Mulheres da resistência
Albina Fernandes
Albina Fernandes (também Albina Pato; pseudónimo «Rosália»)
- Nasceu
- 5 de janeiro de 1928, Soissons (França)
- Morreu
- 2 de outubro de 1970, Lisboa
Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.
Também conhecida por Albina Pato, usava o pseudónimo «Rosália». Nasceu em Soissons, em França, a 5 de janeiro de 1928, e combateu na Resistência francesa.1 Militante do PCP na clandestinidade, foi presa pela PIDE a 15 de dezembro de 1961, no mesmo dia que o companheiro, Octávio Pato, mas em locais diferentes.12
Sem ter a quem os confiar, levou consigo para Caxias os filhos, Isabel, de seis anos, e Rui, de dois. Deitava-os no único divã e, como contou a Maria Rodrigues Pato, avó paterna das crianças, «descansava de joelhos no chão e com as mãos agarradas aos pulsos deles, para que não lhos tirassem». O testemunho está no livro «A Força Ignorada das Companheiras», de Gina de Freitas (1975). A PIDE ameaçou entregá-los a uma instituição, e só a 10 de janeiro de 1962 a deixou confiá-los aos avós.1
Julgada a 17 de novembro de 1962, foi condenada a três anos de prisão maior e a uma medida de segurança prorrogável, e acabou por passar seis anos e sete meses em Caxias. Em novembro de 1966, uma petição assinada por muitos cidadãos pediu a sua libertação, mas a liberdade condicional só lhe foi concedida a 9 de julho de 1968.1
Com o sistema nervoso muito debilitado pelos anos de prisão, suicidou-se a 2 de outubro de 1970. A Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, num telegrama subscrito, entre outras, por Cecília Areosa Feio, Maria Eugénia Varela Gomes e Sophia de Mello Breyner Andresen, responsabilizou diretamente o Governo pelo «trágico acontecimento». O funeral foi uma manifestação de pesar e de protesto contra o regime.1
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
15 dez. 1961
Albina Fernandes presa com os filhos pequenos2 out. 1970
Suicídio de Albina Fernandes
Cruzaram-se com ela
Sofia Ferreira
1922–2010
Filha de trabalhadores agrícolas de Alhandra, foi presa com Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro em 1949 e de novo em 1959, e passou mais de treze anos nas prisões da ditadura.

Sophia de Mello Breyner Andresen
1919–2004
Poeta. Viveu na Graça de 1951 até morrer, escreveu a «Cantata da Paz» para a vigília de São Domingos, ajudou a fundar a comissão de socorro aos presos políticos e foi deputada constituinte. «Esta é a madrugada que eu esperava» é dela.
Aida Magro
1918–2011
Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.
Alda do Espírito Santo
1926–2010
Poeta são-tomense em cuja casa lisboeta, na Rua Actor Vale, funcionou a partir de 1951 o Centro de Estudos Africanos. Presa em 1965 e encarcerada em Caxias, escreveu depois a letra do hino de São Tomé e Príncipe.
António Tereso
Mecânico preso em Caxias, fez-se passar por «rachado» durante meses, a pedido do PCP, para preparar a fuga de 4 de dezembro de 1961, e foi ao volante do carro blindado de Salazar que oito presos saíram do forte.
Aurora Rodrigues
n. 1952
Estudante de Direito, assistiu ao assassinato de Ribeiro Santos em 1972. Presa em 1973, foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política em Caxias, e nunca falou.
Notas sobre as fontes1
- Onde morreu e onde se fez o funeral, que se tornou uma manifestação de protesto: as fontes dizem apenas Lisboa.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Albina Fernandes. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2A fuga de Caxias, um acto de resistência antifascista rumo à vitória, foi há 60 anos. URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
