partir do Posto de Comando clandestino da Pontinha; foi depois comandante do COPCON e da Região Militar de Lisboa.

Notas sobre as fontes3
  • As acusações: «exercício ilegal da medicina», na queixa da Maternidade Alfredo da Costa (CIG, Wikipédia); «atentado ao pudor e incitamento ao crime», no relato da própria à Comunidade Cultura e Arte.
  • Em que tribunal de Lisboa foi julgada, em 1979.
  • Se a redação de O Século Ilustrado ficava no edifício do jornal, na Rua de O Século.

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Fontes

  1. 1Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Nome Mulher. Wikipédia (inglês) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3A manifestação feminista que não chegou a acontecer, 45 anos depois (Rafaela Cortez, 26/4/2020). Comunidade Cultura e Arte — consultado a 2 de outubro de 2026