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A Travessa das Mónicas e o Convento das Mónicas, já estabelecimento prisional, por volta de 1900. Fotografia de José Artur Leitão Bárcia (Arquivo Municipal de Lisboa). José Artur Leitão Bárcia, Domínio público

Cadeia das Mónicas

Fotografia a preto e branco de uma rua empedrada e deserta, entre muros altos e a fachada comprida e austera de um antigo convento, com um candeeiro de rua.
A Travessa das Mónicas e o Convento das Mónicas, já estabelecimento prisional, por volta de 1900. Fotografia de José Artur Leitão Bárcia (Arquivo Municipal de Lisboa). José Artur Leitão Bárcia, Domínio público

São Vicente

Cadeia das Mónicas

Convento do século XVI feito cadeia de mulheres. Era sobretudo uma prisão de delito comum, mas recebeu presas políticas — e serviu de castigo a mulheres da oposição, como Isabel Aboim Inglez, mandada para aqui pelo Tribunal Plenário.

Hoje: O antigo Convento de Santa MónicaNum percurso
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O Convento de Santa Mónica, na Graça, data do fim do século XVI. Extintas as ordens religiosas, foi casa de correção de menores e, desde o princípio do século XX, prisão de mulheres; segundo a Wikipédia em inglês, que cita o inventário do património arquitetónico, um decreto de 16 de abril de 1918 criou aqui a Cadeia Civil de Mulheres de Lisboa.1

Era sobretudo uma cadeia de delito comum, mas recebeu presas políticas: o projeto Memória Comum conta as Mónicas, «residualmente», entre os lugares onde a polícia política impôs a incomunicabilidade.2 Em junho de 1937 chegaram aqui dez mulheres da Ribeira Brava, presas depois da «revolta do leite» na Madeira.3 A partir de maio de 1938, a prisão política das mulheres passou a ser o Reduto Norte do Forte de Caxias.4

As Mónicas serviram também de castigo. Isabel Aboim Inglez, chamada a depor como testemunha de defesa no Tribunal Plenário, enfrentou o juiz presidente, que a mandou prender três dias por «falta de respeito ao tribunal» e a mandou para aqui. À saída, disse que tinha aprendido com as outras presas e feito ali um «estudo sociológico».5

Magda Fonseca, da União de Resistentes Antifascistas Portugueses, lembra as visitas que fazia em criança, antes de 1946, à tia Dalila, militante comunista presa várias vezes: as «apalpadeiras» à entrada, a revista ao pão e às marmitas, uma rede a meia altura a separar presas e visitas. Políticas e comuns tinham a mesma hora de visita e distinguiam-se pela farda — «quadradinhos azuis e brancos, para as políticas, e encarnados e brancos para as presas comuns». Os bilhetes passavam muitas vezes escondidos na roupa interior da criança.6

A partir de 1953, as reclusas foram sendo transferidas para a nova prisão de Tires.1 Na mesma travessa, no n.º 57, viveu Sophia de Mello Breyner Andresen, que descrevia a casa com um lado virado «para a Travessa das Mónicas, onde havia uma prisão».7 Em 2021 foi noticiado um projeto de hotel para o antigo convento, contestado por um movimento de cidadãos.8

Nos percursos

Onde fica

Mapa com a localização de Cadeia das Mónicas.

Cadeia das MónicasTravessa das Mónicas, 2, 1100-359 Lisboa

Datas

  1. 16 de abril de 1918

    Um decreto cria aqui a Cadeia Civil de Mulheres de Lisboa.

  2. junho de 1937

    Chegam dez mulheres da Ribeira Brava, presas depois da «revolta do leite».

  3. maio de 1938

    A prisão política das mulheres passa para o Reduto Norte de Caxias.

  4. 1953

    Começa a transferência das reclusas para Tires.

  5. maio de 2021

    Notícia de um projeto de hotel para o antigo convento.

  6. 6 ago. 1936

    «Revolta do Leite» na Madeira; dez presas enviadas para Lisboa

Pessoas ligadas a este lugar

Perto daqui

  • 30 m · 5 min a pé

    Casa de Sophia de Mello Breyner Andresen

    Sophia de Mello Breyner Andresen viveu no 1.º andar do n.º 57 de 1951 até morrer, em 2004. Uma casa de portas abertas à oposição, com um lado virado para o rio e outro para a travessa da cadeia de mulheres das Mónicas.

    Cultura e censuraOposiçãoMulheres
  • 90 m · 5 min a pé

    A Voz do Operário

    Hoje: Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário

    Nasceu em 1879 como jornal dos operários tabaqueiros e tornou-se a maior escola popular de Lisboa. Em 1949, a oposição fez aqui comícios pela candidatura de Norton de Matos, com Maria Lamas, Isabel Aboim Inglez e Cesina Bermudes.

    TrabalhoOposiçãoMulheres
  • 110 m · 5 min a pé

    Botequim

    Hoje: Bar Botequim (reaberto em 2010 por novos proprietários)

    O bar que Natália Correia abriu em 1971 no Largo da Graça, com três amigas, e para onde passou a tertúlia que reunia em casa — onde se discutia, nas palavras de um roteiro da Universidade Nova, «em liberdade literatura, política e feminismo».

    Cultura e censuraMulheresOposição
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    Casa onde morreu Angelina Vidal (Rua de São Gens, 41)

    Hoje: Uma pequena vivenda térrea

    Nesta casa térrea da Rua de São Gens viveu Angelina Vidal, professora, jornalista e propagandista republicana e socialista, que defendeu as operárias e a educação das mulheres. Morreu aqui, «quase na miséria», a 1 de agosto de 1917.

    MulheresRepúblicaTrabalho
Notas sobre as fontes7
  • As datas institucionais (1918, 1953) vêm da Wikipédia em inglês, que cita o SIPA; o SIPA estava indisponível na consulta.
  • A data em que a cadeia fechou (1989, segundo a Wikipédia em português) não foi confirmada noutra fonte.
  • Uso atual do edifício e estado do projeto de hotel; se o espaço se pode visitar.
  • O nome completo de Dalila, a tia de Magda Fonseca, e as datas das suas prisões.
  • Outras presas políticas nas Mónicas referidas em blogues (Aida Paulo, transferida em 1939; Carolina Loff da Fonseca) — sem confirmação em fonte institucional.
  • A data em que Isabel Aboim Inglez foi mandada para as Mónicas.
  • O uso atual do antigo convento.

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Fontes

  1. 1Monastery of the Mónicas. Wikipedia (en) (ponto de partida; cita o SIPA) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 27. Isolamento e «celas disciplinares». Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3“Revolta do Leite” da Madeira. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Cárceres do império. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Isabel Aboim Inglez. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Mónicas (testemunho de Magda Fonseca). URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Sophia de Mello Breyner Andresen – Lisboa (exposição virtual). Biblioteca Nacional de Portugal — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Antigo Convento das Mónicas, na Graça, vai ser transformado em hotel (Susete Francisco, 20/5/2021). Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Convento das Mónicas. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Graça em estado de graça (roteiro, 20/4/2017). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.