Mulheres da resistência
Maria Lourença Cabecinha
Maria Lourença Calção Cabecinha
- Nasceu
- 17 de março de 1933, São Romão, Montemor-o-Novo
- Morreu
- 7 de janeiro de 2022
Trabalhadora rural alentejana e funcionária clandestina do PCP, foi presa em 1964. Em Caxias sofreu interrogatórios penosos e tortura psicológica, e estudou com outras presas, entre elas Alda Nogueira.
Nasceu a 17 de março de 1933 em São Romão, Montemor-o-Novo, filha de trabalhadores rurais. Começou a trabalhar no campo aos 12 anos e aderiu ao PCP em 1948, aos 15.1 Em 1952 passou a funcionária do partido e foi viver na clandestinidade com o marido, António Gervásio, e o filho de três meses, que aos três anos foi entregue aos avós.1
Quando o marido voltou a ser preso, em 1963, manteve-se na clandestinidade. Foi presa em julho de 1964.1 No Forte de Caxias foi sujeita a interrogatórios penosos, a tortura psicológica, à falta de cuidados médicos e a discriminações, «mas nunca torturada».1 Na prisão estudou Português e Francês com Fernanda Paiva Tomás, Matemática e Geografia com Alda Nogueira, e higiene, saúde e cuidados materno-infantis com Julieta Gandra.1
Em janeiro de 1965 foi condenada a dois anos e dez meses de prisão maior e a medidas de segurança, que começou a cumprir em 1967. Libertada em setembro de 1969, voltou à clandestinidade em julho de 1970 e assim ficou até 28 de maio de 1974.1 Morreu em 2022.2
No arquivo
Documentário montado por Sofia Gomes para a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», com excertos dos testemunhos que o Museu do Aljube recolhe desde 2015: dezasseis mulheres falam da resistência à ditadura e da luta pelos direitos das mulheres. Esta versão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa; a versão sem LGP está no mesmo canal (XmUbNbnHgKg, 2022).
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Três mulheres do campo — Eulália Miranda, Hermínia Vicente e Maria Lourença Cabecinha — num testemunho conjunto recolhido pelo Museu do Aljube a 19 de outubro de 2016. Segundo as palavras-chave do museu, falam da luta pelas 8 horas de trabalho, da clandestinidade no PCP, dos filhos de clandestinos, da prisão e dos interrogatórios em Caxias.
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
jul. 1964
Prisão de Maria Lourença Cabecinha
Cruzaram-se com ela
Maria Alda Nogueira
1923–1998
Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.
Aida Magro
1918–2011
Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.
Albina Fernandes
1928–1970
Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.
Alda do Espírito Santo
1926–2010
Poeta são-tomense em cuja casa lisboeta, na Rua Actor Vale, funcionou a partir de 1951 o Centro de Estudos Africanos. Presa em 1965 e encarcerada em Caxias, escreveu depois a letra do hino de São Tomé e Príncipe.
António Tereso
Mecânico preso em Caxias, fez-se passar por «rachado» durante meses, a pedido do PCP, para preparar a fuga de 4 de dezembro de 1961, e foi ao volante do carro blindado de Salazar que oito presos saíram do forte.
Aurora Rodrigues
n. 1952
Estudante de Direito, assistiu ao assassinato de Ribeiro Santos em 1972. Presa em 1973, foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política em Caxias, e nunca falou.
Notas sobre as fontes1
- A data da morte, 7 de janeiro de 2022, só a Wikidata a dá.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Maria Lourença Cabecinha (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
