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Resistênciapor Onofriana.pt

Mulheres da resistência

Isabel Aboim Inglez

Maria Isabel Hahnemann Saavedra de Aboim Inglês

Oposiçãoprofessorafundadora e diretora do Colégio Fernão de Magalhãessócia do CNMP e da Associação Feminina Portuguesa para a Pazprimeira mulher na Comissão Central do MUDpresa política
Nasceu
7 de janeiro de 1902, Lisboa (Rua Nova do Loureiro, Bairro Alto, antiga freguesia das Mercês)
Morreu
7 de março de 1963, Lisboa (Hospital de Santa Maria)

Professora e feminista, primeira mulher na Comissão Central do MUD, a quem José Gomes Ferreira chamou «a Indomável». O regime fechou-lhe o colégio, tirou-lhe o ensino e prendeu-a várias vezes.

Nasceu em Lisboa a 7 de janeiro de 1902. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi assistente, e em 1938 fundou o Colégio Fernão de Magalhães, de que foi professora e diretora.31 Viúva desde 1942, com cinco filhos, começou então a ser perseguida: o ministro da Educação vetou o seu nome na Faculdade e, em 1945, foi demitida por razões políticas.7

Nos anos 1930 entrou como sócia para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, mais tarde, aderiu também à Associação Feminina Portuguesa para a Paz.7 Em 1945 foi a primeira mulher na Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática.2 Foi presa a 13 de dezembro de 1946, com outros membros da Comissão Central, e libertada no dia seguinte; voltou a ser presa em janeiro de 1948, pela distribuição de 1500 exemplares de propaganda do MUD, e ficou detida dois meses.1

Apoiou as candidaturas de Norton de Matos, Arlindo Vicente e Humberto Delgado; numa fotografia de 1949, está ao lado de Norton de Matos num comício n'A Voz do Operário.4 O colégio foi fechado em fevereiro de 1949. Proibida de sair do país para ir ensinar no Brasil, abriu um ateliê de costura e deu explicações. Chamada como testemunha de defesa ao Tribunal Plenário, enfrentou o juiz e foi mandada três dias para a cadeia das Mónicas, de onde saiu a dizer que fizera ali «um estudo sociológico». Em 1961 tiraram-lhe os direitos políticos.1

Maria Lamas escreveu-lhe que o seu exemplo ficaria «como um título de orgulho para todas nós, mulheres!». Morreu a 7 de março de 1963.13

No arquivo

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 10 nov. 1935

    Constituição da Associação Feminina Portuguesa para a Paz
  2. 1945

    Mulheres no Movimento de Unidade Democrática
  3. 8 out. 1945

    Fundação do Movimento de Unidade Democrática (MUD)
  4. 13 dez. 1946

    Isabel Aboim Inglez presa pela primeira vez pela PIDE
  5. 28 jun. 1947

    A polícia fecha o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas
  6. 1 mar. 1948

    O MUD é declarado ilegal
  7. 28 jan. 1949

    Sessão da Comissão Feminina da candidatura de Norton de Matos
  8. 28 jan. 1949

    Comício de Norton de Matos na Voz do Operário
  9. 14 out. 1949

    Prisão de Cesina Bermudes, dirigente do Movimento Nacional Democrático Feminino
  10. 15 out. 1959

    Prisão de Maria Alda Nogueira na Avenida da Liberdade

Cruzaram-se com ela

  • Maria Lamas

    1893–1983

    Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

  • Manuela Porto

    1908–1950

    Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.

  • Maria Alda Nogueira

    1923–1998

    Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.

  • Cesina Bermudes

    1908–2001

    Médica obstetra e pioneira do «parto sem dor» em Portugal. Fez campanha por Norton de Matos em 1949, na Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, e por isso foi presa em Caxias e afastada do ensino na Faculdade de Medicina.

  • Norton de Matos

    1867–1955

    General da I República, foi em 1949 o candidato da oposição unida à Presidência da República: fez comícios na Voz do Operário e desistiu nas vésperas da eleição. Como muitos opositores, defendia uma política colonialista, que expôs em 1953 em «África Nossa».

  • Elina Guimarães

    1904–1991

    Jurista e feminista, dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o Estado Novo o fechar, em 1947. Precursora do «feminismo jurídico», defendeu o voto das mulheres, a coeducação e os direitos da mulher trabalhadora, e esteve na oposição democrática.

Notas sobre as fontes4
  • A data da morte: 7/3/1963 (Wikipédia, que cita o registo de óbito); o Wikidata tem também 7/3/1953, e um texto do Museu do Aljube fala de «58 anos da sua morte», que pode ser de 2021.
  • A grafia do apelido: «Inglez» (Museu do Aljube) ou «Inglês» (Wikipédia, Casa Comum).
  • O ano do episódio do Tribunal Plenário e das Mónicas (1958, segundo a Wikipédia; o Museu do Aljube não o data).
  • Se foi dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz: o Museu do Aljube chama-lhe «dirigente» das duas (e do MUD, entre 1946 e 1948); a CIG e a Wikipédia dizem que entrou como sócia no Conselho, nos anos 1930, e que mais tarde aderiu à Associação.

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Fontes

  1. 1Isabel Aboim Inglez. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Ilegalização do MUD. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Maria Isabel Aboim Inglês. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário) – fotografia (cota 04654.000.038). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Maria Isabel Aboim Inglês (Q105480230). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026