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Resistênciapor Onofriana.pt

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Lugares

83 lugares onde a história aconteceu. Muitos ainda lá estão; alguns mudaram de nome e de função; outros só existem na memória e nas fontes.

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Em Lisboa

  • Aeroporto de Lisboa (Portela)

    Hoje: Aeroporto Humberto Delgado

    Na madrugada de 25 de Abril, o MFA ocupou o aeroporto da Portela e fechou o espaço aéreo. Daqui partiram Caetano e Tomás para o Funchal, e aqui chegaram do exílio, a 30 de abril, Álvaro Cunhal e Conceição Matos, no «avião da Liberdade».

    RevoluçãoOposiçãoRepressão
  • Alameda D. Afonso Henriques e Fonte Luminosa

    Hoje: Alameda D. Afonso Henriques / Fonte Monumental (Fonte Luminosa)

    Ponto de encontro do primeiro 1.º de Maio em liberdade, em 1974. A 19 de julho de 1975, foi aqui, junto à Fonte Luminosa, o comício do PS que se tornou um dos momentos decisivos do Verão Quente.

    RevoluçãoTrabalho
  • A Voz do Operário

    Hoje: Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário

    Nasceu em 1879 como jornal dos operários tabaqueiros e tornou-se a maior escola popular de Lisboa. Em 1949, a oposição fez aqui comícios pela candidatura de Norton de Matos, com Maria Lamas, Isabel Aboim Inglez e Cesina Bermudes.

    TrabalhoOposiçãoMulheres
  • Botequim

    Hoje: Bar Botequim (reaberto em 2010 por novos proprietários)

    O bar que Natália Correia abriu em 1971 no Largo da Graça, com três amigas, e para onde passou a tertúlia que reunia em casa — onde se discutia, nas palavras de um roteiro da Universidade Nova, «em liberdade literatura, política e feminismo».

    Cultura e censuraMulheresOposição
  • Cadeia das Mónicas

    Hoje: O antigo Convento de Santa Mónica

    Convento do século XVI feito cadeia de mulheres. Era sobretudo uma prisão de delito comum, mas recebeu presas políticas — e serviu de castigo a mulheres da oposição, como Isabel Aboim Inglez, mandada para aqui pelo Tribunal Plenário.

    RepressãoMulheres
  • Cadeia do Aljube

    Hoje: Museu do Aljube – Resistência e Liberdade

    Ao lado da Sé, foi cadeia política de 1928 a 1965 — a das celas de isolamento a que os presos chamavam «curros» ou «gavetas». Desde 2015 é o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade.

    RepressãoOposiçãoMulheres
  • Café Chave d'Ouro

    Hoje: Uma agência da Caixa Geral de Depósitos

    No primeiro andar deste café do Rossio, a 10 de maio de 1958, Humberto Delgado respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar se fosse eleito.

    Oposição
  • Café Gelo

    Hoje: Gelo, marisqueira desde 2024

    Café do Rossio onde, entre 1957 e 1962, se reunia o «Grupo do Café Gelo», de poetas e pintores dissidentes; o grupo foi proibido de lá entrar depois do 1.º de Maio de 1962.

    Cultura e censuraOposiçãoRepressão
  • Calçada Ribeiro Santos

    Hoje: Calçada Ribeiro Santos (antiga Calçada de Santos)

    Aqui viveu José António Ribeiro Santos, o estudante morto pela DGS em 1972; daqui partiu o funeral, que foi uma das maiores manifestações da fase final da ditadura. A rua tem o seu nome desde o primeiro edital de toponímia depois do 25 de Abril.

    RepressãoEstudantesRevolução
  • Cantina da Cidade Universitária

    Hoje: Cantina Velha da Universidade de Lisboa

    A cantina da Cidade Universitária, aberta em 1961, foi o palco da greve de fome de maio de 1962: 81 estudantes recusaram comer, centenas juntaram-se-lhes, e na madrugada de 11 de maio a polícia cercou-a e prendeu-os um a um.

    EstudantesRepressãoMulheres
  • Capela do Rato

    Hoje: Capela do Rato (Capela de Nossa Senhora da Bonança)

    Na passagem de 1972 para 1973, católicos contra a guerra colonial fizeram aqui uma vigília de 48 horas. Foi uma mulher, Maria da Conceição Moita, quem a anunciou ao microfone; a polícia de choque acabou com ela e levou dezenas de pessoas.

