Mulheres da resistência
Cesina Bermudes
Cesina Borges Adães Bermudes
- Nasceu
- 20 de maio de 1908, Lisboa
- Morreu
- 9 de dezembro de 2001, Lisboa
Médica obstetra e pioneira do «parto sem dor» em Portugal. Fez campanha por Norton de Matos em 1949, na Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, e por isso foi presa em Caxias e afastada do ensino na Faculdade de Medicina.
Nasceu em Lisboa a 20 de maio de 1908, filha do escritor Félix Bermudes. Licenciou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1932, foi assistente de Anatomia e Clínica Geral nos Hospitais Civis de Lisboa e especializou-se em obstetrícia em 1937. Doutorou-se em 1947, com 19 valores na dissertação.1 Foi a primeira portuguesa a doutorar-se em obstetrícia.4
Em 1945 assinou as listas do Movimento de Unidade Democrática e defendeu que se formasse nele uma Comissão de Mulheres.4 Na campanha de Norton de Matos às presidenciais de 1949 integrou a Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, com Maria Lamas e Isabel Aboim Inglez, e discursou em vários comícios.2 Num discurso em Santarém apresentou as reivindicações da Comissão Feminista: «abolição do regulamento da prostituição, salário igual para trabalho igual, equiparação jurídica para ambos os sexos […] e sufrágio universal».4 A 7 de fevereiro de 1949 esteve na assembleia de delegados, no Centro Republicano António José de Almeida, que decidiu que o candidato não iria às urnas.2 Uma fotografia de 10 de fevereiro mostra-a no comício de Lisboa na Voz do Operário, com Maria Lamas e Manuel João da Palma Carlos.3
A 14 de outubro de 1949 foi presa, por integrar a Comissão Central do movimento, e levada para o Forte de Caxias, de onde saiu a 14 de janeiro de 1950.12 A oposição ao regime custou-lhe a carreira universitária: não pôde tomar posse do lugar de professora efetiva4 e, impedida de ensinar na Faculdade de Medicina, passou a dar aulas de puericultura em escolas industriais.1
Em 1954 foi a Paris estudar novas técnicas de parto. No regresso divulgou em revistas médicas o método psicoprofilático, o chamado «parto sem dor», de que foi pioneira em Portugal com o obstetra Pedro Monjardino.1 Em 1989 foi feita comendadora da Ordem da Liberdade, e morreu em Lisboa em dezembro de 2001.2 Desde um edital de 24 de setembro de 2009, uma rua do Pólo Tecnológico de Lisboa, em Carnide, tem o seu nome.1
No arquivo
Noutros arquivos
Estes só se veem no sítio de cada arquivo.
- Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso · Fotografia · 10 de fevereiro de 1949Candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, comício de Lisboa (Voz do Operário)Fotografia de outro comício da candidatura de Norton de Matos na Voz do Operário, também do espólio de Manuel Mendes. Entre os presentes estão Maria Lamas, Manuel João da Palma Carlos e Cesina Bermudes.Abrir no arquivo
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a 6 de maio de 2000 · 53 minMulheresDocumentário de Luís Filipe Costa sobre as mulheres que lutaram contra o fascismo e contra a ideologia que as queria esposas e mães sem direitos. Dão testemunho, entre outras, Isabel do Carmo, Aida Magro, Cesina Bermudes, Margarida Tengarrinha, Maria Teresa Horta, Stella Piteira Santos e Conceição Matos, com imagens de arquivo de Maria Lamas.Abrir no arquivo
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
1945
Mulheres no Movimento de Unidade Democrática28 jan. 1949
Sessão da Comissão Feminina da candidatura de Norton de Matos10 fev. 1949
Comício da candidatura de Norton de Matos na Voz do Operário, com Maria Lamas e Cesina Bermudes12 fev. 1949
Desistência de Norton de Matos às presidenciais14 out. 1949
Prisão de Cesina Bermudes, dirigente do Movimento Nacional Democrático Feminino
Cruzaram-se com ela
Maria Lamas
1893–1983
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

Norton de Matos
1867–1955
General da I República, foi em 1949 o candidato da oposição unida à Presidência da República: fez comícios na Voz do Operário e desistiu nas vésperas da eleição. Como muitos opositores, defendia uma política colonialista, que expôs em 1953 em «África Nossa».
Isabel Aboim Inglez
1902–1963
Professora e feminista, primeira mulher na Comissão Central do MUD, a quem José Gomes Ferreira chamou «a Indomável». O regime fechou-lhe o colégio, tirou-lhe o ensino e prendeu-a várias vezes.

Manuela Porto
1908–1950
Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.
Maria Alda Nogueira
1923–1998
Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.

Virgínia Moura
1915–1998
Primeira mulher reconhecida como engenheira civil em Portugal e militante comunista, foi presa dezasseis vezes pela PIDE. Em 1949 esteve em Caxias, na mesma cela que Maria Lamas.
Notas sobre as fontes3
- O dia da morte: 5 de dezembro de 2001 (Wikipédia) ou 9 de dezembro (Wikidata).
- O ano da licenciatura: 1932 (Toponímia de Lisboa) ou 1933 (CIG; a Wikipédia hesita entre os dois).
- O pioneirismo do doutoramento: a CIG diz que foi a primeira portuguesa doutorada em obstetrícia; a Wikipédia, que foi a segunda mulher a doutorar-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, depois de Domitila de Carvalho.
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Fontes
- 1A Rua Cesina Adães Bermudes e o parto sem dor. Toponímia de Lisboa (blogue da Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Cesina Bermudes. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário). Maria Lamas, Manuel João da Palma Carlos e Cesina Bermudes – fotografia (cota 04654.000.026). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026

