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Resistênciapor Onofriana.pt
Retrato antigo, num medalhão oval com moldura desenhada, de uma mulher de cabelo escuro apanhado e blusa escura.
Autor desconhecido («O Século»), Domínio público

Mulheres da resistência

Maria Clara Correia Alves

Repúblicaprofessorajornalista e editoradiretora do «Boletim Oficial» e de «Alma Feminina» do CNMPlivre-pensadora e maçon
Nasceu
3 de maio de 1869, Montemor-o-Novo (Nossa Senhora do Bispo)
Morreu
2 de fevereiro de 1948, Lisboa (São Jorge de Arroios)

Professora e jornalista republicana, militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e na maçonaria e dirigiu as publicações do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: o «Boletim Oficial», desde 1914, e a revista «Alma Feminina», desde 1917.

Nasceu em Montemor-o-Novo em 1869 e fixou-se ainda jovem em Lisboa. Casou em 1886, aos 16 anos, na Igreja de Santa Catarina, e pouco depois começou a ensinar raparigas na Rua do Poço dos Negros.3 Republicana e anticlerical, entrou ainda na primeira década do século XX na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, onde trabalhou com Adelaide Cabete, Carolina Beatriz Ângelo, Maria Veleda, Angélica Viana Porto e Ana de Castro Osório.34 Livre-pensadora, aderiu à Federação Portuguesa do Livre Pensamento, onde se cruzou com Deolinda Lopes Vieira, e iniciou-se na Maçonaria, na Loja Humanidade do Grande Oriente Lusitano.3

Dirigiu as publicações do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: o «Boletim Oficial», cujo primeiro número saiu em novembro de 1914, e a revista «Alma Feminina», a partir de janeiro de 1917.12 Em 1920, quando a feminista uruguaia Paulina Luisi esteve em Lisboa, falou numa das conferências organizadas em sua honra.3

Nos anos 1930 dirigiu a Biblioteca Municipal do 2.º Bairro de Lisboa. Morreu em 1948, aos 78 anos, na sua casa do n.º 139 da Avenida Almirante Reis.3

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 1914

    Fundação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas
  2. jan. 1917

    Sai a revista «Alma Feminina» do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas

Cruzaram-se com ela

  • Adelaide Cabete

    1867–1935

    Médica republicana que só começou a estudar depois de casar, fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidiu-lhe mais de vinte anos e fez do seu consultório nos Restauradores a sede.

  • Elina Guimarães

    1904–1991

    Jurista e feminista, dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o Estado Novo o fechar, em 1947. Precursora do «feminismo jurídico», defendeu o voto das mulheres, a coeducação e os direitos da mulher trabalhadora, e esteve na oposição democrática.

  • Ana de Castro Osório

    1872–1935

    Escritora, autora do que é tido como o primeiro manifesto feminista português (1905), lançou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e fundou, com Carolina Beatriz Ângelo, a Associação de Propaganda Feminista, que defendia o voto das mulheres instruídas.

  • Angélica Viana Porto

    1881–1938

    Benemérita e feminista, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas em 1928 e apresentou teses nos dois Congressos Feministas e de Educação, sobre a assistência às delinquentes e a ação moral do trabalho.

  • Aurora de Castro e Gouveia

    1891–1931

    Apontada como a primeira notária portuguesa, com cartório em Alcântara, apresentou no I Congresso Feminista e de Educação, em 1924, uma tese que exigia para as portuguesas a igualdade política plena e o direito de voto.

  • Carolina Beatriz Ângelo

    1878–1911

    Médica, primeira cirurgiã portuguesa e sufragista. Viúva e «chefe de família», ganhou em tribunal o direito a ser recenseada e, a 28 de maio de 1911, no Clube Estefânia, foi a primeira mulher a votar em Portugal.

Notas sobre as fontes2
  • As datas e os lugares do nascimento, do casamento e da morte vêm só da Wikipédia, que cita os registos paroquiais e civis.
  • Até quando dirigiu a «Alma Feminina»: até 1920, segundo a Wikipédia; o registo da Biblioteca Nacional, que cobre a revista de 1917 a 1946, dá-a como diretora, sem datas.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Lisboa, [1914]-1916 (registo). Biblioteca Nacional Digital — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Alma Feminina: boletim oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Lisboa, 1917-1946 (registo). Biblioteca Nacional Digital — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Maria Clara Correia Alves. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026