    OposiçãoGuerra colonialRepressão
  • Casa da família Espírito Santo — sede do Centro de Estudos Africanos

    Na casa onde vivia a poeta são-tomense Alda do Espírito Santo instalou-se em 1951 o Centro de Estudos Africanos: Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Francisco José Tenreiro e outros reuniam-se aqui para «conhecer a África», longe dos olhos da PIDE.

    Guerra colonialMulheresEstudantes
  • Casa de Natália Correia

    Natália Correia viveu no 5.º andar do n.º 52 de 1953 até morrer, em 1993. Nos anos 1950 e 1960 a casa foi lugar das suas tertúlias e, em 1955, de uma estreia teatral à porta fechada: a tradução dela de «Huis-Clos», de Sartre.

    Cultura e censuraOposiçãoMulheres
  • Casa de Sophia de Mello Breyner Andresen

    Sophia de Mello Breyner Andresen viveu no 1.º andar do n.º 57 de 1951 até morrer, em 2004. Uma casa de portas abertas à oposição, com um lado virado para o rio e outro para a travessa da cadeia de mulheres das Mónicas.

    Cultura e censuraOposiçãoMulheres
  • Casa dos Estudantes do Império (CEI)

    Hoje: Edifício de serviços e habitação

    Criada pelo regime em 1944 para cultivar a «unidade imperial» entre os estudantes vindos das colónias, tornou-se escola de oposição e de anticolonialismo: por aqui passaram Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. A PIDE fechou-a em 1965.

    Guerra colonialEstudantesOposição
  • Casa onde morreu Angelina Vidal (Rua de São Gens, 41)

    Hoje: Uma pequena vivenda térrea

    Nesta casa térrea da Rua de São Gens viveu Angelina Vidal, professora, jornalista e propagandista republicana e socialista, que defendeu as operárias e a educação das mulheres. Morreu aqui, «quase na miséria», a 1 de agosto de 1917.

    MulheresRepúblicaTrabalho
  • Cidade Universitária de Lisboa (Estádio Universitário e faculdades)

    Hoje: Cidade Universitária – Universidade de Lisboa

    Aqui começou a crise académica de 1962: proibido o Dia do Estudante, a 24 de março, a polícia de choque carregou sobre os estudantes. Nos plenários que se seguiram, Isabel do Carmo foi a primeira mulher a tomar a palavra.

    EstudantesRepressãoMulheres
  • Coliseu dos Recreios

    Hoje: Coliseu dos Recreios

    A 29 de março de 1974, menos de um mês antes da revolução, o I Encontro da Canção Portuguesa encheu o Coliseu. A censura tinha cortado canções, mas a sala cantou em coro «Grândola, Vila Morena» e gritou «abaixo a repressão!».

    Cultura e censuraOposiçãoRevolução
  • Comando da Legião Portuguesa

    No Largo da Penha de França estava, a 25 de Abril de 1974, o comando-geral da Legião Portuguesa, a milícia do regime criada em 1936, com uma rede de informadores e uma tropa de choque. Cercado pela coluna do major Jaime Neves, rendeu-se sem incidentes.

    RepressãoRevolução
  • Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas

    Hoje: Praça dos Restauradores, 13

    No consultório de Adelaide Cabete, nesta praça, nasceu em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — «a mais importante e duradoura associação feminista portuguesa da primeira metade do século XX». Teve aqui a sede durante 32 anos.

    MulheresRepúblicaOposição
  • Consultório de Carolina Beatriz Ângelo (Rua Nova do Almada, 84)

    Hoje: Um prédio com uma loja no rés-do-chão

    Um anúncio de 1909 situa aqui, no n.º 84 da Rua Nova do Almada, o consultório de Carolina Beatriz Ângelo, ginecologista e primeira cirurgiã portuguesa — dois anos antes de ela se tornar a primeira mulher a votar em Portugal.

    MulheresTrabalho
  • Cooperativa «A Padaria do Povo»

    Hoje: Cooperativa, bar e espaço cultural

    Cooperativa de pão fundada em 1904 num bairro operário, casa da Universidade Popular de Bento de Jesus Caraça até 1946. Segundo o próprio Movimento Democrático de Mulheres, foi numa assembleia aqui que o MDM nasceu, em 1968.

