Repressãojornalistafeministapresa políticachefe de redação de «Mulher – Modas e Bordados»biógrafa de Maria Lamas
Nasceu
1942, Lisboa
Morreu
31 de março de 2023
Jornalista, filha de Stella Piteira Santos, presa pela PIDE em 1962 e em 1972. Depois do 25 de Abril, como chefe de redação, deu à «Modas e Bordados» uma linha feminista e convidou Maria Lamas para diretora honorária; em 1984 escreveu «Aborto – O Crime Está na Lei».
Nasceu em Lisboa em 1942, filha de Stella Piteira Santos e de Inácio Fiadeiro, ambos antifascistas.2 Estudava Filosofia na Faculdade de Letras quando, na crise académica de 1962, apoiou os estudantes em greve de fome na cantina da Cidade Universitária; foi por isso que a PIDE a prendeu pela primeira vez.21 Voltou a ser presa em 1972, quando regressava do Brasil, onde estava exilada.1 Dessa vez, a 26 de novembro, foi detida no aeroporto e passou um mês em Caxias.23
Em 1974 começou a escrever na «Modas e Bordados», suplemento d'O Século. Como chefe de redação, ofereceu a Maria Lamas o cargo de diretora honorária, e a revista passou a chamar-se «Mulher – Modas e Bordados», com uma linha editorial feminista. Escreveu também no suplemento «Mulher» do Diário de Notícias e no Diário de Lisboa, e foi vogal da direção do Sindicato dos Jornalistas em 1977–1978.1
Foi cofundadora da Liga dos Direitos das Mulheres e esteve na direção nacional da Associação para o Planeamento Familiar. Defendeu a despenalização do aborto e escreveu, em 1984, «Aborto – O Crime Está na Lei». Na sua tese recuperou a biografia de Maria Lamas, depois publicada.1 Morreu a 31 de março de 2023.2
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Militante comunista presa em 1965 e em 1968, sofreu na sede da PIDE alguns dos métodos de tortura mais cruéis e humilhantes aplicados a uma mulher, e nunca falou. Décadas depois, contou-o publicamente para denunciar a polícia política.
Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.
Uma das fundadoras do Movimento de Libertação das Mulheres, em maio de 1974. Lutou pelo divórcio e pela despenalização do aborto e trabalhou na Comissão da Condição Feminina, cuja biblioteca tem hoje o seu nome.
Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.
Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.
Notas sobre as fontes6
O local de nascimento (Lisboa) e o dia da morte (31 de março de 2023) só aparecem na Wikipédia; a CIG dá apenas os anos, 1942–2023.
O ano em que passou a chefe de redação da revista: 1975, segundo a Wikipédia; a CIG não o diz.
O ano de «Aborto – O Crime Está na Lei»: 1984, segundo a CIG e a lista de obras da Wikipédia; a introdução da mesma Wikipédia diz 1978.
Se a redação de «Mulher – Modas e Bordados» ficava no edifício d'O Século em 1974–1975.
Se foi presa em 1962: a CIG e a Wikipédia dizem que a PIDE a prendeu na crise académica, por apoiar a greve de fome na cantina; o Memória Comum, que regista os presos políticos, dá como data da primeira prisão 26 de novembro de 1972.
Que foi presa no aeroporto de Lisboa: a Wikipédia diz só «no aeroporto», e a CIG diz que foi presa em 1972, quando regressava do Brasil.