Oposiçãoprofessorafundadora e diretora do Colégio Fernão de Magalhãessócia do CNMP e da Associação Feminina Portuguesa para a Pazprimeira mulher na Comissão Central do MUDpresa política
Nasceu
7 de janeiro de 1902, Lisboa (Rua Nova do Loureiro, Bairro Alto, antiga freguesia das Mercês)
Morreu
7 de março de 1963, Lisboa (Hospital de Santa Maria)
Professora e feminista, primeira mulher na Comissão Central do MUD, a quem José Gomes Ferreira chamou «a Indomável». O regime fechou-lhe o colégio, tirou-lhe o ensino e prendeu-a várias vezes.
Nasceu em Lisboa a 7 de janeiro de 1902. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi assistente, e em 1938 fundou o Colégio Fernão de Magalhães, de que foi professora e diretora.31 Viúva desde 1942, com cinco filhos, começou então a ser perseguida: o ministro da Educação vetou o seu nome na Faculdade e, em 1945, foi demitida por razões políticas.7
Nos anos 1930 entrou como sócia para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, mais tarde, aderiu também à Associação Feminina Portuguesa para a Paz.7 Em 1945 foi a primeira mulher na Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática.2 Foi presa a 13 de dezembro de 1946, com outros membros da Comissão Central, e libertada no dia seguinte; voltou a ser presa em janeiro de 1948, pela distribuição de 1500 exemplares de propaganda do MUD, e ficou detida dois meses.1
Apoiou as candidaturas de Norton de Matos, Arlindo Vicente e Humberto Delgado; numa fotografia de 1949, está ao lado de Norton de Matos num comício n'A Voz do Operário.4 O colégio foi fechado em fevereiro de 1949. Proibida de sair do país para ir ensinar no Brasil, abriu um ateliê de costura e deu explicações. Chamada como testemunha de defesa ao Tribunal Plenário, enfrentou o juiz e foi mandada três dias para a cadeia das Mónicas, de onde saiu a dizer que fizera ali «um estudo sociológico». Em 1961 tiraram-lhe os direitos políticos.1
Maria Lamas escreveu-lhe que o seu exemplo ficaria «como um título de orgulho para todas nós, mulheres!». Morreu a 7 de março de 1963.13
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.
Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.
Médica obstetra e pioneira do «parto sem dor» em Portugal. Fez campanha por Norton de Matos em 1949, na Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, e por isso foi presa em Caxias e afastada do ensino na Faculdade de Medicina.
General da I República, foi em 1949 o candidato da oposição unida à Presidência da República: fez comícios na Voz do Operário e desistiu nas vésperas da eleição. Como muitos opositores, defendia uma política colonialista, que expôs em 1953 em «África Nossa».
Jurista e feminista, dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o Estado Novo o fechar, em 1947. Precursora do «feminismo jurídico», defendeu o voto das mulheres, a coeducação e os direitos da mulher trabalhadora, e esteve na oposição democrática.
Notas sobre as fontes4
A data da morte: 7/3/1963 (Wikipédia, que cita o registo de óbito); o Wikidata tem também 7/3/1953, e um texto do Museu do Aljube fala de «58 anos da sua morte», que pode ser de 2021.
A grafia do apelido: «Inglez» (Museu do Aljube) ou «Inglês» (Wikipédia, Casa Comum).
O ano do episódio do Tribunal Plenário e das Mónicas (1958, segundo a Wikipédia; o Museu do Aljube não o data).
Se foi dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz: o Museu do Aljube chama-lhe «dirigente» das duas (e do MUD, entre 1946 e 1948); a CIG e a Wikipédia dizem que entrou como sócia no Conselho, nos anos 1930, e que mais tarde aderiu à Associação.