    MulheresOposiçãoTrabalho
  • Doca de Alcântara (ataque ao cargueiro «Cunene»)

    Hoje: Doca de Alcântara

    Primeira ação da ARA, o braço armado do PCP: na noite de 26 de outubro de 1970, cargas explosivas abriram um rombo no cargueiro «Cunene», que levava armas e abastecimentos para a guerra colonial e ficou «alagado e imobilizado na doca de Alcântara».

    OposiçãoGuerra colonial
  • Edifício Franjinhas — o restaurante dos cravos

    Hoje: Edifício Franjinhas

    Aqui funcionava o Sir, o restaurante onde Celeste Caeiro trabalhava. Fazia um ano a 25 de abril de 1974: não abriu, e os cravos comprados para a festa foram dados às empregadas — os cravos que Celeste levou para a Baixa.

    RevoluçãoMulheresTrabalho
  • Emissora Nacional (Rua do Quelhas)

    A rádio oficial do regime foi ocupada na madrugada de 25 de abril de 1974 por uma pequena força do Campo de Tiro da Serra da Carregueira, para servir de emissora de reserva do MFA. Voltou a ser disputada a 11 de março e a 25 de novembro de 1975.

    Revolução
  • Emissores Associados de Lisboa (estúdio da Avenida Elias Garcia)

    Do estúdio que os Emissores Associados de Lisboa tinham no 7.º andar deste prédio, o locutor João Paulo Diniz pôs no ar, às 22h55 de 24 de abril de 1974, «E Depois do Adeus» — a primeira senha do Movimento das Forças Armadas.

    RevoluçãoCultura e censura
  • Estação de Santa Apolónia

    Hoje: Estação ferroviária de Santa Apolónia

    A estação dos regressos. Em 1958, uma multidão esperou aqui Humberto Delgado, e a GNR carregou sobre ela. A 28 de abril de 1974, chegaram do exílio Mário Soares e Maria Barroso, recebidos em festa.

    OposiçãoRepressãoRevolução
  • Estádio da FNAT (rebatizado Estádio 1.º de Maio)

    Hoje: Estádio 1.º de Maio

    No primeiro 1.º de Maio em liberdade, uma semana depois da revolução, o desfile de Lisboa acabou num comício neste estádio da FNAT, que nesse dia passou a chamar-se Estádio 1.º de Maio. No comício, Mário Soares abraçou Álvaro Cunhal.

    TrabalhoRevolução
  • Estúdios da RTP no Lumiar

    Os antigos estúdios da RTP no Lumiar foram ocupados na madrugada de 25 de abril de 1974 por uma coluna da Escola Prática de Administração Militar. Daqui se apresentou ao país, na madrugada de 26, a Junta de Salvação Nacional.

    Revolução
  • Governo Civil de Lisboa e 1.ª Esquadra da PSP

    Hoje: O edifício do antigo Governo Civil

    Sede do Governo Civil de Lisboa, num antigo edifício do Convento de São Francisco. A 1.ª Esquadra da PSP, ali instalada, tinha calabouços onde a polícia política encerrou muitos presos, sobretudo antes de 1938, e onde se faziam julgamentos do Tribunal Militar Especial.

    Repressão
  • Hospital de São José

    Hoje: Hospital de São José

    Foi neste hospital que Carolina Beatriz Ângelo se tornou a primeira médica portuguesa a operar. Na noite de 25 de Abril de 1974, recebeu os feridos dos disparos da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso; o estudante João Arruda morreu aqui.

    MulheresTrabalhoRevolução
  • Igreja de Santa Engrácia – Panteão Nacional

    Hoje: Panteão Nacional

    Aqui repousam, desde 1990, os restos mortais de Humberto Delgado, o «General sem Medo», assassinado pela PIDE em 1965 com a secretária, Arajaryr Campos; e, desde 2014, os da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen.

    RepressãoOposição
  • Igreja de São Domingos

    Hoje: Igreja de São Domingos

    Na passagem de 1968 para 1969, mais de cem católicos ficaram aqui em vigília contra a guerra colonial. Para essa noite, Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu a «Cantata da Paz»: «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar».

