Rádio Clube Português (estúdios da Rua Sampaio e Pina)
Na madrugada de 25 de abril de 1974, oficiais do MFA ocuparam estes estúdios e fizeram do Rádio Clube Português a voz do Movimento: às 4h26, Joaquim Furtado leu aqui o primeiro comunicado. À tarde, foi uma mulher, Clarisse Guerra, quem leu outro.
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O Rádio Clube Português (RCP) nasceu em 1931 do Rádio Clube da Costa do Sol, de Jorge Botelho Moniz, oficial do Exército que tomara parte no golpe de 28 de Maio de 1926. Os estúdios passaram da Parede para Lisboa no começo de 1960.10
O plano de operações do Movimento das Forças Armadas (MFA) fazia desta emissora a voz do Movimento. Pelas 3h00 de 25 de abril de 1974, saiu a pé do quartel de Campolide uma companhia do Batalhão de Caçadores 5 para lhe garantir a segurança.23 Um grupo de oficiais — os majores José da Costa Neves, Delfim Campos Moura e João Sacramento Gomes e os capitães Artur Mendonça de Carvalho, José Correia Pombinho, José Santos Coelho, Nuno dos Santos Ferreira e Nuno dos Santos Silva — ocupou os estúdios sem incidentes,1 e o capitão Santos Coelho telefonou ao Posto de Comando: «MÉXICO ocupado sem incidentes».3
Às 4h26, com o aeroporto já ocupado, o locutor de serviço, Joaquim Furtado, leu o primeiro comunicado do MFA, redigido pelo major Vítor Alves. Devia tê-lo lido o major Costa Neves, mas Furtado, ao saber do que se tratava, ofereceu-se. O comunicado pedia à população que se mantivesse calma e aos médicos que acorressem aos hospitais.3 Seguiram-se o hino nacional e marchas militares e, ao longo do dia, canções de autores censurados — José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Luís Cília, José Mário Branco.4
Às 8h00, o Governo mandou cortar a luz e os telefones dos estúdios e das antenas de Porto Alto. Os geradores mantiveram a emissão, e a ligação ao Posto de Comando passou a fazer-se de uma cabine telefónica pública junto à Rua Sampaio e Pina. Pouco depois das 13h00, um tenente-coronel contou que o filho estava a captar e a gravar as comunicações das forças do regime; o responsável pela discoteca da emissora foi a casa dele com um gravador, e o RCP passou a pôr no ar essas conversas, que mostravam a desorientação do Governo.3 Pelas 14h30, um comunicado que dava conta dos objetivos conquistados e do cerco a Marcelo Caetano no Quartel do Carmo foi lido por uma mulher, Clarisse Guerra.34 Às 20h00, a emissora transmitiu a Proclamação do MFA, que anunciava um programa de «restituição ao Povo Português das liberdades cívicas de que vem sendo privado».4
Hoje: Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho
O primeiro liceu feminino do país, criado em 1906 como Liceu Maria Pia, e desde 1933 o primeiro instalado num edifício feito de raiz para raparigas. Aqui foram reitoras Domitila de Carvalho e Maria Guardiola, duas das três primeiras deputadas portuguesas.
Aqui, a 13 de janeiro de 1975, o Movimento de Libertação das Mulheres quis queimar os símbolos da opressão das mulheres. Cerca de dois mil homens desfizeram a manifestação aos gritos. A fogueira nunca se fez — e a «queima de soutiens» é uma lenda.
Cadeia de delito comum que a polícia política usou para presos políticos, sobretudo em isolamento prolongado. Daqui partiram para o Tarrafal os marinheiros da revolta de 1936, e aqui morreu, em 1950, em greve de fome, o dirigente comunista Militão Ribeiro.
Em 1946, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidido por Maria Lamas, mudou a sede para esta travessa das Amoreiras. A 28 de junho de 1947, a polícia fechou-a «sem aviso prévio», pondo fim a 33 anos de associação.
MulheresRepressão
Notas sobre as fontes4
A hora da ocupação: 3h12 (cronologia de Jofre Alves), 3h20 ou 3h32 (Associação 25 de Abril, nas suas duas páginas) ou 3h30 (Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril).
A hora do primeiro comunicado: 4h26 (Associação 25 de Abril, Comissão Comemorativa, Jofre Alves) ou 4h20 (Museu do Aljube).
Quem comandava o grupo de oficiais que ocupou a emissora: o major Costa Neves (Associação 25 de Abril) ou o capitão Mendonça de Carvalho (Jofre Alves).
O que funciona hoje no n.º 24 da Rua Sampaio e Pina, e onde fica ao certo a placa dos «Lugares de Abril».
6Os acontecimentos do 11 de Março de 1975. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
7RAL 1 – Lisboa. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
825 de Novembro de 1975. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
925 de Abril de 1974. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026