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Resistênciapor Onofriana.pt
Fotografia a preto e branco de uma mulher de perfil, com o cabelo escuro puxado para trás e uma blusa escura.
Autor desconhecido, Domínio público

Mulheres da resistência

Manuela Porto

Manuela Cesarina Sena Porto de Araújo Pereira

Oposiçãoatrizescritora e tradutoracrítica de teatro e declamadora de poesiavice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1946)
Nasceu
24 de abril de 1908, Lisboa
Morreu
7 de julho de 1950, Lisboa

Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.

Nasceu em Lisboa a 24 de abril de 1908.2 Foi atriz da companhia Rey Colaço – Robles Monteiro e estudou no Conservatório Nacional de Teatro; foi também crítica de teatro, declamadora de poesia e tradutora, e trouxe para português autoras como Louisa May Alcott, Anne Brontë, Elizabeth Gaskell e Virginia Woolf.1 Em 1931 casou com o pintor Roberto Araújo Pereira no registo civil de Lisboa, em regime de «separação total, completa e absoluta dos bens» — um procedimento então pioneiro.1

Nos anos 1930 abraçou o ativismo feminista e foi aderindo às organizações que se opunham ao Estado Novo: o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, o Movimento de Unidade Nacional Antifascista, o Movimento de Unidade Democrática, a Comissão dos Escritores, Jornalistas e Artistas Democráticos, o PEN Clube Português e a Comissão Central e Feminina do Movimento Nacional Democrático.1

Em 1946 foi nomeada vice-presidente do CNMP. Em janeiro de 1947, na Exposição de Livros Escritos por Mulheres que o Conselho organizou na Sociedade Nacional de Belas-Artes, fez a palestra «Virginia Woolf: o problema das mulheres das letras».12 O regime não gostou da dimensão da exposição e ilegalizou o Conselho.1 A 28 de junho de 1947 a polícia fechou, «sem aviso prévio», a sua sede nas Amoreiras, pondo fim a 33 anos de associação.3 Morreu em Lisboa a 7 de julho de 1950, aos 42 anos.2

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 10 nov. 1935

    Constituição da Associação Feminina Portuguesa para a Paz
  2. 1945

    Mulheres no Movimento de Unidade Democrática
  3. 4 jan. 1947

    Exposição de Livros Escritos por Mulheres
  4. 28 jun. 1947

    A polícia fecha o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas
  5. 28 jan. 1949

    Sessão da Comissão Feminina da candidatura de Norton de Matos

Cruzaram-se com ela

  • Maria Lamas

    1893–1983

    Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

  • Isabel Aboim Inglez

    1902–1963

    Professora e feminista, primeira mulher na Comissão Central do MUD, a quem José Gomes Ferreira chamou «a Indomável». O regime fechou-lhe o colégio, tirou-lhe o ensino e prendeu-a várias vezes.

  • Elina Guimarães

    1904–1991

    Jurista e feminista, dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o Estado Novo o fechar, em 1947. Precursora do «feminismo jurídico», defendeu o voto das mulheres, a coeducação e os direitos da mulher trabalhadora, e esteve na oposição democrática.

  • Maria Alda Nogueira

    1923–1998

    Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.

  • Stella Piteira Santos

    1917–2009

    Uma das primeiras associadas da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ajudou refugiados judeus durante a guerra. Presa e torturada pela PIDE em 1962, exilou-se na Argélia e foi, em Argel, a primeira voz feminina da Rádio Voz da Liberdade.

  • Adelaide Cabete

    1867–1935

    Médica republicana que só começou a estudar depois de casar, fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidiu-lhe mais de vinte anos e fez do seu consultório nos Restauradores a sede.

Notas sobre as fontes2
  • O dia da palestra sobre Virginia Woolf: a exposição esteve aberta de 4 a 12 de janeiro de 1947, e as fontes não dizem em que dia ela falou.
  • Em que sede trabalhou como vice-presidente do CNMP: na Praça dos Restauradores ou já na Travessa da Fábrica das Sedas, nas Amoreiras, para onde o Conselho se mudou em 1946.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Manuela Porto. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4A Rua da médica Adelaide Cabete que também foi professora de Higiene. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026