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Resistênciapor Onofriana.pt
Fotografia a cores de uma mulher idosa de cabelo arruivado, com brincos e um colar de pérolas de várias voltas sobre uma blusa lilás, a olhar de frente.
Monart, CC BY 3.0

Mulheres da resistência

Maria Barroso

Maria de Jesus Simões Barroso Soares

Oposiçãoatrizprofessorafundadora do Partido Socialistacandidata a deputada pela oposição (1969)
Nasceu
2 de maio de 1925, Olhão
Morreu
7 de julho de 2015, Lisboa

Atriz que dizia poesia contra o regime, foi candidata da oposição em 1969 e a única mulher a falar na abertura do Congresso de Aveiro, em 1973. Esteve na fundação do Partido Socialista e, a 28 de abril de 1974, acompanhou Mário Soares no comboio que o trouxe do exílio até Santa Apolónia.

Nasceu em Olhão em 1925.3 Vinha de uma família de democratas e oposicionistas à ditadura. Formou-se em Arte Dramática no Conservatório Nacional e em História e Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, e foi atriz de teatro e de cinema.2 Fez recitais de poesia como ato militante, muitas vezes acompanhada pelo coro de Fernando Lopes-Graça, dizendo versos de poetas contra o regime, entre eles os do Novo Cancioneiro.2 Acusada de declamar poesia subversiva, foi expulsa do Teatro Nacional, impedida de representar e interrogada pela PIDE.4

Em 1949 casou por procuração com Mário Soares, que estava preso por razões políticas.4 Por essa altura dava aulas no Colégio Moderno, até ser proibida de ensinar, no ensino público e no privado.4 Participou nas campanhas presidenciais de Norton de Matos e de Humberto Delgado.2 Nas eleições de 1969 foi candidata a deputada pela oposição, nas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD).24 Em 1973 interveio no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, e foi a única mulher a falar na sessão de abertura.245 No mesmo ano, na Alemanha, participou com o marido na fundação do Partido Socialista; foi a única mulher presente.214

A 28 de abril de 1974 acompanhou Soares no comboio que o trouxe do exílio em França; uma fotografia guardada pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso mostra os dois a bordo. Na estação de Santa Apolónia esperava-os uma multidão. Soares falou de uma varanda da estação, de altifalante em punho, e seguiu para o Palácio da Cova da Moura, para um encontro com o general Spínola.1 Maria Barroso morreu em Lisboa em 2015.3

No arquivo

  • Sessão da fundação, no Dia Mundial da Poesia de 2021, sobre Maria Barroso, atriz de teatro e cinema que dizia poesia. Intervêm Isabel Soares, Jorge Silva Melo, José Manuel dos Santos, Manuel Alegre, Maria da Glória Garcia, Rui Vilar e Vasco Vieira de Almeida.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Fundação Mário Soares e Maria Barroso

    Fundação Mário Soares e Maria Barroso, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Noutros arquivos

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Ver mais 1

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 1969

    Sophia de Mello Breyner e Maria Barroso candidatas pela oposição
  2. 4 abr. 1973

    III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro
  3. 19 abr. 1973

    Fundado o Partido Socialista na Alemanha
  4. 28 abr. 1974

    Mário Soares chega do exílio a Santa Apolónia
  5. 5 out. 1990

    Humberto Delgado no Panteão Nacional

Cruzaram-se com ela

  • Mário Soares

    1924–2017

    Secretário-geral do PS, regressou do exílio a 28 de abril de 1974 e foi recebido por uma multidão em Santa Apolónia. Em 1975 enfrentou o PCP no caso República e no comício da Fonte Luminosa; em 1976 chefiou o I Governo Constitucional.

  • António de Spínola

    1910–1996

    General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.

  • Humberto Delgado

    1906–1965

    O «general sem medo»: homem do regime que passou à oposição, candidatou-se à Presidência em 1958, respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar e arrastou multidões. A PIDE assassinou-o em 1965.

  • Sophia de Mello Breyner Andresen

    1919–2004

    Poeta. Viveu na Graça de 1951 até morrer, escreveu a «Cantata da Paz» para a vigília de São Domingos, ajudou a fundar a comissão de socorro aos presos políticos e foi deputada constituinte. «Esta é a madrugada que eu esperava» é dela.

Notas sobre as fontes3
  • O lugar de nascimento: Olhão, segundo a Wikidata; Lisboa, segundo a exposição da Assembleia da República. Os dias do nascimento (2 de maio de 1925) e da morte (7 de julho de 2015), e o lugar da morte, vêm só da Wikidata; a CIG dá apenas os anos, 1925–2015.
  • De onde e em que dia partiu de França o comboio em que regressaram.
  • Quando foi expulsa do Teatro Nacional e proibida de ensinar: a exposição da Assembleia da República não dá datas.

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Fontes

  1. 1Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Maria Barroso (Q75062). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Exposição «Mulheres que mudaram a vida política em Portugal». Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026