Foi neste hospital que Carolina Beatriz Ângelo se tornou a primeira médica portuguesa a operar. Na noite de 25 de Abril de 1974, recebeu os feridos dos disparos da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso; o estudante João Arruda morreu aqui.
O Hospital de São José ocupa o antigo Colégio de Santo Antão, conhecido pelo ensino da astronomia e da matemática. Depois do terramoto de 1755, que destruiu o Hospital Real de Todos os Santos, foi aqui e na colina de Santana que a cidade passou a cuidar dos vivos.6
Foi aqui que trabalhou a primeira cirurgiã portuguesa. Carolina Beatriz Ângelo, formada pela Escola Médica de Lisboa em 1902, foi pioneira nas intervenções cirúrgicas, orientada pelo professor Sabino Maria Teixeira Coelho, e a primeira médica portuguesa a operar no Hospital de São José.1 Para a FCSH+Lisboa, foi também a primeira aluna do curso de Cirurgia do hospital.2 Trabalhou ainda em Rilhafoles, com Miguel Bombarda, e especializou-se em ginecologia, com consultório na Rua Nova do Almada.1
Era uma geração pequena de médicas: em 1906, Carolina e outras quatro — Adelaide Cabete, Domitila de Carvalho, Emília Patacho e Maria do Carmo Lopes — aderiram ao comité português da associação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes.1 Outra médica dessa geração, Sofia Quintino, formada em 1905, chegou a dirigir neste hospital, já depois de 1931, a secção que tratava o lúpus tuberculoso com luz de Finsen.4
Na noite de 25 de abril de 1974, os agentes da DGSdispararam das janelas da sua sede, na Rua António Maria Cardoso, sobre a multidão que exigia a rendição. Segundo «A Capital» do dia seguinte, citada pelo Esquerda.net, dezenas de feridos foram recolhidos ao Hospital de São José.7João Arruda, estudante da Faculdade de Letras, de 20 anos, atingido na cabeça perto das 20h30, morreu aqui às 00h30 de 26 de abril.8
Aqui tinha sede, em 1915, o sindicato das Costureiras e Ajuntadeiras. Foi para aqui que Adelaide Abrantes chamou as operárias da Ramiro Leão & C.ª, que fizeram greve contra o despedimento de três colegas e foram dispersas pela GNR.
A 29 de março de 1974, menos de um mês antes da revolução, o I Encontro da Canção Portuguesa encheu o Coliseu. A censura tinha cortado canções, mas a sala cantou em coro «Grândola, Vila Morena» e gritou «abaixo a repressão!».
Hoje: Palácio da Independência (Sociedade Histórica da Independência de Portugal)
No palácio onde se preparou o 1.º de Dezembro de 1640, o Estado Novo instalou a sede da Mocidade Portuguesa, a organização da juventude do regime. Extinta no próprio dia 25 de abril de 1974, deu lugar à Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
Na passagem de 1968 para 1969, mais de cem católicos ficaram aqui em vigília contra a guerra colonial. Para essa noite, Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu a «Cantata da Paz»: «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar».
OposiçãoColonialismoCultura e censura
Notas sobre as fontes3
Onde Carolina Beatriz Ângelo operou com Sabino Coelho: a Toponímia de Lisboa liga a orientação dele às operações em São José; a FCSH+Lisboa diz que foi interna no Hospital D. Estefânia, «ao lado do médico Sabino Coelho, onde o auxiliou e realizou operações».
O ano em que Carolina Beatriz Ângelo operou pela primeira vez em São José.
Quando Sofia Quintino dirigiu a secção do lúpus: só a Wikipédia o diz, sem data.