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Resistênciapor Onofriana.pt

Campo de Ourique

Cooperativa «A Padaria do Povo»

Cooperativa de pão fundada em 1904 num bairro operário, casa da Universidade Popular de Bento de Jesus Caraça até 1946. Segundo o próprio Movimento Democrático de Mulheres, foi numa assembleia aqui que o MDM nasceu, em 1968.

Hoje: Cooperativa, bar e espaço culturalNum percurso
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A cooperativa A Padaria do Povo nasceu em 1904 para fazer pão mais barato para as freguesias de Santa Isabel e Campolide — e também, diz a Junta de Freguesia de Campo de Ourique, para albergar «um espírito vivo de crítica política e difusão cultural».2 A memória da casa é a de uma economia de bairro operário: quando os fornos começaram a trabalhar, por volta de 1906, quem trazia farinha deixava uma parte em pagamento e levava o resto em pão. Há outra versão, a de um patrocínio do rei D. Carlos, de quem a cooperativa guarda um relógio e um cofre.32

Campo de Ourique era terra de anarquistas e carbonários, e a Padaria do Povo era a tasca onde se encontravam. Segundo o historiador José Zaluar, presidente da cooperativa, foi daqui que saiu, na madrugada de 4 de outubro de 1910, um grupo de carbonários rumo ao quartel de Infantaria 16, aos gritos de «Viva a República!» — um dos primeiros momentos da revolução republicana.3

Em 1919, António Ferreira de Macedo e o matemático Bento de Jesus Caraça fundaram a Universidade Popular Portuguesa, que começou em salas cedidas pela cooperativa e, depois de 1924, foi sua inquilina.2 Trouxe aulas, palestras e uma biblioteca para os operários do bairro — e também conflitos: nas atas das assembleias gerais há cooperantes a ameaçar denunciar a direção à PIDE. A Universidade Popular foi perseguida e fechou em 1946, o ano em que Caraça foi preso pela PIDE e expulso do ensino.3

Segundo o próprio Movimento Democrático de Mulheres, foi numa assembleia na Padaria do Povo que o MDM nasceu, em 1968, herdeiro do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Maria Lamas foi eleita sua presidente honorária em 1975, e Maria Alda Nogueira foi uma das cinco mulheres que assinaram a escritura dos primeiros estatutos, a 23 de janeiro de 1976.1

Hoje a cooperativa tem bar e restaurante, e nas salas há sapateado, piano, xadrez e teatro. No pátio, por baixo da chaminé dos antigos fornos, um mural da escultora Dora Moneti Faggin assinala os 120 anos da casa.3

Nos percursos

Onde fica

Mapa com a localização de Cooperativa «A Padaria do Povo».

Cooperativa «A Padaria do Povo»Rua Luís Derouet, 20A, 1250-153 Lisboa

Datas

  1. 1904

    Fundação da cooperativa.

  2. 4 de outubro de 1910

    Sai daqui um grupo de carbonários rumo ao quartel de Infantaria 16 (segundo José Zaluar).

  3. 1919

    Fundação da Universidade Popular Portuguesa, nas salas da cooperativa.

  4. 1946

    A Universidade Popular fecha, perseguida pelo regime.

  5. 1968

    Assembleia fundadora do Movimento Democrático de Mulheres (segundo o MDM).

Pessoas ligadas a este lugar

Perto daqui

  • 750 m · 10 min a pé

    Largo do Rato (antiga Praça do Brasil)

    Hoje: Largo do Rato

    Na revolta de fevereiro de 1927 ergueram-se aqui barricadas, e junto ao chafariz foram fuzilados civis e marinheiros. Em 1931, o largo voltou a ser linha de combate; em 1972, foi para a esquadra do largo que a polícia levou os presos da vigília da Capela do Rato.

    RepúblicaOposiçãoRepressão
  • 760 m · 10 min a pé

    Capela do Rato

    Hoje: Capela do Rato (Capela de Nossa Senhora da Bonança)

    Na passagem de 1972 para 1973, católicos contra a guerra colonial fizeram aqui uma vigília de 48 horas. Foi uma mulher, Maria da Conceição Moita, quem a anunciou ao microfone; a polícia de choque acabou com ela e levou dezenas de pessoas.

    OposiçãoColonialismoRepressão
  • 850 m · 15 min a pé

    Última sede do CNMP, fechada pela polícia em 1947

    Em 1946, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidido por Maria Lamas, mudou a sede para esta travessa das Amoreiras. A 28 de junho de 1947, a polícia fechou-a «sem aviso prévio», pondo fim a 33 anos de associação.

    MulheresRepressão
Notas sobre as fontes3
  • A data e quem esteve na assembleia fundadora do MDM: o próprio MDM dá 1968 e a Padaria do Povo; outras fontes ligam a origem às comissões eleitorais de mulheres de 1969; as fontes sobre a cooperativa não falam do MDM.
  • A página do MDM nomeia Manuela Porto (morta em 1950) e Maria Isabel Aboim Inglez (morta em 1963) entre as mulheres da Associação Feminina Portuguesa para a Paz que «vieram a fundar o MDM», o que não é possível para a fundação de 1968.
  • A saída dos carbonários na madrugada de 4 de outubro de 1910 só consta do testemunho de José Zaluar à Mensagem de Lisboa.

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Fontes

  1. 1A nossa história – MDM 1968-2023. MDM – Movimento Democrático de Mulheres — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Cooperativa «A Padaria do Povo». Junta de Freguesia de Campo de Ourique — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Padaria do Povo, a cooperativa onde há sempre alguém que diz «não» (Catarina Pires, 2/7/2026). Mensagem de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.