    OposiçãoGuerra colonialCultura e censura
  • Instituto Superior Técnico

    Hoje: Instituto Superior Técnico – Universidade de Lisboa

    O campus de Pardal Monteiro foi palco de plenários decisivos do movimento estudantil: aqui se suspendeu o luto de 1962, aqui a PIDE invadiu a associação de estudantes em 1968, e aqui se decidiu, em 1972, ir em massa ao funeral de Ribeiro Santos.

    EstudantesRepressãoMulheres
  • ISCEF, no Quelhas

    Hoje: ISEG – Lisbon School of Economics & Management

    Num anfiteatro pré-fabricado desta escola, a 12 de outubro de 1972, um agente da DGS matou a tiro o estudante de Direito José António Ribeiro Santos, durante um «meeting contra a repressão». Na sala estava Aurora Rodrigues.

    RepressãoEstudantes
  • Largo do Caldas / Rua da Madalena

    Hoje: Largo Adelino Amaro da Costa

    Aqui, no 1.º de Maio de 1962, a polícia disparou rajadas de metralhadora contra os manifestantes e matou o tipógrafo Estêvão Giro, de 25 anos.

    TrabalhoRepressãoOposição
  • Largo do Carmo e Quartel do Carmo

    Hoje: Comando-Geral da GNR e Museu da Guarda Nacional Republicana

    O mais simbólico dos lugares de Abril. No Quartel do Carmo refugiou-se Marcelo Caetano na madrugada de 25 de abril de 1974; cercado pela coluna de Salgueiro Maia e por milhares de pessoas, entregou o poder ao general Spínola ao fim da tarde.

    RevoluçãoRepressão
  • Largo do Rato (antiga Praça do Brasil)

    Hoje: Largo do Rato

    Na revolta de fevereiro de 1927 ergueram-se aqui barricadas, e junto ao chafariz foram fuzilados civis e marinheiros. Em 1931, o largo voltou a ser linha de combate; em 1972, foi para a esquadra do largo que a polícia levou os presos da vigília da Capela do Rato.

    RepúblicaOposiçãoRepressão
  • Liceu de Camões

    Hoje: Escola Secundária de Camões

    No ginásio deste liceu, a 18 de maio de 1958, Humberto Delgado fez um comício da campanha presidencial, e a violência policial repetiu-se depois. Em 1945, foi aqui que os estudantes das colónias derrubaram a direção imposta à sua Casa.

    OposiçãoRepressãoEstudantes
  • «Mitra» – Asilo da Mitra e 3.º Posto da 14.ª Esquadra da PSP

    Hoje: Palácio da Mitra

    Junto ao Palácio da Mitra, antiga residência dos prelados de Lisboa, a Câmara abriu em 1933 o Asilo da Mitra, onde a polícia internava as crianças que apanhava a pedir. O posto policial da «Mitra» serviu de prisão aos marinheiros revoltosos de 1936.

    RepressãoTrabalho
  • O Século — a redação de «Modas e Bordados»

    Hoje: Palácio Lançada, Rua de O Século

    Aqui funcionou o jornal O Século, onde Maria Lamas dirigiu «Modas e Bordados» até 1947 e onde, em 1930, organizou a exposição «Mulheres Portuguesas». Foi aqui também que trabalhou Virgínia Quaresma, uma das primeiras repórteres portuguesas.

    MulheresCultura e censuraTrabalho
  • Palácio da Cova da Moura

    Na noite de 26 de abril de 1974, o ajudante de campo de Spínola veio aqui consultar a Junta de Salvação Nacional e levou daqui para Caxias a ordem de libertar todos os presos políticos. Aqui Spínola recebeu também Mário Soares, chegado do exílio, e os banqueiros.

    RevoluçãoOposição
  • Palácio da Independência – sede da Mocidade Portuguesa

    Hoje: Palácio da Independência (Sociedade Histórica da Independência de Portugal)

    No palácio onde se preparou o 1.º de Dezembro de 1640, o Estado Novo instalou a sede da Mocidade Portuguesa, a organização da juventude do regime. Extinta no próprio dia 25 de abril de 1974, deu lugar à Associação dos Deficientes das Forças Armadas.

