Mulheres da resistência
Maria Luísa van Zeller
Maria Luísa de Saldanha da Gama van Zeller
- Nasceu
- 16 de dezembro de 1906, Lisboa
- Morreu
- 4 de março de 1983
Médica e dirigente das organizações femininas do Estado Novo, foi deputada à Assembleia Nacional de 1938 a 1949. Defendeu o voto das mulheres casadas, mas sem «absoluta igualdade» com o homem, em nome da «política de regresso da mulher ao lar».
Nasceu em Lisboa em 1906 e licenciou-se em Medicina na Universidade de Lisboa em 1932. Foi médica interna dos Hospitais Civis de Lisboa, assistente do Instituto Português de Oncologia e diretora do Instituto Maternal e da Maternidade Alfredo da Costa. Católica convicta, presidiu à Juventude Universitária Católica Feminina.1
Esteve do lado do regime e nas suas organizações de mulheres. Em 1938 era comissária-adjunta da Mocidade Portuguesa Feminina, de que Maria Guardiola era comissária nacional, e responsável pela educação física, saúde e higiene; foi também da comissão executiva da Obra das Mães pela Educação Nacional.21 Foi deputada à Assembleia Nacional em três legislaturas, de 1938 a 1949, e falou sobretudo de assistência, de saúde e de ensino.1 Segundo a revista Faces de Eva, referiu-se em muitas intervenções «aos problemas mais prementes das mulheres do seu tempo», assumindo-se por vezes como sua representante.3
Em 1946, no debate que levou à Lei n.º 2015, apoiou o voto das mulheres casadas, mas avisou que não pretendia para a mulher «absoluta igualdade» com o homem, o que contrariaria «o espírito da política de regresso da mulher ao lar».4 Em 1947 defendeu que a enfermagem fosse confiada a mulheres: «Ninguém como a mulher sabe debruçar-se delicadamente sobre a dor e no momento oportuno dizer a palavra que consola».5 De 1963 a 1971 foi subdiretora e depois diretora-geral de Saúde. Morreu em 1983.1
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
Cruzaram-se com ela

Álvaro Cunhal
1913–2005
Dirigente comunista, foi preso em 1949 e fugiu da Fortaleza de Peniche em 1960. Secretário-geral do PCP, regressou do exílio a 30 de abril de 1974 e falou à multidão no aeroporto de cima de uma chaimite.

Ana de Castro Osório
1872–1935
Escritora, autora do que é tido como o primeiro manifesto feminista português (1905), lançou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e fundou, com Carolina Beatriz Ângelo, a Associação de Propaganda Feminista, que defendia o voto das mulheres instruídas.

Carolina Beatriz Ângelo
1878–1911
Médica, primeira cirurgiã portuguesa e sufragista. Viúva e «chefe de família», ganhou em tribunal o direito a ser recenseada e, a 28 de maio de 1911, no Clube Estefânia, foi a primeira mulher a votar em Portugal.

Domitila de Carvalho
1871–1966
Primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, formou-se em Matemática, Filosofia e Medicina e foi professora e reitora do primeiro liceu feminino. Monárquica e conservadora, apoiante do salazarismo nascente, foi uma das três primeiras deputadas, eleitas em 1934 nas listas da União Nacional.

Costa Gomes
1914–2001
Escolhido pelos capitães como chefe prestigiado, integrou a Junta de Salvação Nacional, sucedeu a Spínola na Presidência em setembro de 1974, decretou o estado de sítio a 25 de novembro de 1975 e promulgou a Constituição de 1976.
Helena Roseta
n. 1947
Arquiteta e católica progressista, falou de habitação no Congresso da Oposição de Aveiro e foi detida pela PIDE em 1973. Cofundadora do Botequim, deputada constituinte, renunciou em 1982 ao mandato para votar, contra a sua bancada, uma amnistia para presos políticos.
Notas sobre as fontes1
- O nome com que aparece nas fontes: «Maria Van Zeller» nas páginas da Assembleia da República sobre os debates de 1946 e 1947, «Luísa Vanzeller» na ficha da Hemeroteca de Lisboa sobre a Mocidade Portuguesa Feminina; a biografia parlamentar regista a sua intervenção no debate do recenseamento eleitoral de 1946.
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Fontes
- 1Maria Luísa de Saldanha da Gama van Zeller (Os Deputados da Assembleia Nacional, 1935-1974). Assembleia da República — consultado a 3 de outubro de 2026
- 2Helena Roldão, Mocidade Portuguesa Feminina: boletim mensal (Lisboa, 1939-1947) — ficha histórica. Hemeroteca Municipal de Lisboa, 2014 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 3Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47). Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4O voto das mulheres casadas (1946). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
- 5Celibato das enfermeiras no Estado Novo (Comunicar, junho de 2017). Assembleia da República, 2017 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 6Maria Luísa van Zeller (Q124213242). Wikidata — consultado a 3 de outubro de 2026
