Repressãoestudante de Direitomilitante do MRPP e da FEMLtestemunha do assassinato de Ribeiro Santospresa política torturada
Nasceu
20 de janeiro de 1952, Vale da Azinheira, Minas de São Domingos (Mértola)
Estudante de Direito, assistiu ao assassinato de Ribeiro Santos em 1972. Presa em 1973, foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política em Caxias, e nunca falou.
Nasceu a 20 de janeiro de 1952 em Vale da Azinheira, nas Minas de São Domingos, no Alentejo; o pai era anarcossindicalista.1 Em 1969, com 17 anos, veio estudar para a Faculdade de Direito de Lisboa e aproximou-se do MRPP.1 A 12 de outubro de 1972 estava no anfiteatro de Económicas quando um agente da PIDE/DGS matou o estudante José António Ribeiro Santos.31 Aderiu então formalmente ao MRPP e à sua organização estudantil, a Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas.1
Foi presa a 3 de maio de 1973, depois de uma reunião de estudantes, e levada para o Forte de Caxias, em rigoroso isolamento. A PIDE/DGS submeteu-a a ameaças e humilhações, à tortura da «estátua», a dezasseis dias seguidos de tortura do sono, a espancamentos violentos e à simulação de afogamento, mergulhando-lhe a cabeça num lavatório com água. Não falou.1 Três meses depois foi libertada sem acusação, sem julgamento e sem ter podido falar com um advogado. Foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política.1
Já depois do 25 de Abril, voltou a ser presa a 28 de maio de 1975, numa operação do COPCON que deteve mais de 400 militantes do MRPP. Deixou o partido em 1977.1 Contou a experiência da tortura e da prisão no livro «Gente Comum – Uma História da PIDE», organizado por António Monteiro Cardoso e Paula Godinho, e em 2016 deu o seu testemunho ao Museu do Aljube.1
No arquivo
Documentário montado por Sofia Gomes para a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», com excertos dos testemunhos que o Museu do Aljube recolhe desde 2015: dezasseis mulheres falam da resistência à ditadura e da luta pelos direitos das mulheres. Esta versão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa; a versão sem LGP está no mesmo canal (XmUbNbnHgKg, 2022).
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Aurora Rodrigues, num testemunho recolhido pelo Museu do Aljube a 12 de outubro de 2016. As palavras-chave do museu incluem o movimento estudantil, o assassinato de Ribeiro Santos, o MRPP, a prisão, os interrogatórios e a tortura em Caxias.
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Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.
Estudante de Direito de 26 anos, morto a tiro por um agente da PIDE/DGS num «meeting contra a repressão» no ISCEF, a 12 de outubro de 1972. O funeral foi uma das maiores manifestações contra a ditadura na sua fase final.
Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.
Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.
Poeta são-tomense em cuja casa lisboeta, na Rua Actor Vale, funcionou a partir de 1951 o Centro de Estudos Africanos. Presa em 1965 e encarcerada em Caxias, escreveu depois a letra do hino de São Tomé e Príncipe.
Mecânico preso em Caxias, fez-se passar por «rachado» durante meses, a pedido do PCP, para preparar a fuga de 4 de dezembro de 1961, e foi ao volante do carro blindado de Salazar que oito presos saíram do forte.
Notas sobre as fontes2
Se seguiu a magistratura, como diz a descrição da Wikidata: nenhuma das fontes de texto o refere.
O ano de publicação de «Gente Comum – Uma História da PIDE».