O Palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, visto da rua, por trás do muro.Koshelyev, CC BY-SA 3.0
Estrela
Palacete de São Bento – residência oficial de Salazar
O palacete nas traseiras do Parlamento que o Estado expropriou em 1937 para residência oficial do presidente do Conselho. Salazar viveu aqui de maio de 1938 a julho de 1970, o mês em que morreu. Hoje é a residência oficial do primeiro-ministro.
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O palacete foi mandado construir em 1877 por Joaquim Machado Cayres, para sua casa, num terreno que desde 1598 pertencia à cerca do Convento de São Bento — o convento que em 1834 passou a Palácio das Cortes.1
Em 1937, o ano em que António de Oliveira Salazar escapou a uma bomba na Avenida Barbosa du Bocage, o Estado expropriou o palacete para nele instalar a residência oficial do presidente do Conselho. Até então, Salazar vivia na Rua Bernardo Lima.12 Depois de obras de adaptação, mudou-se para cá em maio de 1938; a inauguração oficial foi em abril de 1939. Nas obras, o arquiteto Cristino da Silva desenhou uma escadaria monumental que liga a parte de baixo do parque ao Parlamento, aberta para facilitar a comunicação entre os dois edifícios.1
Em 1968, depois de uma queda de uma cadeira que o deixou incapaz de governar, Salazar foi substituído na chefia do Governo por Marcelo Caetano, mas continuou a viver aqui até julho de 1970, o mês em que morreu.341 Caetano nunca morou no palacete. Em 1971 mandou fazer-lhe a maior remodelação da sua história, que pouco mais guardou do que as quatro fachadas e lhe acrescentou um andar no lugar do sótão.1
O parlamento onde, em 1911, se recusou o voto às mulheres e onde, em 1975–76, vinte e sete deputadas ajudaram a escrever a Constituição que proíbe discriminar em razão do sexo. Sophia de Mello Breyner Andresen presidiu aqui à comissão do preâmbulo.
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Num anfiteatro pré-fabricado desta escola, a 12 de outubro de 1972, um agente da DGS matou a tiro o estudante de Direito José António Ribeiro Santos, durante um «meeting contra a repressão». Na sala estava Aurora Rodrigues.
A rádio oficial do regime foi ocupada na madrugada de 25 de abril de 1974 por uma pequena força do Campo de Tiro da Serra da Carregueira, para servir de emissora de reserva do MFA. Voltou a ser disputada a 11 de março e a 25 de novembro de 1975.
No primeiro andar do n.º 20 desta rua ficava a Sociedade Portuguesa de Escritores. Em maio de 1965, por ter premiado «Luuanda», de Luandino Vieira, preso no Tarrafal, foi extinta pelo Governo, e a sede assaltada e destruída na mesma noite.
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Notas sobre as fontes2
Se Salazar morreu no palacete: o Governo dá-o como morador até julho de 1970, e o Arquivo Nacional Torre do Tombo diz só que morreu em Lisboa, a 27 de julho.
Segundo a Wikipédia, o palacete era desde dezembro de 1934 um colégio de raparigas das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, que teve de sair quando o Estado o expropriou; a página da congregação fala de um colégio aberto em 1934 a pedido do patriarca de Lisboa e instalado em 1938 na Rua de São Félix, sem nomear o palacete.
1Residência Oficial do Primeiro-Ministro — História. Governo de Portugal — consultado a 3 de outubro de 2026Página do sítio do Governo, lida na cópia do Internet Archive de 29 de novembro de 2009; inclui o quadro dos chefes de Governo que residiram no palacete.