Mulheres da resistência
Maria Guardiola
Maria Baptista dos Santos Guardiola
- Nasceu
- 13 de janeiro de 1895, Bragança (Sé)
- Morreu
- 27 de setembro de 1987, Lisboa (São Sebastião da Pedreira)
Professora de Matemática e reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, foi uma das três primeiras mulheres eleitas deputadas, em 1934, e uma figura central das organizações femininas do Estado Novo.
Nasceu em Bragança em 1895.2 Licenciou-se em Matemática em 1920 e ensinou nos principais liceus femininos do país; foi reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho de 1928 a 1946.1
Nas eleições de 16 de dezembro de 1934 entrou para a Assembleia Nacional com Domitila de Carvalho e Maria Cândida Parreira: foram as três primeiras mulheres deputadas em Portugal.13 Foi deputada nas I, II, III e V legislaturas e ocupou durante muitos anos cargos de direção na Obra das Mães e na Mocidade Portuguesa Feminina. O «Dicionário no Feminino» chama-lhe «uma das mulheres mais importantes e emblemáticas do Estado Novo».1
A sua presença mostra a outra face desta história: não foi a República que abriu às mulheres as portas do parlamento, foi a ditadura, ainda que de forma muito condicionada. Para as investigadoras Susana Fontes e Sónia Coelho, foi uma estratégia de Salazar, que via na mulher «um meio necessário para edificar e propagar a ideologia do Estado Novo».1 Morreu em Lisboa em 1987, aos 92 anos.2
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
Cruzaram-se com ela

Domitila de Carvalho
1871–1966
Primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, formou-se em Matemática, Filosofia e Medicina e foi professora e reitora do primeiro liceu feminino. Monárquica e conservadora, apoiante do salazarismo nascente, foi uma das três primeiras deputadas, eleitas em 1934 nas listas da União Nacional.
Maria Cândida Parreira
1877–1942
Advogada lisboeta, licenciada em Direito em 1919, foi uma das três primeiras deputadas portuguesas, eleita em 1934 nas listas da União Nacional, já no Estado Novo.

Carolina Beatriz Ângelo
1878–1911
Médica, primeira cirurgiã portuguesa e sufragista. Viúva e «chefe de família», ganhou em tribunal o direito a ser recenseada e, a 28 de maio de 1911, no Clube Estefânia, foi a primeira mulher a votar em Portugal.

Ana de Castro Osório
1872–1935
Escritora, autora do que é tido como o primeiro manifesto feminista português (1905), lançou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e fundou, com Carolina Beatriz Ângelo, a Associação de Propaganda Feminista, que defendia o voto das mulheres instruídas.

Costa Gomes
1914–2001
Escolhido pelos capitães como chefe prestigiado, integrou a Junta de Salvação Nacional, sucedeu a Spínola na Presidência em setembro de 1974, decretou o estado de sítio a 25 de novembro de 1975 e promulgou a Constituição de 1976.
Helena Roseta
n. 1947
Arquiteta e católica progressista, falou de habitação no Congresso da Oposição de Aveiro e foi detida pela PIDE em 1973. Cofundadora do Botequim, deputada constituinte, renunciou em 1982 ao mandato para votar, contra a sua bancada, uma amnistia para presos políticos.
Notas sobre as fontes1
- As legislaturas em que foi deputada: a I, a II, a III e a V, segundo a revista Faces de Eva; a Wikipédia diz que o foi de 1935 a 1945.
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Fontes
- 1Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47). Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Maria Baptista dos Santos Guardiola. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3O voto das mulheres em Portugal (Irene Flunser Pimentel, 29/9/2013). jugular (blogue, SAPO) — consultado a 2 de outubro de 2026

