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A Praça dos Restauradores em 1951, com o Palácio Foz — então sede do SNI — à esquerda e o obelisco ao centro. Autor desconhecido (ETH-Bibliothek Zürich, Bildarchiv), CC BY-SA 4.0

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Fotografia a preto e branco tirada do alto: o obelisco no meio de uma praça com elétricos e automóveis antigos, a avenida arborizada a perder de vista e, à esquerda, a fachada longa de um palácio com estátuas no telhado.
A Praça dos Restauradores em 1951, com o Palácio Foz — então sede do SNI — à esquerda e o obelisco ao centro. Autor desconhecido (ETH-Bibliothek Zürich, Bildarchiv), CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas

No consultório de Adelaide Cabete, nesta praça, nasceu em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — «a mais importante e duradoura associação feminista portuguesa da primeira metade do século XX». Teve aqui a sede durante 32 anos.

Hoje: Praça dos Restauradores, 13Localização aproximadaNum percurso
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Adelaide Cabete, obstetra e ginecologista formada em 1900, abriu consultório na Baixa em 1907 e, a partir de 1910, aqui, no n.º 13 da Praça dos Restauradores, com a sobrinha, a dentista Maria Brazão. Dava consultas gratuitas a mulheres pobres.1

Em 1914, por iniciativa sua, nasceu no consultório o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Apresentava-se como «uma instituição feminina, apolítica e não religiosa», e queria proteger mulheres e crianças desfavorecidas e acabar com a prostituição regulamentada. Para a historiadora Rosa de Lurdes Correia, foi «a mais importante e duradoura associação feminista portuguesa da primeira metade do século XX». A sede ficou aqui durante 32 anos.2

O Conselho publicou o «Boletim Oficial» e a revista «Alma Feminina», dirigidos por Maria Clara Correia Alves,3 e organizou em Lisboa os congressos feministas e de educação de 1924 e 1928. Passaram por ele mulheres que viriam a ser figuras da oposição ao Estado Novo: Elina Guimarães, Isabel Aboim Inglez, Maria Alda Nogueira.2

A comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, o primeiro do país, tinha aqui a sua morada: a brochura que o anunciava, para março de 1924, pedia que as teses fossem entregues na sede do Conselho e que toda a correspondência fosse dirigida à comissão, na «Praça dos Restauradores, 13, 2.º». A comissão juntava dez mulheres — Adelaide Cabete, Aurora de Castro e Gouveia, Angélica Viana Porto, Domingas Lazary Amaral, Albertina Gamboa, Laura Corte Real, Maria O'Neill, Deolinda Lopes Vieira, Vitória Pais Madeira e Elisa Lima — e dois homens, e a maior parte delas era também relatora de teses.10 O congresso fez-se de 4 a 9 de maio, na Associação de Socorros Mútuos dos Empregados no Comércio.2 Outras sócias do Conselho levaram-lhe teses, como as professoras Ilda Pinto de Lima e Regina do Carmo, Julieta Ribeiro de Carvalho e Maria Isabel Correia Manso.9

Com Maria Lamas na presidência, a partir de 1945, o Conselho ganhou projeção nacional e abriu delegações pelo país.5 Em 1946 mudou-se para as Amoreiras — onde a polícia o fecharia no ano seguinte.2

Nos percursos

Onde fica

Mapa com a localização de Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Conselho Nacional das Mulheres PortuguesasPraça dos Restauradores, 13, 1.º andar, Lisboa

Datas

  1. 1910

    Adelaide Cabete instala o consultório na Praça dos Restauradores, 13.

  2. 1914

    Nasce aqui o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

  3. 1924

    A comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação recebe aqui as teses e a correspondência.

  4. julho de 1945

    Maria Lamas passa a presidir ao Conselho.

  5. 1946

    A sede muda-se para as Amoreiras.

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Notas sobre as fontes5
  • O dia da fundação: a Wikipédia indica 30 de maio de 1914; as outras fontes consultadas dizem só 1914.
  • O andar: 1.º (NOVA FCSH; Wikipédia) ou 2.º (Toponímia de Lisboa, para o consultório; brochura do I Congresso Feminista e de Educação, de 1924, para a correspondência do Conselho). Segundo a NOVA FCSH, entre 1920 e 1946 ficavam no 2.º andar do mesmo prédio a Liga Portuguesa Abolicionista e as Ligas de Bondade.
  • O que ocupa hoje o n.º 13 da Praça dos Restauradores, e se o prédio é o mesmo (a paragem fica na praça).
  • O parentesco de Maria Brazão com Adelaide Cabete: sobrinha, segundo a Toponímia de Lisboa; irmã, segundo a NOVA FCSH e a Wikipédia.
  • As teses de Ilda Pinto de Lima, Regina do Carmo, Julieta Ribeiro de Carvalho e Maria Isabel Correia Manso só foram lidas na Wikipédia; a brochura de 1924 atribui «Bibliotecas infantis» e «Escolas ao ar livre», que a Wikipédia dá às duas primeiras, ao Instituto Feminino de Educação e Trabalho.

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Fontes

  1. 1A Rua da médica Adelaide Cabete que também foi professora de Higiene. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Alma Feminina: boletim oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Lisboa, 1917-1946 (registo). Biblioteca Nacional Digital — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Lisboa, [1914]-1916 (registo). Biblioteca Nacional Digital — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Maria Lamas, a ativista pelos direitos das mulheres (Virgínia Baptista, IHC – NOVA FCSH). RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Conselho Internacional de Mulheres: Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres decide avançar para Conselho Nacional em Portugal. Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Wikipédia (inglês) — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Primeiro Congresso Feminista e de Educação (brochura de divulgação, com a comissão organizadora, as teses e o regulamento). Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — Arquivo de História Social (ICS-ULisboa), Espólio Pinto Quartin, 1924 — consultado a 3 de outubro de 2026Cota PT/AHS-ICS/PQ-B-1276; a brochura anunciava o congresso para março de 1924.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.