Sede da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, que de 1935 a 1952 juntou mulheres pela paz e pelos seus direitos — de Maria Lamas, sua presidente, a Stella Piteira Santos, Isabel Aboim Inglez e Maria Alda Nogueira. O ministro do Interior dissolveu-a em 1952.
A Associação Feminina Portuguesa para a Paz (AFPP) foi constituída a 10 de novembro de 1935. O registo do Governo Civil de Lisboa, hoje no arquivo da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, dá-lhe sede no 2.º andar do n.º 25 da Rua Latino Coelho e, antes, no 2.º andar do n.º 4 da Rua do Loreto.1 Entre as fundadoras esteve a professora primária Maria dos Santos Machado, militante comunista que assinava «Rubina» na imprensa clandestina.4
No limiar da Segunda Guerra Mundial, a associação juntou mulheres que lutavam pela paz e pelos direitos das mulheres.3Maria Lamas aceitou presidi-la em 1938.2Stella Piteira Santos foi uma das primeiras associadas, e durante a guerra o seu alemão serviu para ajudar refugiados judeus, sobretudo da Alemanha, a chegar a Lisboa e a encontrar casa. Maria Alda Nogueira entrou ainda estudante.4 Militaram também na associação Isabel Aboim Inglez, Manuela Porto, Francine Benoit, Virgínia Moura e Elina Guimarães.53
No ginásio deste liceu, a 18 de maio de 1958, Humberto Delgado fez um comício da campanha presidencial, e a violência policial repetiu-se depois. Em 1945, foi aqui que os estudantes das colónias derrubaram a direção imposta à sua Casa.
Aqui funcionava, a 28 de maio de 1911, a assembleia de voto de São Jorge de Arroios. Foi nela que a médica Carolina Beatriz Ângelo, inscrita por ordem de um juiz, se tornou a primeira mulher a votar em Portugal.
Criada pelo regime em 1944 para cultivar a «unidade imperial» entre os estudantes vindos das colónias, tornou-se escola de oposição e de anticolonialismo: por aqui passaram Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. A PIDE fechou-a em 1965.
Aqui, a 13 de janeiro de 1975, o Movimento de Libertação das Mulheres quis queimar os símbolos da opressão das mulheres. Cerca de dois mil homens desfizeram a manifestação aos gritos. A fogueira nunca se fez — e a «queima de soutiens» é uma lenda.
MulheresRevolução
Notas sobre as fontes3
Em que anos funcionou cada sede, a da Rua do Loreto e a da Rua Latino Coelho: o registo do Governo Civil só diz que a primeira foi anterior.
O ano da fundação: 10 de novembro de 1935, no registo do Governo Civil; 1936, segundo o Movimento Democrático de Mulheres.
O ponto no mapa marca a Rua Latino Coelho, não o prédio do n.º 25.