Santa Maria Maior
Governo Civil de Lisboa e 1.ª Esquadra da PSP
Sede do Governo Civil de Lisboa, num antigo edifício do Convento de São Francisco. A 1.ª Esquadra da PSP, ali instalada, tinha calabouços onde a polícia política encerrou muitos presos, sobretudo antes de 1938, e onde se faziam julgamentos do Tribunal Militar Especial.
A Rua Capelo, no Chiado, foi durante muitos anos a morada do Governo Civil de Lisboa, instalado num edifício que pertencera ao Convento de São Francisco.1 No mesmo edifício funcionava a 1.ª Esquadra da PSP: depois da reorganização de 1922, Lisboa tinha 30 esquadras numeradas, da 1.ª, no Governo Civil, à 30.ª, no Caminho Novo, junto ao Parlamento.2
Até a sede da PVDE, na Rua António Maria Cardoso, entrar em pleno funcionamento, em 1938, algumas esquadras da PSP sustentaram, nas palavras do projeto Memória Comum, «a verdadeira logística da repressão»: era nelas que os presos ficavam, quase sempre incomunicáveis, e era nelas que se passava grande parte da violência policial e da tortura.2 O Registo Geral de Presos muitas vezes nem anota a esquadra, mas a 1.ª, no Governo Civil, é a principal exceção: os seus calabouços tinham capacidade para muitos presos e serviam para os guardar nas vésperas dos julgamentos dos Tribunais Militares Especiais, muitas vezes feitos no próprio edifício.2
Nas fichas que o Memória Comum dedica aos que morreram às mãos da repressão, a 1.ª Esquadra aparece muitas vezes. O comerciante Adelino Marques de Andrade foi trazido de Santarém para Lisboa a 12 de janeiro de 1937 e, diz a sua ficha, «recolhe à 1.ª Esquadra»; a 18 foi julgado pelo Tribunal Militar Especial. O motorista António Guedes Oliveira Silva, preso a 7 de novembro de 1937, andou entre a 1.ª Esquadra, o Aljube e Caxias até ser condenado a onze anos de degredo; morreu no Tarrafal em 1941.3 António Gato Pinto, preso em 1934 por ter participado na greve geral de 18 de janeiro, deixou apontamentos manuscritos sobre a captura e a passagem pela Casa de Reclusão da Trafaria, pelos calabouços do Governo Civil e pelo Aljube, entre abril e junho desse ano.4
Depois de a polícia interromper a vigília da Capela do Rato, na noite de 31 de dezembro de 1972, os catorze detidos que não foram postos em liberdade na esquadra do Largo do Rato vieram para os calabouços do Governo Civil; já de madrugada, seguiram para Caxias. Entre eles estavam o arquiteto Nuno Teotónio Pereira e uma só mulher, a bibliotecária Maria Benedita Galamba de Oliveira.78
Em 2011, os governos civis foram extintos de facto: um decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros a 8 de setembro e publicado a 30 de novembro passou as suas competências para outras entidades da Administração Pública e regulou a liquidação do seu património.59
Nos percursos
No arquivo
Helena Cabeçadas conta ao Museu do Aljube o movimento associativo dos liceus, a crise académica de 1962, que viveu aos 14 anos, e a prisão de 1965, quando foi levada ao Governo Civil e a Caxias. Expulsa de todas as escolas do país, partiu sozinha para o exílio na Bélgica aos 17 anos.
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Onde fica
Mapa com a localização de Governo Civil de Lisboa e 1.ª Esquadra da PSP.
Datas
1934
Entre abril e junho, António Gato Pinto, preso depois da greve geral de 18 de janeiro, passa pela Trafaria, pelos calabouços do Governo Civil e pelo Aljube.
1938
Com a sede da PVDE em pleno funcionamento, as esquadras perdem peso na logística da repressão.
8 de setembro de 2011
O Conselho de Ministros aprova o decreto-lei que passa as competências dos governos civis para outras entidades (publicado a 30 de novembro): é a extinção de facto.
26 ago. 1931
Revolta reviralhista de 26 de agosto de 1931 em Lisboa5 dez. 1932
Criação dos Tribunais Militares Especiais18 jan. 1934
Greve geral revolucionária de 18 de Janeiro de 1934
Pessoas ligadas a este lugar
Perto daqui

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Rádio Renascença (estúdios da Rua Capelo)
Hoje: Um hotel, The Ivens
Nos estúdios da Rádio Renascença, no 2.º andar do n.º 5 da Rua Capelo, foi para o ar às 00h20 de 25 de abril de 1974, no programa «Limite», a primeira quadra de «Grândola, Vila Morena», de José Afonso — a senha que confirmou o avanço das tropas do MFA.
RevoluçãoCultura e censura
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Tribunal da Boa-Hora
Hoje: Antigo tribunal, fechado desde 2009
Convento feito tribunal em 1843. Aqui reunia o Tribunal Plenário, que julgava os presos políticos — e aqui foram julgadas Maria Alda Nogueira, Natália Correia e as «Três Marias», absolvidas já depois do 25 de Abril.
RepressãoMulheresCultura e censura
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Hoje: Um prédio com uma loja no rés-do-chão
Um anúncio de 1909 situa aqui, no n.º 84 da Rua Nova do Almada, o consultório de Carolina Beatriz Ângelo, ginecologista e primeira cirurgiã portuguesa — dois anos antes de ela se tornar a primeira mulher a votar em Portugal.
MulheresTrabalho
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Sede da PVDE / PIDE / DGS
Hoje: Condomínio residencial
No Chiado, a sede da polícia política: os arquivos, os informadores e, no terceiro piso, os interrogatórios e a tortura. No 25 de Abril, os agentes dispararam daqui sobre a multidão e mataram quatro pessoas.
RepressãoMulheresRevolução
Notas sobre as fontes3
- O número de polícia do edifício na Rua Capelo e o que lá funciona hoje.
- Em que anos esteve aqui o Governo Civil: a Toponímia de Lisboa diz só que a Rua Capelo foi a sua morada «durante muitos anos».
- Se em dezembro de 1972, quando para lá foram levados os catorze detidos da vigília da Capela do Rato, o Governo Civil ainda estava neste edifício: as fontes da vigília dizem só «Governo Civil».
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1A Rua Capelo nascida com a Rua Ivens. Toponímia de Lisboa – CML (10/11/2015) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 230 Esquadras de Lisboa. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7). Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Os «crimes políticos» no Estado Novo (Prisões da Ditadura). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 5Governo Civil de Lisboa. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 6Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 7«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
- 8Vigília da Capela do Rato. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 9Decreto-Lei n.º 114/2011, de 30 de novembro (Diário da República, 1.ª série, n.º 230): transfere as competências dos governos civis para outras entidades da Administração Pública e regula a liquidação do seu património. Diário da República (Imprensa Nacional-Casa da Moeda), 2011 — consultado a 3 de outubro de 2026Visto e aprovado em Conselho de Ministros a 8 de setembro de 2011; promulgado a 21 de novembro.
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.