    Repressão
  • Palácio de Belém

    Hoje: Palácio de Belém – Presidência da República

    Aqui tomou posse, em 1970, a primeira mulher a fazer parte de um governo em Portugal. Em setembro de 1974, o palácio foi palco das reuniões tensas que levaram à renúncia de Spínola; a 25 de novembro de 1975, do posto de comando do Presidente Costa Gomes.

    RevoluçãoGuerra colonialMulheres
  • Palácio de São Bento

    Hoje: Assembleia da República

    O parlamento onde, em 1911, se recusou o voto às mulheres e onde, em 1975–76, vinte e sete deputadas ajudaram a escrever a Constituição que proíbe discriminar em razão do sexo. Sophia de Mello Breyner Andresen presidiu aqui à comissão do preâmbulo.

    MulheresRevoluçãoRepública
  • Parque Eduardo VII

    Hoje: Parque Eduardo VII

    Aqui, a 13 de janeiro de 1975, o Movimento de Libertação das Mulheres quis queimar os símbolos da opressão das mulheres. Cerca de dois mil homens desfizeram a manifestação aos gritos. A fogueira nunca se fez — e a «queima de soutiens» é uma lenda.

    MulheresRevolução
  • Penitenciária de Lisboa

    Hoje: Estabelecimento Prisional de Lisboa

    Cadeia de delito comum que a polícia política usou para presos políticos, sobretudo em isolamento prolongado. Daqui partiram para o Tarrafal os marinheiros da revolta de 1936, e aqui morreu, em 1950, em greve de fome, o dirigente comunista Militão Ribeiro.

    RepressãoOposição
  • Posto de Comando do MFA – Regimento de Engenharia n.º 1 (Quartel da Pontinha)

    Hoje: Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA, no Quartel da Pontinha

    Num anexo deste quartel funcionou, de 24 a 26 de abril de 1974, o Posto de Comando do MFA. Daqui Otelo Saraiva de Carvalho dirigiu as operações, e para aqui foi trazido Marcelo Caetano depois de se render. Hoje é núcleo museológico.

    Revolução
  • Quartel de Lanceiros 2 / Regimento de Polícia Militar (Calçada da Ajuda)

    No quartel de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, instalou-se a 25 de abril de 1974 o posto de comando das forças fiéis ao regime, até os próprios soldados se porem do lado do Movimento. A 25 de novembro de 1975, os Comandos atacaram aqui o Regimento de Polícia Militar: houve três mortos.

    Revolução
  • Quartel do Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1, depois RALIS)

    O quartel de Artilharia Ligeira n.º 1, à entrada da Autoestrada do Norte, foi atacado a 11 de março de 1975 por aviões e paraquedistas, na tentativa de golpe spinolista; morreu o soldado Joaquim Carvalho Luís. O diálogo dos dois capitães, filmado pela RTP, ficou célebre.

    Revolução
  • Rádio Clube Português (estúdios da Rua Sampaio e Pina)

    Na madrugada de 25 de abril de 1974, oficiais do MFA ocuparam estes estúdios e fizeram do Rádio Clube Português a voz do Movimento: às 4h26, Joaquim Furtado leu aqui o primeiro comunicado. À tarde, foi uma mulher, Clarisse Guerra, quem leu outro.

    RevoluçãoCultura e censura
  • Rádio Renascença (estúdios da Rua Capelo)

    Hoje: Um hotel, The Ivens

    Nos estúdios da Rádio Renascença, no 2.º andar do n.º 5 da Rua Capelo, foi para o ar às 00h20 de 25 de abril de 1974, no programa «Limite», a primeira quadra de «Grândola, Vila Morena», de José Afonso — a senha que confirmou o avanço das tropas do MFA.

    RevoluçãoCultura e censura
  • Redação do jornal «A Capital» (Rua do Norte, 3)

    No n.º 3 da Rua do Norte, na esquina com a Praça de Luís de Camões, ficava a redação de «A Capital», diário republicano da noite. Virgínia Quaresma, a primeira mulher jornalista em Portugal, escreveu nele e morou mesmo em frente; em 1911, o jornal contou a luta de Carolina Beatriz Ângelo pelo voto.

