A Rua do Norte, junto à Praça de Luís de Camões, em março de 2020.Daniel, CC BY 2.0
Misericórdia
Redação do jornal «A Capital» (Rua do Norte, 3)
No n.º 3 da Rua do Norte, na esquina com a Praça de Luís de Camões, ficava a redação de «A Capital», diário republicano da noite. Virgínia Quaresma, a primeira mulher jornalista em Portugal, escreveu nele e morou mesmo em frente; em 1911, o jornal contou a luta de Carolina Beatriz Ângelo pelo voto.
«A Capital», diário republicano da noite, publicou-se de 1910 a 1938.5 Fundou-o Manuel Guimarães, que trouxe consigo Virgínia Quaresma, uma das primeiras licenciadas do Curso Superior de Letras e a primeira mulher a exercer a profissão de jornalista em Portugal. A redação ficava aqui, no n.º 3 da Rua do Norte, o prédio da esquina com a Praça de Luís de Camões, e Virgínia arrendou um apartamento mesmo em frente.1
Virgínia distinguiu-se na reportagem política.1 Em fevereiro de 1911, «A Capital» defendeu que fosse nomeada para o serviço diplomático, então vedado às mulheres; em agosto, noticiou que ia estudar, em comissão de serviço, as escolas femininas de França, Itália, Suíça e Alemanha.4 A 26 de agosto, numa entrevista ao jornal, disse que adorava a profissão, que os colegas homens sempre a tinham acolhido bem e que queria ver outras mulheres a ganhar a vida como jornalistas.1
O jornal acompanhou de perto a causa sufragista. A 29 de abril de 1911 reproduziu a sentença que mandava recensear Carolina Beatriz Ângelo e chamou-lhe «uma vitória para o feminismo nacional».2 A 28 de maio, dia da eleição, contou como ela votou no Clube Estefânia: o protesto de um eleitor, a invocação do artigo 64.º da lei eleitoral, o «Sou eu!» à segunda chamada e as palmas de parte da assistência.3
Última sede da censura à imprensa, entre 22/9/1969 e o 25 de Abril de 1974, em frente à redação do jornal República. Os jornais entregavam aqui as provas para o «lápis azul»; a 26 de abril o edifício foi assaltado pela população.
No Chiado, a sede da polícia política: os arquivos, os informadores e, no terceiro piso, os interrogatórios e a tortura. No 25 de Abril, os agentes dispararam daqui sobre a multidão e mataram quatro pessoas.
Sede do Governo Civil de Lisboa, num antigo edifício do Convento de São Francisco. A 1.ª Esquadra da PSP, ali instalada, tinha calabouços onde a polícia política encerrou muitos presos, sobretudo antes de 1938, e onde se faziam julgamentos do Tribunal Militar Especial.
No n.º 116 ficava o República, o diário da oposição democrática. Esteve na conspiração do 25 de Abril, saiu nesse dia sem passar pela censura e, em maio de 1975, deu nome a uma das grandes crises da revolução, o «caso República».
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Notas sobre as fontes3
O ponto no mapa é aproximado: o n.º 3 da Rua do Norte não está identificado, e o ponto fica na Praça de Luís de Camões, junto à esquina.
Até quando a redação de «A Capital» esteve neste prédio.
O número da casa onde Virgínia Quaresma morou na Rua do Norte, e em que anos.