Belém
Padrão dos Descobrimentos
Erguido em 1940 para a Exposição do Mundo Português e refeito em pedra em 1960, é o monumento do mito dos «Descobrimentos»: 33 figuras, uma só de mulher. Em 1975, os caixotes de quem regressava das colónias amontoaram-se aqui ao lado.
O Padrão foi erguido pela primeira vez em 1940, para a Exposição do Mundo Português, em materiais que não eram para durar: uma estrutura leve de ferro e cimento e esculturas de estafe, uma mistura de gesso e estopa. Desenharam-no o arquiteto Cottinelli Telmo e o escultor Leopoldo de Almeida, e ficou sobre a doca de Belém, no eixo da Praça do Império.1
Em 1960, nas comemorações dos quinhentos anos da morte do infante D. Henrique, foi reconstruído em betão e pedra e inaugurado a 9 de agosto.1 Na proa de uma caravela estilizada vão o infante e 32 figuras da expansão — navegadores, cartógrafos, guerreiros, missionários, cronistas, artistas. Uma só é de mulher: a rainha D. Filipa de Lencastre, mãe do infante.2 Os «Descobrimentos» — o nome dado às viagens dos séculos XV e XVI — foram invocados pelo salazarismo para legitimar o regime e a ideologia nacionalista.6
A rosa-dos-ventos do terreiro, em pedra, com um planisfério onde estão marcadas as datas e as rotas da expansão, foi inaugurada a 5 de agosto de 1960 e oferecida pela África do Sul, que se associou às comemorações.3 Para o historiador José Pedro Monteiro, a oferta chegou «num momento crítico para os projectos de supremacia branca no continente africano», quando os dois regimes procuravam resistir aos «ventos de mudança».5
Em meados de 1975, junto ao Padrão amontoaram-se os caixotes com os haveres de quem chegava das colónias que se tornavam independentes.78 Desde 1985, o monumento tem miradouro, auditório e salas de exposições.1
Nos percursos
Onde fica
Mapa com a localização de Padrão dos Descobrimentos.
Datas
23 de junho de 1940
Abre a Exposição do Mundo Português, de que faz parte o primeiro Padrão, efémero.
5 de agosto de 1960
Inaugura-se a rosa-dos-ventos oferecida pela África do Sul.
9 de agosto de 1960
Inaugura-se o Padrão reconstruído em pedra, nas comemorações henriquinas.
1975
Os caixotes de quem chega das antigas colónias amontoam-se junto ao monumento.
1985
Abre como Centro Cultural das Descobertas, com miradouro e salas de exposições.
Perto daqui

280 m · 5 min a pé
Praça do Império
Hoje: Jardim público, com a Fonte Monumental ao centro
Aberta para a Exposição do Mundo Português, em 1940, foi o centro da maior montra de propaganda do império montada pelo Estado Novo. Os brasões das colónias que o jardim recebeu nos anos 60 voltaram a dar polémica no século XXI.
ColonialismoCultura e censura
530 m · 10 min a pé
Jardim Botânico Tropical (antigo Jardim Colonial)
Hoje: Jardim Botânico Tropical — Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Universidade de Lisboa)
Criado em 1906 como Jardim Colonial, recebeu em 1940 a Secção Colonial da Exposição do Mundo Português: 138 homens, mulheres e crianças trazidos das colónias foram aqui expostos ao público durante meses.
ColonialismoMulheres
690 m · 10 min a pé
Palácio de Belém
Hoje: Palácio de Belém – Presidência da República
Aqui tomou posse, em 1970, a primeira mulher a fazer parte de um governo em Portugal. Em setembro de 1974, o palácio foi palco das reuniões tensas que levaram à renúncia de Spínola; a 25 de novembro de 1975, do posto de comando do Presidente Costa Gomes.
RevoluçãoColonialismoMulheres820 m · 10 min a pé
Quartel de Lanceiros 2 / Regimento de Polícia Militar (Calçada da Ajuda)
No quartel de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, instalou-se a 25 de abril de 1974 o posto de comando das forças fiéis ao regime, até os próprios soldados se porem do lado do Movimento. A 25 de novembro de 1975, os Comandos atacaram aqui o Regimento de Polícia Militar: houve três mortos.
Revolução
Notas sobre as fontes1
- Se os caixotes de 1975 fotografados «junto ao Padrão» estavam no terreiro do monumento ou na doca de Belém: as fontes consultadas não o precisam.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Padrão dos Descobrimentos: a obra, 1940 e 1960. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 2O conjunto escultórico. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 3Rosa dos Ventos. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4Contactos e horários. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 5José Pedro Monteiro, Rosa-dos-Ventos. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 6Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 7Helena Matos, Os retornados começaram a chegar há 40 anos. Observador, 2014 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 8Exposição «Retornar – Traços da Memória» (Noticiário, 4 de novembro de 2015). RTP Arquivos, 2015 — consultado a 3 de outubro de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (way 152327819), consultado a 3 de outubro de 2026.