    MulheresRepúblicaCultura e censura
  • Reitoria da Universidade de Lisboa

    Hoje: Reitoria da Universidade de Lisboa

    Na crise académica de 1962, o reitor era Marcelo Caetano: da varanda da Reitoria defendeu a autonomia da universidade e, quando o Governo voltou a proibir o Dia do Estudante, demitiu-se. O terreiro em frente encheu-se de plenários de estudantes.

    EstudantesOposição
  • Rossio (Praça de D. Pedro IV)

    Hoje: Praça D. Pedro IV

    No Rossio, a GNR carregou sobre os apoiantes de Humberto Delgado em 1958 e a polícia reprimiu o 1.º de Maio de 1962. A 25 de abril de 1974, passou aqui, entre a multidão, a coluna de Salgueiro Maia a caminho do Carmo.

    OposiçãoTrabalhoEstudantes
  • Rua Angelina Vidal

    O antigo Caminho do Forno do Tijolo recebeu em 1924 o nome de Angelina Vidal, propagandista republicana, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social». Ela não viveu aqui: morreu em 1917 na vizinha Rua de São Gens.

    MulheresRepública
  • Rua da Creche (local do assassinato de José Dias Coelho)

    Hoje: Rua José Dias Coelho

    Nesta rua de Alcântara, então Rua da Creche, agentes da PIDE mataram a tiro o escultor e dirigente comunista José Dias Coelho, a 19 de dezembro de 1961. A companheira, Margarida Tengarrinha, só soube da morte uma semana depois. A rua tem o seu nome desde 1975.

    RepressãoOposiçãoCultura e censura
  • Rua do Arsenal e Avenida da Ribeira das Naus

    Na Ribeira das Naus e na Rua do Arsenal, na manhã de 25 de abril de 1974, os soldados das forças fiéis ao regime recusaram as ordens do brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia. «Foi ali que se ganhou o 25 de Abril», diria Maia.

    Revolução
  • Rua do Carmo — os cravos de Celeste Caeiro

    Hoje: Rua do Carmo

    Por esta rua subiu a coluna de Salgueiro Maia, do Rossio para o Largo do Carmo. Foi aqui, no princípio da rua, que Celeste Caeiro deu um cravo a um soldado que lhe pedia um cigarro — e o cravo tornou-se o símbolo da revolução.

    RevoluçãoMulheresTrabalho
  • Ruas das feministas republicanas na Quinta dos Condes de Carnide

    Hoje: Rua Adelaide Cabete, Rua Ana de Castro Osório e Rua Maria Veleda

    A primeira urbanização de Lisboa com nomes só de mulheres: em 1976, as ruas novas da Quinta dos Condes de Carnide receberam os nomes de Maria Veleda, Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Guiomar Torresão; em 1978 vieram mais quatro, entre elas Manuela Porto.

    MulheresRepública
  • Ruas das pioneiras no Bairro de Caselas

    Hoje: Rua Carolina Ângelo, Rua Virgínia Quaresma, Rua Aurora de Castro, Rua Alice Pestana, Rua Olga Morais Sarmento e outras

    Em 1988, as ruas numeradas do Bairro de Caselas receberam nomes, muitos de mulheres pioneiras: Carolina Ângelo, a primeira a votar; Virgínia Quaresma, a primeira jornalista; Aurora de Castro, a primeira notária; as escritoras Alice Pestana e Olga Morais Sarmento; a pintora Sara Afonso.

    Mulheres
  • Sede da Associação Feminina Portuguesa para a Paz

    Sede da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, que de 1935 a 1952 juntou mulheres pela paz e pelos seus direitos — de Maria Lamas, sua presidente, a Stella Piteira Santos, Isabel Aboim Inglez e Maria Alda Nogueira. O ministro do Interior dissolveu-a em 1952.

    MulheresOposição
  • Sede da PVDE / PIDE / DGS

    Hoje: Condomínio residencial

    No Chiado, a sede da polícia política: os arquivos, os informadores e, no terceiro piso, os interrogatórios e a tortura. No 25 de Abril, os agentes dispararam daqui sobre a multidão e mataram quatro pessoas.

    RepressãoMulheresRevolução
  • Sede do jornal República (Rua da Misericórdia)

    No n.º 116 ficava o República, o diário da oposição democrática. Esteve na conspiração do 25 de Abril, saiu nesse dia sem passar pela censura e, em maio de 1975, deu nome a uma das grandes crises da revolução, o «caso República».

