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A Fortaleza de Peniche vista do mar, com o antigo edifício prisional ao alto, em junho de 2026. Alexkom000, CC BY 4.0

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Muralhas de pedra assentes em rochas escuras à beira-mar e, por cima, um edifício branco e comprido com uma torre de vigia, sob céu claro.
A Fortaleza de Peniche vista do mar, com o antigo edifício prisional ao alto, em junho de 2026. Alexkom000, CC BY 4.0

Peniche (concelho de Peniche, distrito de Leiria) · fora de Lisboa

Fortaleza de Peniche — a cadeia política

Na Fortaleza de Peniche, prisão política de alta segurança, cumpriam-se as penas dos tribunais plenários. Dela fugiram dez dirigentes comunistas, Álvaro Cunhal entre eles, a 3 de janeiro de 1960. É hoje o Museu Nacional Resistência e Liberdade.

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A fortaleza começou a erguer-se em 1557, para defender o porto e a península, e serviu muitas vezes de prisão: de liberais em 1824, de presos de guerra bóeres em 1901.1 Em 1934 instalou-se aqui o Depósito de Presos de Peniche, para opositores do Estado Novo, administrado diretamente pela polícia política; os presos eram vigiados pela GNR.173 Em 1945 a prisão passou para o Ministério da Justiça, mas a PIDE manteve-se sempre informada. Era aqui que os presos políticos cumpriam as penas de prisão maior dos tribunais plenários e as medidas de segurança.3

Os castigos cumpriam-se no «redondo» ou no «segredo», celas húmidas e sem luz num canto do forte, à beira da falésia: até trinta dias, a pão e água. Nos anos 50, o regime fez da velha fortaleza uma prisão de alta segurança. Construíram-se três blocos de cimento — o C, aberto em 1956, o A e o B —, e a Cadeia do Forte de Peniche, com lugar para 159 presos, entrou em pleno funcionamento em 1962. As visitas passaram a fazer-se num parlatório, através de um vidro espesso; os presos ficavam fechados vinte horas por dia e não podiam falar às refeições.3

A 3 de janeiro de 1960, às quatro da tarde, um carro conduzido pelo ator Rogério Paulo parou no largo em frente ao forte com o porta-bagagens aberto: era o sinal da fuga. Saíram da ala de alta segurança do Bloco C Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Miguel, Francisco Martins Rodrigues, Guilherme Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério Carvalho, com um guarda da GNR. O Museu do Aljube recorda-a com uma ilustração de Margarida Tengarrinha.41

A repressão chegava às famílias. Em dezembro de 1963, o diretor suprimiu as visitas; dezenas de familiares manifestaram-se junto às muralhas, e seis mulheres de presos foram presas.3 Em 1969, Conceição Matos casou-se aqui com Domingos Abrantes.6 Aida Magro, em liberdade condicional, precisava de autorização para sair de Lisboa e visitar o marido, José Magro, de novo preso em Peniche; em 1973 escreveu a Marcelo Caetano a pedir que o libertassem.9

A 25 de Abril de 1974, os agentes da PIDE recusaram abandonar a prisão e só se renderam na manhã de 26. A população concentrou-se junto à fortaleza, os militares do MFA intervieram, e os presos decidiram que «saíam todos, ou nenhum»: foram libertados na madrugada de 27.5 António de Spínola quisera negar a liberdade aos acusados de «atos de violência»; a solidariedade entre os presos, a firmeza dos advogados e a pressão popular impuseram a libertação incondicional.7

Até fevereiro de 1976 ficaram aqui presos antigos agentes da polícia política. Entre 1977 e 1982, a fortaleza acolheu retornados das antigas colónias, num centro da Cruz Vermelha, e em 1984 a Câmara instalou nela o Museu Municipal de Peniche, com um núcleo dedicado à Resistência. A 27 de abril de 2017, o Conselho de Ministros, reunido na fortaleza, decidiu criar aqui o Museu Nacional Resistência e Liberdade,1 que abriu a 27 de abril de 2024, com a exposição «Resistência e Liberdade».10

No arquivo

  • Vídeo publicado pelo museu da Fortaleza de Peniche a 27 de abril de 2020, no 46.º aniversário da libertação dos presos políticos da cadeia do forte, a 27 de abril de 1974.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial do Museu Nacional Resistência e Liberdade

    Museu Nacional Resistência e Liberdade (Peniche), no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Noutros arquivos

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Onde fica

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Fortaleza de Peniche — a cadeia políticaCampo da República, 2520-328 Peniche

Datas

  1. 1557

    Começam as obras de fortificação de Peniche.

  2. 1934

    Instala-se o Depósito de Presos de Peniche.

  3. 1956

    Abre o Bloco C, o primeiro dos três blocos de alta segurança.

  4. 3 de janeiro de 1960, 16h00

    Fuga de Álvaro Cunhal e de outros nove presos comunistas.

  5. dezembro de 1963

    Visitas suprimidas; seis mulheres de presos são presas junto às muralhas.

  6. 1969

    Conceição Matos e Domingos Abrantes casam-se na cadeia.

  7. 27 de abril de 1974

    Libertação dos presos políticos, de madrugada.

  8. 27 de abril de 2017

    O Governo decide criar aqui o Museu Nacional Resistência e Liberdade.

  9. 27 de abril de 2024

    Abre o Museu Nacional Resistência e Liberdade.

  10. 19 nov. 1933

    150 presos políticos deportados para Angra do Heroísmo
  11. 18 jan. 1934

    Greve geral revolucionária de 18 de Janeiro de 1934
  12. 17 dez. 1954

    António Dias Lourenço foge do Forte de Peniche pelo mar
  13. 26 abr. 1974

    Amnistia dos crimes políticos

Pessoas ligadas a este lugar

Notas sobre as fontes1
  • Quem eram as seis mulheres de presos detidas em dezembro de 1963, no protesto junto às muralhas.

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Fontes

  1. 1Fortaleza (cronologia). Museu Nacional Resistência e Liberdade (Peniche) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Horários, Bilheteira e Marcações. Museu Nacional Resistência e Liberdade (Peniche) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Forte de Peniche (Prisões da Ditadura). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Fuga de Peniche. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 526 de Abril de 1974. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Domingos Abrantes e Maria da Conceição Matos (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Cárceres do império. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Aida Magro. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Inauguração do Museu Nacional Resistência e Liberdade – Fortaleza de Peniche. Cultura Portugal (Ministério da Cultura) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.