Mulheres da resistência
Helena Neves
Maria Helena Augusto das Neves Gorjão
- Nasceu
- 17 de junho de 1945, Lisboa
Jornalista e militante da oposição, estava presa em Caxias quando veio o 25 de Abril. A fotografia da sua libertação, com a jornalista Elvira Nereu, saiu n'A Capital de 27 de abril de 1974.
Nasceu em Lisboa a 17 de junho de 1945.1 Aderiu ao PCP aos 17 anos, ainda no liceu. Na Faculdade de Letras ajudou a organizar greves e manifestações, e numa delas um agente da PIDE agrediu-a à coronhada. Suspensa e sem bolsa, foi ensinar na Academia de Santo Amaro.1
Ajudou a fundar, no distrito de Lisboa, um movimento eleitoral democrático de mulheres e esteve na primeira direção da Comissão Eleitoral de Mulheres. Militava na CDE quando foi presa, em 1969.1 Impedida de ensinar, dedicou-se ao jornalismo: escreveu no Diário Feminino, no Diário de Lisboa, em Modas e Bordados e no República, onde coordenou o suplemento «Presença da Mulher».1 Em 1973 foi candidata nas listas da CDE/CEUD e voltou a ser detida pela PIDE/DGS.1
No início de abril de 1974 estava presa no Forte de Caxias.1 Saiu com a revolução: a 27 de abril, o jornal A Capital publicou uma fotografia da libertação, em Caxias, das jornalistas Helena Neves e Elvira Nereu.2 Deixou o PCP no início dos anos 1990 e foi deputada à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda.1
No arquivo
Documentário montado por Sofia Gomes para a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», com excertos dos testemunhos que o Museu do Aljube recolhe desde 2015: dezasseis mulheres falam da resistência à ditadura e da luta pelos direitos das mulheres. Esta versão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa; a versão sem LGP está no mesmo canal (XmUbNbnHgKg, 2022).
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Testemunho da jornalista Helena Neves, recolhido pelo Museu do Aljube a 13 de março de 2019. Pelas palavras-chave do museu, passa pela família, pelos católicos, pelas coletividades de cultura e recreio, pelo Movimento Democrático de Mulheres, pela prisão, pelos interrogatórios e pela tortura.
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Noutros arquivos
Estes só se veem no sítio de cada arquivo.
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
Cruzaram-se com ela
Isabel do Carmo
n. 1940
Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.
Maria Alda Nogueira
1923–1998
Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.
Maria Lamas
1893–1983
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Aida Magro
1918–2011
Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.
Albina Fernandes
1928–1970
Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.
Alda do Espírito Santo
1926–2010
Poeta são-tomense em cuja casa lisboeta, na Rua Actor Vale, funcionou a partir de 1951 o Centro de Estudos Africanos. Presa em 1965 e encarcerada em Caxias, escreveu depois a letra do hino de São Tomé e Príncipe.
Notas sobre as fontes2
- O dia da libertação: 25 de abril (Museu do Aljube) ou a madrugada de 27, quando saíram os presos de Caxias (imprensa da época citada pelo Esquerda.net).
- Em que anos foi deputada à Assembleia da República.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Helena Neves (testemunho). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Álvaro Arranja, «A libertação dos presos políticos na revolução de Abril». Esquerda.net — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Helena Neves (Q17496463). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026