    OposiçãoRevoluçãoTrabalho
  • Sede dos Serviços de Censura / Exame Prévio (1969-1974)

    Hoje: Um edifício da Rua da Misericórdia

    Última sede da censura à imprensa, entre 22/9/1969 e o 25 de Abril de 1974, em frente à redação do jornal República. Os jornais entregavam aqui as provas para o «lápis azul»; a 26 de abril o edifício foi assaltado pela população.

    RepressãoCultura e censuraRevolução
  • Sé Patriarcal de Lisboa

    Hoje: Sé de Lisboa (Igreja de Santa Maria Maior)

    Nos claustros da Sé reuniram-se os conspiradores da «Revolta da Sé», o golpe de civis e militares, de inspiração sobretudo católica, que devia sair na noite de 11 para 12 de março de 1959 e que morreu antes de nascer, porque o Governo já sabia dele.

    OposiçãoRepressãoEstudantes
  • Sociedade Nacional de Belas-Artes

    Hoje: Sociedade Nacional de Belas-Artes

    Em janeiro de 1947, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, juntou aqui três mil livros de quatrocentas autoras de trinta países. Foi um êxito — e o pretexto para o regime fechar o Conselho meses depois.

    MulheresCultura e censuraRepressão
  • Sociedade Portuguesa de Escritores (sede)

    No primeiro andar do n.º 20 desta rua ficava a Sociedade Portuguesa de Escritores. Em maio de 1965, por ter premiado «Luuanda», de Luandino Vieira, preso no Tarrafal, foi extinta pelo Governo, e a sede assaltada e destruída na mesma noite.

    Cultura e censuraRepressãoGuerra colonial
  • Terreiro do Paço (Praça do Comércio)

    Hoje: Praça do Comércio

    A praça dos ministérios, centro do poder do Estado Novo. Ao amanhecer de 25 de abril de 1974 ocupou-a a coluna de Santarém do capitão Salgueiro Maia; as forças mandadas contra ela foram passando para o lado do Movimento, e os ministros fugiram por uma parede aberta à picareta.

    Revolução
  • Tribunal da Boa-Hora

    Hoje: Antigo tribunal, fechado desde 2009

    Convento feito tribunal em 1843. Aqui reunia o Tribunal Plenário, que julgava os presos políticos — e aqui foram julgadas Maria Alda Nogueira, Natália Correia e as «Três Marias», absolvidas já depois do 25 de Abril.

    RepressãoMulheresCultura e censura
  • Última sede do CNMP, fechada pela polícia em 1947

    Em 1946, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidido por Maria Lamas, mudou a sede para esta travessa das Amoreiras. A 28 de junho de 1947, a polícia fechou-a «sem aviso prévio», pondo fim a 33 anos de associação.

    MulheresRepressão

À volta de Lisboa

  • Forte de Caxias — a prisão política

    Hoje: Estabelecimento Prisional de Caxias

    A prisão política da região de Lisboa: o Reduto Sul para homens a partir de 1935, o Reduto Norte para mulheres a partir de 1938. Daqui fugiram oito presos no carro blindado de Salazar, em 1961, e daqui saíram os últimos presos políticos, na madrugada de 27 de abril de 1974.

    RepressãoMulheresOposição

Mais longe

  • Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde)

    Hoje: Antigo campo de concentração do Tarrafal (Chão Bom), ilha de Santiago

    Campo de concentração aberto em 1936 na ilha de Santiago, em Cabo Verde, para onde foram deportados opositores presos em Lisboa. Fechou em 1954 e reabriu na guerra colonial para militantes dos movimentos de libertação africanos, até 1 de maio de 1974. É hoje o Museu da Resistência.

    RepressãoGuerra colonial
  • Fortaleza de Peniche — a cadeia política

    Hoje: Museu Nacional Resistência e Liberdade

    Na Fortaleza de Peniche, prisão política de alta segurança, cumpriam-se as penas dos tribunais plenários. Dela fugiram dez dirigentes comunistas, Álvaro Cunhal entre eles, a 3 de janeiro de 1960. É hoje o Museu Nacional Resistência e Liberdade.

    RepressãoOposiçãoMulheres